Comentários de Abertura
Os futuros das ações dispararam durante a madrugada, reagindo a novas manchetes relacionadas a tarifas divulgadas no fim de semana que aliviaram as preocupações dos investidores. O índice de volatilidade VIX está sendo negociado próximo de 32 nesta manhã, à medida que o medo começa a diminuir em Wall Street, enquanto o dollar index está em torno de 100,1 após atingir uma nova mínima de três anos na sexta-feira. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,41%, enquanto os rendimentos dos títulos de 2 anos estão em torno de 3,92%. Os preços do petróleo bruto subiram quase 1%, mantendo-se acima da faixa de US$ 60 por barril, enquanto o complexo de grãos e oleaginosas recuou um pouco após os ganhos impressionantes de sexta-feira.
Os futuros das ações subiram com força durante a madrugada, reagindo ao anúncio do presidente Trump, feito no fim de semana, de que concederia uma isenção temporária das tarifas recíprocas para produtos eletrônicos essenciais. Isso proporcionou um impulso significativo ao setor de tecnologia, embora a Casa Branca tenha enfatizado que a isenção é temporária. Trump declarou que gostaria que celulares, computadores e outros produtos fossem fabricados nos Estados Unidos, mas há um reconhecimento crescente de que as cadeias de suprimento para a produção desses itens estão profundamente enraizadas na China e que levará vários anos para modificar isso — se é que isso será possível. Não se espera que o presidente desista de sua meta de trazer essa fabricação de volta aos EUA, ou ao menos afastá-la da China, mas esses esforços estão em pausa enquanto se define o próximo passo.
Ainda assim, Trump afirmou no domingo que anunciará, ao longo da semana, a tarifa para semicondutores importados, mas também indicou que poderá haver certa flexibilidade para algumas empresas do setor. Isso reforça a ideia de que sua isenção tarifária para produtos eletrônicos é realmente temporária. Ele também anunciou uma investigação comercial sobre segurança nacional no setor de semicondutores. O secretário de Comércio, Howard Lutnick, afirmou no domingo que produtos tecnológicos críticos da China enfrentarão novas tarifas específicas, juntamente com os semicondutores, nos próximos dois meses — indicando que haverá uma “tarifa com foco especial” sobre smartphones, computadores e outros eletrônicos, além de tarifas setoriais para semicondutores e produtos farmacêuticos.
O mercado de ações da China reagiu positivamente à notícia da isenção, alimentando esperanças de que isso possa abrir uma janela para negociações presenciais entre China e Estados Unidos. Na semana passada, os dois países pareciam ter chegado a um impasse, com ambos elevando tarifas a níveis tão altos que o comércio já havia praticamente cessado. Esses aumentos apenas intensificaram as tensões, a ponto de cada lado esperar que o outro tomasse a iniciativa. Um acordo para reduzir as tensões só pode acontecer se houver diálogo, e há uma pequena esperança de que isso abra caminho para conversas, ainda que iniciais. Dados divulgados hoje na China mostram que as exportações dispararam em março, com compradores antecipando a demanda antes das tarifas anunciadas em 2 de abril, enquanto as importações caíram, refletindo o consumo interno ainda fraco no país.
O Federal Reserve aparenta adotar uma postura de “esperar para ver” quanto ao impacto das políticas tarifárias em constante mudança de Trump na economia. No entanto, de forma discreta, o Fed tem tomado medidas para manter a economia girando, aumentando a liquidez sem alterar sua política formal. Os saldos de reservas aumentaram em US$ 95 bilhões na semana passada, totalizando US$ 3,47 trilhões — o nível mais alto desde janeiro —, à medida que o Fed desacelera o aperto quantitativo, como já previsto no outono passado, antes mesmo dos anúncios de tarifas. O Fed também reduziu o volume de operações de recompra reversa, o que funciona como um afrouxamento monetário indireto. Lembrando o que foi dito na semana passada: o mercado precificou um cenário pessimista nos primeiros dias dessa guerra tarifária, mas agora começa a considerar uma solução intermediária. O próximo passo que os investidores esperam é um grande acordo comercial que reduza tarifas com o Japão e/ou Coreia do Sul, para aumentar a confiança de que tudo voltará ao normal.
A Argentina recebeu um impulso do Fundo Monetário Internacional no fim da semana passada, quando o FMI aprovou um acordo de Facilidade Estendida por 48 meses no valor de US$ 20 bilhões, com liberação imediata de US$ 12 bilhões para ajudar o país a cumprir suas obrigações mais urgentes. Isso dá ao presidente Milei a flexibilidade necessária para prosseguir com suas reformas, enquanto reestrutura a economia argentina para voltar ao setor privado, afastando-se da dependência estatal. Essa transição deve continuar favorecendo o crescimento do setor agrícola do país. Enquanto isso, vimos uma rotação de fundos para o mercado de grãos e oleaginosas na sexta-feira, seguida de realização de lucros durante a madrugada. A percepção de alguns é que esses mercados vêm sendo subestimados nos últimos anos, que é improvável que sejam alvo de tarifas retaliatórias — exceto pela China —, por se tratarem de commodities alimentares, e que há fundamentos em melhora. Isso pode ser positivo — pelo menos até a próxima manchete.



