Comentários de Abertura
Os futuros de ações registraram leves altas durante a madrugada, à medida que os traders aguardam a divulgação de dados importantes de inflação no meio da semana, animados pelas negociações comerciais previstas para hoje em Londres entre representantes da China e dos Estados Unidos. O índice de volatilidade VIX está sendo negociado próximo de 17 nesta manhã, ligeiramente acima da mínima de três meses registrada na sexta-feira, enquanto o dollar index está perto de 99,2. Os rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA giram em torno de 4,51%, enquanto os rendimentos dos títulos de 2 anos estão em torno de 4,02%. Os preços do petróleo bruto registram alta moderada, testando máximas de dois meses, enquanto o setor de grãos e oleaginosas teve desempenho misto a mais fraco durante a madrugada.
China e Estados Unidos enviaram hoje seus principais negociadores comerciais a Londres para dar continuidade à conversa telefônica de 90 minutos realizada no fim da semana passada entre os presidentes Trump e Xi. Os negociadores buscarão encontrar algum ponto de convergência, algo cada vez mais difícil, entre essas duas potências mundiais. Sempre que houve um encontro relevante entre os dois países, alguma concordância foi alcançada, e talvez isso ocorra novamente hoje. No entanto, as diferenças entre os dois lados são profundas, e é prudente não esperar que sejam resolvidas em breve. Estados Unidos e China seguem caminhos distintos, moldados por sistemas de valores radicalmente diferentes, e esses caminhos estão em rota de colisão. A economia americana é baseada no setor privado, com o governo atuando para criar um ambiente em que as empresas possam prosperar na invenção e desenvolvimento de novos produtos e tecnologias, garantindo aos cidadãos a liberdade de se expressar e perseguir seus sonhos como desejarem. Já a economia chinesa é conduzida pelo governo, que controla as empresas e muitos aspectos da vida pessoal. Um exemplo recente foi a decisão das autoridades chinesas, desapontadas com o desempenho econômico do país, de obrigar que todas as grandes empresas — públicas e privadas — incluam líderes do Partido Comunista em suas diretorias, com o objetivo de assegurar inovação e eficiência. Trata-se do oposto do que seria feito nos Estados Unidos para estimular a produtividade.
A economia e as forças armadas da China são, em parte, sustentadas pelos superávits comerciais que o país mantém com diversas regiões do mundo, que injetam receitas no desenvolvimento de ambas. Um dos maiores superávits comerciais é com os Estados Unidos, mercado que a China busca continuar acessando para manter o crescimento de sua economia. Apesar das tentativas de reduzir a dependência de commodities norte-americanas, a China ainda precisa importar matérias-primas para sustentar sua economia, algo que causa frustração ao país. A China não quer depender das commodities dos EUA — da mesma forma que os EUA dependem da China no acesso a minerais raros —, mas quer continuar acessando o vasto mercado consumidor americano, que representa uma fonte essencial de receita para o desenvolvimento de sua economia e de seu setor militar. Assim, qualquer possível acordo futuro entre os dois países provavelmente incluiria compromissos de compras de commodities agrícolas e energéticas dos EUA em troca de acesso facilitado ao mercado consumidor norte-americano. No entanto, o presidente Trump também entende que esse desejo chinês representa sua principal vantagem para conseguir concessões em áreas mais críticas, como a segurança nacional e as crescentes tensões pela disputa de influência no Indo-Pacífico — região estratégica por onde passa grande parte do comércio global.
Em 11 de maio, uma reunião entre negociadores às margens do Lago Genebra resultou em um acordo para que ambos os lados suspendessem tarifas recíprocas por 90 dias, o que impulsionou a demanda por produtos chineses por parte de varejistas dos EUA. O acordo também incluiu concessões da China para emitir licenças de exportação de minerais raros aos Estados Unidos, fundamentais para a produção de eletrônicos. A recente ligação entre Trump e Xi indicou progresso nessa área, embora a China continue monitorando rigorosamente o destino desses minerais, preocupada com seu uso potencial no desenvolvimento de equipamentos militares americanos. É provável que haja algum avanço nas exportações desses minerais, mas as questões centrais não devem ser resolvidas tão cedo. Além disso, é provável que a China veja qualquer acordo como temporário, expirando com o fim do mandato de Trump.
Os traders de commodities continuam monitorando a intensificação da guerra na região do Mar Negro, onde Rússia e Ucrânia aumentaram significativamente os ataques estratégicos. O risco de que esse conflito interfira na movimentação de alimentos e energia ainda pode estar abaixo de 50%, mas vem crescendo. O ataque ucraniano da semana passada à Ponte da Crimeia (Ponte de Kerch), que liga a Rússia à península, não conseguiu derrubar a estrutura, mas causou danos consideráveis aos pilares. A Ucrânia demonstrou sua intenção de destruir essa ponte, o que poderia bloquear o Estreito de Kerch, por onde passam cerca de 30% das exportações russas de trigo e aproximadamente 1,5 milhão de barris de petróleo por dia. Também cresce o risco de que a Rússia intensifique os ataques às instalações ucranianas de exportação de grãos. Até agora, a principal reação no mercado foi uma leve recompra para proteção, caso os riscos para as commodities se agravem.



