Comentários de Abertura
Os traders receberam mais uma boa notícia nesta manhã com dados de inflação dos EUA melhores do que o esperado. Apesar disso, as ações abriram de forma mista: Nasdaq e S&P 500 começaram o dia no positivo, enquanto o Dow Jones faz uma pausa após os fortes ganhos de ontem. O otimismo foi reforçado pelas melhorias nas tensões comerciais e geopolíticas, com o índice de medo de Wall Street registrando a menor leitura desde o final de março, ficando abaixo do nível 18. O dólar também mostra uma pausa após disparar ontem para o maior nível em mais de um mês; no entanto, os atuais 101,4 ainda estão bem acima da média recente. Os títulos do Tesouro estão relativamente estáveis após os ganhos expressivos de ontem, com os rendimentos dos papéis de 10 anos em torno de 4,45% e os de 2 anos próximos de 3,97%. O petróleo bruto segue em alta com a melhora nas expectativas de demanda, com o WTI negociando perto de US$ 62,50 nesta manhã após ultrapassar US$ 63,50 ontem pela primeira vez desde o final de abril. O setor agrícola apresenta comportamento misto: grãos e oleaginosas operam majoritariamente em baixa, enquanto o setor pecuário avança novamente, com os contratos futuros de gado bovino (vivo e de engorda) renovando máximas históricas.
O índice de preços ao consumidor (CPI) caiu para 2,3% em termos anuais em abril, abaixo da expectativa do mercado de estabilidade em 2,4%, marcando o nível mais baixo desde fevereiro de 2021. Na comparação mensal, o CPI subiu 0,2%, revertendo a queda de -0,1% registrada em março, mas ainda abaixo da expectativa de alta de 0,3%. Grande parte dessa melhora veio de uma queda de 3,7% nos custos de energia, impulsionada por uma retração de 11,8% na gasolina, com os setores de alimentos e transporte também mostrando alívio. Excluindo os itens mais voláteis, como alimentos e energia, o núcleo do CPI subiu 0,2% na comparação mensal — também abaixo da projeção de 0,3% — enquanto o aumento de 2,8% na comparação anual ficou em linha com as expectativas e estável em relação a março. Após meses de pessimismo nos mercados, esses números são certamente bem-vindos. Na quinta-feira pela manhã, teremos outro conjunto de dados de inflação com a divulgação do PPI (índice de preços ao produtor) de abril.
Os EUA estão reduzindo a tarifa de "de minimis" (para itens de baixo valor, até US$ 800) sobre produtos importados da China de 120% para 54%, após o movimento do fim de semana em que ambos os países anunciaram cortes drásticos de tarifas após uma reunião na Suíça. As remessas de minimis dispararam na era das compras online iniciada nos anos 2020, com mais de 90% dos pacotes enviados aos EUA entrando por esse canal — e cerca de 60% desse volume vindo da China. Embora ainda estejamos longe de uma resolução definitiva nas relações comerciais entre EUA e China, os acontecimentos dos últimos dias representam o momento mais positivo em meses e dão mais tempo para negociações de um acordo mais amplo. No entanto, vale destacar que, mesmo com a redução expressiva, as tarifas sobre os produtos chineses ainda são significativas e continuarão afetando o comércio entre os dois países, além de impactarem os preços para o consumidor norte-americano futuramente.
No campo da diplomacia, o presidente Trump chegou hoje à Arábia Saudita para iniciar uma viagem de quatro dias pelo Oriente Médio, que também incluirá visitas ao Catar e aos Emirados Árabes Unidos. O foco da viagem não são as questões de segurança na região, mas sim discutir o potencial crescimento dos laços econômicos. O mercado estará atento a possíveis anúncios de acordos, inclusive com relação a um investimento expressivo anteriormente mencionado pelos sauditas. Além disso, foi informado nesta manhã que os diplomatas norte-americanos Steve Witkoff e Keith Kellogg viajarão para Istambul na quinta-feira para participar das negociações de paz entre Rússia e Ucrânia. Trump também mencionou a possibilidade de comparecer pessoalmente às negociações enquanto estiver na região, embora ainda não esteja claro se isso ocorrerá.
No mercado de grãos, há uma abundância de dados a serem digeridos após a divulgação ontem dos primeiros balanços para 2025/26 pelo USDA, além do relatório semanal de progresso das lavouras, divulgado após o fechamento. O relatório WASDE de maio veio mais altista do que o esperado (exceto para o trigo), com os estoques finais de milho e soja projetados em níveis suficientemente apertados para manter os riscos climáticos relevantes. No entanto, o lado da demanda pode estar superestimado, a menos que um acordo com a China obrigue o país a comprar dos EUA mesmo com preços superiores aos da América do Sul e de outras origens. A pressão baixista desta manhã vem do bom progresso das lavouras na primavera: os plantios de milho (62%), soja (48%) e trigo de primavera (66%) vieram todos acima das expectativas. As condições do trigo de inverno também superaram as projeções, subindo 3 pontos percentuais na semana para 54% bom/excelente, contra uma estimativa de estabilidade em 51%. Esse é agora o melhor índice nacional para essa época do ano em seis anos, pressionando o complexo do trigo, com os contratos futuros de julho em Chicago, Kansas City e Minneapolis renovando mínimas nesta manhã.
Condição da Safra– Percentual de Trigo de Inverno em Condição Boa/Excelente – 11/05/2025



