Comentários de Abertura
Os futuros de ações operaram discretamente mistos durante a noite, enquanto o relógio avança rumo aos tão esperados anúncios de tarifas da próxima semana. O índice VIX continua operando um pouco acima da mínima mensal registrada ontem, perto de 17, enquanto o dollar index está próximo de 104,3. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos estão em torno de 4,34%, pouco abaixo das máximas de quatro semanas registradas ontem, e os rendimentos dos títulos de 2 anos negociam perto de 4,00%. Os preços do petróleo bruto subiram quase 1%, após atingirem um novo pico em quatro semanas mais cedo esta manhã, enquanto os mercados de grãos e oleaginosas estiveram mistos em negociações voláteis durante a noite, à espera dos importantes relatórios do USDA da próxima semana, além dos anúncios fundamentais de tarifas em relação ao Canadá e México.
Os pedidos de bens duráveis aumentaram 0,9% mês a mês em fevereiro, queda significativa em comparação ao robusto ganho de 3,3% visto em janeiro, mas acima da queda de 1,0% esperada pelos analistas. Excluindo o setor de transportes, os pedidos de bens duráveis subiram 0,7% no mês, frente aos 0,1% do mês anterior e acima dos 0,3% esperados pelos analistas. Contudo, os pedidos básicos de bens duráveis, considerados um indicador do sentimento das empresas, caíram 0,3% no mês, frente a alta de 0,9% do mês anterior. Assim, em geral, os pedidos de bens duráveis vieram acima do esperado em fevereiro, mas houve sinais de alerta vindos da comunidade empresarial devido à incerteza gerada pelos próximos anúncios tarifários. Os futuros das ações caíram inicialmente após a divulgação dos dados, mas logo voltaram a subir.
Muitos mercados estão negociando com cautela, aguardando as notícias da próxima semana. A maioria dos mercados está antecipando os anúncios tarifários de quarta-feira, data em que a Casa Branca prometeu divulgar taxas tarifárias recíprocas em relação a diversos parceiros comerciais. O governo afirmou que cobrará dos parceiros comerciais as mesmas tarifas que estes aplicam aos EUA, visando convencê-los a reduzir tarifas em futuras negociações. Mais de 100 países não cobram tarifas dos Estados Unidos, mas infelizmente a maioria dos principais parceiros comerciais impõe tarifas. As tarifas recíprocas podem ser altamente perturbadoras para a economia caso não resultem em tarifas menores, mas podem estimular o crescimento no longo prazo se efetivamente provocarem uma redução tarifária. Assim, permanece mais uma incerteza por algum tempo.
Na próxima semana, também devemos saber como a Administração Trump tratará as tarifas já aplicadas a Canadá, México e China. Não espero flexibilizações das tarifas sobre a China, podendo até ocorrer um endurecimento das mesmas. Interpreto a ausência recente de críticas ao México como um sinal esperançoso de que um acordo possa ser alcançado em breve, o que seria crucial para o futuro do comércio de grãos, oleaginosas e carne suína. Contudo, as tensões com o Canadá permanecem altas, indicando que há um longo caminho pela frente para alcançar um acordo. Infelizmente, diferenças pessoais entre o presidente Trump e o ex-primeiro-ministro Justin Trudeau – e agora com Mark Carney – parecem ter dificultado negociações bem-sucedidas com nosso vizinho ao norte. De qualquer forma, espero plenamente que as tarifas de 25% sobre alumínio e aço permaneçam em vigor, aumentando as tensões com o Canadá.
Antes disso, teremos na segunda-feira os relatórios trimestrais do USDA sobre estoques de grãos e áreas plantadas. As chances de uma surpresa que movimente o mercado são altas este ano – em qualquer direção. Os relatórios de estoques são conhecidos por suas surpresas significativas para o mercado, e as expectativas sobre áreas plantadas também estão bastante dispersas neste ano. Isso adiciona mais uma incerteza para os mercados de grãos e oleaginosas, mantendo-os em negociação lateralizada e volátil nesta semana.
Observamos também mais evidências de que o presidente russo, Vladimir Putin, pode estar se aproximando do presidente Trump, isolando no processo o presidente chinês Xi Jinping, como mencionei anteriormente em outras ocasiões. As vendas chinesas de automóveis já representaram 60% do mercado russo, mas isso está mudando. As exportações chinesas de veículos para a Rússia caíram 49% nos dois primeiros meses deste ano, segundo a Associação Chinesa de Carros de Passageiros, após um aumento de 27% em 2024. A Rússia impôs tarifas de 70 a 85% sobre veículos importados no final de 2024, impactando fortemente as remessas chinesas. Essas tarifas devem aumentar entre 10 e 20% ao ano até 2030. As exportações gerais da China para a Rússia caíram 11% nos dois primeiros meses deste ano, após aumentarem quase 12% em 2024. Esses dados reforçam sinais de um esfriamento nas relações entre Putin e Xi, gerando preocupações na China com a possibilidade da Rússia se aproximar dos Estados Unidos caso um acordo de paz duradouro sobre a Ucrânia seja alcançado. Soma-se a isso o impacto econômico da redução das exportações, com embarques chineses de veículos elétricos para a União Europeia também caindo um terço, após a UE elevar tarifas para até 45%. Isso obriga a China a ampliar fortemente os estímulos econômicos, algo que acredito fazer parte da estratégia de Trump para conter a agressão chinesa.



