Comentários de Abertura
Os futuros de ações oscilaram entre ganhos e perdas durante a noite, mas apresentaram firmeza no início da manhã, mesmo com a queda acentuada dos rendimentos do Tesouro. O VIX permaneceu entre 19 e 20 durante a noite, refletindo o aumento da preocupação dos investidores com a economia, enquanto o dollar index recuou para 106,4. Os títulos de 10 anos do Tesouro atingiram novas mínimas de 10 semanas, sendo negociados em torno de 4,31%, à medida que os investidores buscam segurança nos títulos do governo, enquanto os rendimentos dos títulos de 2 anos caíram para 4,11%. Os preços do petróleo bruto operam em leve baixa, girando em torno de US$ 70 por barril, refletindo incertezas sobre a demanda. O complexo de grãos e oleaginosas também opera majoritariamente em queda.
O presidente Trump adora um microfone. E ele não consegue resistir a falar sobre tarifas sempre que tem a oportunidade. Seus comentários constantes e as surpresas frequentes estão afetando a confiança dos investidores, que estava elevada após sua reeleição em novembro, e também a confiança do consumidor. Nem investidores nem consumidores gostam de incerteza – e, no momento, há bastante dela no ar. Trump voltou a falar sobre tarifas para o Canadá e o México, à medida que a pausa de 30 dias para a implementação dessas taxas se aproxima do fim. Além disso, ele tem aumentado a pressão sobre a China. Sua equipe de assessores continua trabalhando nas recomendações sobre tarifas para diversos países ao redor do mundo, com um relatório previsto para ser apresentado a Trump em 1º de abril. O eleitorado escolheu um presidente disruptivo – e é exatamente isso que ele tem sido. Tanto investidores quanto consumidores estão tentando entender se essas mudanças serão, no final, positivas ou negativas para a economia, mas essa resposta ainda não está clara e deve levar algumas semanas para se definir.
O presidente Trump afirmou na segunda-feira que as tarifas de 25% sobre o Canadá e o México, atualmente suspensas por 30 dias, entrarão em vigor quando essa pausa expirar na próxima semana. O propósito inicial dessas tarifas era garantir a cooperação desses países no reforço das fronteiras para conter a imigração ilegal e o tráfico de drogas para os EUA. Tanto Canadá quanto México fizeram investimentos significativos para atender a essa demanda. No entanto, os comentários de Trump na segunda-feira atrelavam essas tarifas ao déficit comercial dos EUA com os dois países. Segundo dados do U.S. Census Bureau, o déficit comercial com o México totalizou US$ 172 bilhões em 2024, enquanto o déficit com o Canadá foi de US$ 64 bilhões. As tarifas, inicialmente impostas em 1º de fevereiro, aplicam uma taxa de 25% sobre produtos importados do Canadá e do México, enquanto produtos energéticos canadenses são taxados em 10%. A implementação dessas tarifas na próxima semana pode, essencialmente, desfazer o acordo de livre comércio entre os três países, o que pode ser o objetivo de Trump para renegociar um “acordo melhor” em seus termos. Além disso, as tarifas de 10% sobre todos os produtos importados da China, também anunciadas em fevereiro, permanecem em vigor. Wall Street teme uma escalada de tarifas retaliatórias, que poderiam aumentar os preços e, ao mesmo tempo, desacelerar o crescimento econômico.
O principal evento político anual da China, a conferência das "Duas Sessões", ocorrerá na próxima semana. Esse evento é utilizado pelos líderes comunistas para divulgar as metas anuais de crescimento econômico – números que eles garantirão que sejam cumpridos – e para anunciar as principais alocações orçamentárias do governo para o ano. A expectativa é de que haja mais confirmações de pacotes de estímulo atrelados a essas metas. Pequim e Guangzhou, dois dos principais centros comerciais da China, aceleraram a emissão de títulos especiais para aquisição de terrenos, um programa que permite ao governo comprar terrenos excedentes e projetos imobiliários não vendidos para reduzir o excesso de oferta e, consequentemente, sustentar os preços das propriedades. As vendas de imóveis tiveram quatro meses de recuperação após pacotes de estímulo anunciados no ano passado, mas voltaram a cair recentemente. Esse tipo de intervenção governamental no mercado imobiliário lembra a estratégia dos EUA nos anos 1980, quando o governo comprou estoques excedentes de grãos para sustentar os preços. O problema foi que o mercado nunca conseguiu manter uma alta consistente, pois sabia que esses estoques poderiam ser liberados caso os preços subissem demais. O resultado foi um período prolongado de preços fracos até que os estoques fossem esgotados.
O setor de commodities enfrentou novos desafios durante a noite, à medida que os traders se preocupam com uma desaceleração econômica global causada pelas disputas comerciais e tarifas. No entanto, há fatores fundamentais influenciando os preços também. Regiões secas da Argentina agora enfrentam o risco de inundações devido ao excesso de chuvas. Já nas áreas úmidas do Brasil, que haviam atrasado a colheita da soja e o plantio do milho, o clima secou, mas agora os produtores começam a se preocupar com a tendência de estiagem no restante da safra. O frio extremo que ameaçou o trigo de inverno nos EUA e na Rússia já passou. Tudo isso ocorre após um longo período de compras especulativas, e esses investidores agora estão ficando nervosos à medida que os sinais gráficos de curto prazo indicam baixa. No outono passado, os preços do milho impulsionaram a alta no complexo de grãos e oleaginosas, e agora o milho está liderando a tendência de queda. Algoritmos de negociação baseados em momentum estão amplificando as perdas, já que os sinais indicam um viés baixista. Os traders buscarão no Fórum de Perspectivas do USDA, que acontece na quinta e sexta-feira, novas informações fundamentais, incluindo projeções do governo para a área plantada e a produtividade da safra dos EUA.



