Comentários de Abertura
A volatilidade retornou a Wall Street durante a noite, depois que Israel realizou um enorme ataque estratégico ao Irã, que deve continuar nos próximos dias. O VIX disparou a uma máxima de três semanas, perto de 22, embora agora esteja se acomodando novamente abaixo de 20, enquanto o dollar index opera perto de 98,4, recuperando-se de sua queda a novas mínimas de três anos. Os títulos de 10 anos do Tesouro estão em em torno de 4,36% nesta manhã, enquanto os 2 anos estão em cerca de 3,92%. Os preços do petróleo bruto subiram para US$ 77,62 por barril durante a noite, com alta de 14% na sessão, embora tenham esfriado um pouco e agora sejam negociados perto de US$ 74 por barril. O setor de grãos e oleaginosas teve desempenho misto, com os preços da soja e do trigo firmes durante a noite, enquanto o milho registrou perdas modestas.
O presidente Trump pediu, nesta manhã, que o Irã aceite um acordo nuclear, depois que Israel realizou, durante a noite, um ataque em grande escala ao Irã, visando seus locais nucleares, além de altos comandantes militares e cientistas nucleares. Segundo relatos, Israel também destruiu dezenas de radares e lançadores de mísseis terra-ar no ataque. O Irã confirmou que diversos comandantes de alto escalão e seis cientistas nucleares foram mortos nos ataques, incluindo seu chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Major-General Mohammad Bagheri, e o comandante da Guarda Revolucionária, Hossein Salami. Agências de notícias sugerem que pelo menos 20 comandantes seniores no Irã morreram após os ataques, incluindo o chefe da força aeroespacial da Guarda Revolucionária. Cerca de 200 caças israelenses atingiram mais de 100 alvos no Irã. Relatos indicam que Israel conduziu o ataque ao obter inteligência de que o Irã poderia estar a poucos dias de produzir até 9, alguns dizem 12, armas nucleares. O Irã reagiu enviando uma onda de drones em direção a Israel, mas Israel já havia levantado seu alerta para permanecer no local nesta manhã, afirmando que os drones iranianos foram eliminados por seu escudo de defesa.
O mundo agora aguarda a próxima resposta, seja do Irã, de algum de seus grupos-proxy no Oriente Médio ou no exterior, e Israel também não terminou. Os preços do petróleo bruto dispararam 14% durante a noite, por receio de que isso se transforme numa batalha regional mais ampla que elimine a produção e/ou a capacidade de exportação de petróleo na região. O foco principal está no Estreito de Hormuz, entre Omã e Irã, por onde passa um quinto do consumo total de petróleo do mundo. O Irã já havia ameaçado atacar infraestruturas de petróleo em outros países vizinhos caso permitissem o uso de seu espaço aéreo por Israel para um ataque. Outro ponto de atenção seria se Israel atingisse a Ilha de Kharg, que lida com 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, mas até agora Israel permanece focado em alvos nucleares e militares, e não na infraestrutura petrolífera. Mas vale lembrar que as sanções do presidente Trump ao Irã já haviam reduzido o fluxo de petróleo para fora do país. Assim, esse ataque inicial provavelmente fez pouco para alterar a balança global de petróleo bruto até agora. Em vez disso, o mercado está incorporando um prêmio de risco pelo que possíveis golpes retaliatórios do Irã e de seus proxies podem fazer na região, e como isso poderia espalhar a guerra para outros países de forma a afetar a produção e exportação de petróleo – notadamente na Arábia Saudita. Outro desdobramento desse conflito é que o Irã se tornou um grande fornecedor de armas – especialmente drones – para a Rússia em sua guerra na Ucrânia, e isso também pode ser restringido por esse ataque.
As ofertas globais de fertilizantes também podem ser impactadas. O Irã é o terceiro maior exportador mundial de fertilizante de ureia, com 4,8 milhões de toneladas por ano, e o sétimo maior exportador de amônia anidra. Muitos outros grandes produtores de nitrogênio estão na região, alguns dos quais transportam seus fertilizantes pelo já mencionado Estreito de Hormuz. O Catar é o segundo maior produtor de ureia, com 5,2 milhões de toneladas, seguido pela Arábia Saudita em sexto lugar, com 4,2 milhões, e Omã em sétimo, com 3,9 milhões. Provavelmente não veremos o mercado se preocupar com fertilizantes tanto quanto com o petróleo, mas é um componente importante desse conflito. Israel também é um grande exportador de fertilizante potássico, ocupando o quinto lugar mundial. Isso ocorre após o recente ataque ucraniano a uma das maiores instalações de produção de fertilizantes nitrogenados da Rússia.
O sentimento geral nos mercados não diretamente impactados pela guerra, nesta manhã, é de “risk off” (avesso ao risco). A guerra comercial continua, com a administração Trump indicando que espera uma série de acordos comerciais surgindo nas próximas semanas. O presidente Trump precisa desse ímpeto, embora possa não obtê-lo antes do início de julho. A agenda atual tanto de Trump quanto do presidente chinês Xi Jinping sugere que os dois podem não se encontrar pessoalmente antes da cúpula da APEC na Coreia do Sul, em novembro, já que fontes na China indicam que Xi cederá a vez ao premier Li Qiang para pronunciar o discurso chinês na Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro. Isso sugere que as chances de termos um grande acordo para apoiar as exportações de soja dos EUA neste outono são baixas.
Espera-se que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) divulgue já nesta manhã suas Obrigações Volumétricas Renováveis para os biocombustíveis, o que pode remodelar a demanda interna por milho e soja/óleo de soja nos próximos anos – seja positivamente ou negativamente. A tendência do mercado é de que seja fortemente positiva para a demanda de soja/óleo de soja, embora eu sugira que nossa expectativa seja de que seja solidamente positiva, como já destaquei anteriormente.



