Comentários de Abertura
As ações enfrentaram uma leve pressão durante a madrugada após o rebaixamento do crédito soberano dos Estados Unidos. Ainda assim, os mercados estão, até agora, reagindo com relativa calma. O VIX está sendo negociado próximo de 20 nesta manhã como resultado do rebaixamento, enquanto o dollar index caiu ligeiramente, sendo negociado em torno de 100,2. Os títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA subiram para o maior nível em cinco semanas, próximo de 4,56%, embora tenham recuado alguns pontos desde então. Já os rendimentos dos títulos de 2 anos estão sendo negociados em torno de 4,01%. Os preços do petróleo bruto estão ligeiramente mais fracos, enquanto os mercados de grãos e oleaginosas subiram levemente durante a madrugada.
A Moody’s rebaixou a nota da dívida soberana dos EUA em um nível no fim de semana – passando de AAA, o padrão ouro, para Aa1. No entanto, a agência também afirmou que os Estados Unidos “mantêm forças excepcionais de crédito, como o tamanho, a resiliência e o dinamismo de sua economia, além do papel do dólar como moeda de reserva global”. Em essência, a Moody’s está apenas se alinhando às outras duas grandes agências de classificação de risco. A Standard and Poor’s rebaixou a dívida dos EUA em 2011, e a Fitch Ratings o fez em 2023. Ainda assim, o momento da ação da Moody’s não passou despercebido – ocorrendo enquanto o Congresso debate seu “belo e grandioso projeto de lei” para financiar o governo. A verdade é que nenhum dos partidos demonstrou coragem política para fazer o que é necessário a fim de resolver os problemas da dívida do país, que agora crescem de forma exponencial, já que os pagamentos de juros superam US$ 1 trilhão por ano. Os republicanos no Congresso esperam que o Departamento de Eficiência Governamental, liderado por Elon Musk, consiga equilibrar o orçamento, poupando-os do risco político de fazê-lo – mas o DOGE não pode fazer isso sozinho sem a ajuda do Congresso. Isso nos deixa vulneráveis a novos rebaixamentos de crédito nos próximos anos, o que poderá levar a taxas de juros ainda mais altas. O alto nível da dívida pública é uma das razões pelas quais os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos têm se mantido elevados nos últimos seis a oito meses – mesmo num período em que o Fed tem reduzido sua taxa básica.
Faz oito dias desde que foi firmado um acordo com a China para suspender a guerra tarifária entre os dois países por 90 dias. Os mercados mais amplos comemoraram o acordo, com as ações disparando. Sem dúvida, é algo positivo quando os dois lados voltam a dialogar, e parece que tanto a China quanto os Estados Unidos contam com negociadores que sabem como construir relacionamento durante o processo. Isso gera alguma esperança quanto ao futuro das negociações, mas ainda está longe de uma resolução. As diferenças entre a posição chinesa e a do governo Trump ainda são grandes. Foram necessárias 13 reuniões presenciais para chegar ao acordo da Fase Um durante o primeiro mandato de Trump. Talvez não sejam necessárias 13 desta vez, mas isso não significa que devemos esperar uma solução rápida. Podemos ter esperança, mas é preciso estar preparado para um processo prolongado. Na verdade, é exatamente isso que a mídia estatal chinesa vem fazendo – preparando seus leitores para uma negociação demorada.
O acordo firmado há oito dias reduziu as tarifas recíprocas dos EUA ao patamar básico de 10%, embora ainda mantendo um adicional de 20% relacionado ao combate ao tráfico de fentanil da China para os EUA. Assim, a China também reduziu suas tarifas retaliatórias para igualar os 10% atualmente praticados pelos Estados Unidos. Mas isso não significa que as tarifas totais da China agora sejam de apenas 10%. Elas foram simplesmente revertidas ao que estavam antes, somadas aos 10%. Dessa forma, a tarifa total sobre a soja americana importada é agora de 23%, mesma taxa aplicada ao sorgo em grão. Já a tarifa sobre carne suína e bovina dos EUA exportada à China está atualmente em 32%, embora ainda se aguarde a renovação da aprovação chinesa das plantas exportadoras de carne bovina. Para o algodão dos EUA, a tarifa é de 26%. A China mantém cotas de importação para milho e trigo. As importações de milho e trigo dentro da cota enfrentam uma tarifa de 26%. No entanto, importações acima da cota estão sujeitas a uma tarifa de 90%.
Isso se soma a diversas restrições não tarifárias impostas pela China ao longo dos anos. Em 2016, a China aplicou tarifas antidumping de 33,8% sobre grãos secos de destilaria e seus solúveis (DDGS) dos EUA, aumentando-as para entre 42,2% e 53,7% em janeiro de 2017, além de tarifas antisubsídios entre 11,2% e 12%. O total chega a quase 66% – na prática, um embargo às importações de DDGS desde 2017. A China tomou medidas semelhantes para bloquear o envio de 1,1 bilhão de galões de etanol dos EUA ao país também em 2016, coincidente com o bloqueio de 6,5 milhões de toneladas de DDGS. As tarifas mencionadas para bloquear etanol e DDGS dos EUA foram prorrogadas por mais cinco anos durante o governo Biden, há dois anos. Ainda assim, recentemente a China assinou um acordo para importar DDGS do Brasil. Agora, o Brasil tenta conquistar o mercado que a indústria americana desenvolveu há uma década.
Os grãos tiveram alta durante a madrugada, mas por ora é só isso que se pode dizer. O mais notável foi a estabilização dos preços do óleo de soja, já que o mercado começa a perceber que a estimativa de produção de diesel de biomassa de 4,65 bilhões de galões pode ser uma decepção, mas ainda é um número forte, caso realmente tenha o respaldo da EPA. Áreas secas de Nebraska receberam chuvas no fim de semana, enquanto o sudeste do Meio-Oeste segue enfrentando atrasos no plantio.



