Comentários de Abertura
Wall Street continua em alerta nesta manhã após os Estados Unidos se envolverem diretamente no conflito entre Irã e Israel, embora os investidores estejam lidando relativamente bem com a situação até o momento. Os futuros das ações estão apenas modestamente mais fracos nesta manhã, enquanto o VIX está apenas modestamente mais alto, em torno de 21. O dollar index está sendo negociado próximo de 99,2. Os rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro estão sendo negociados em torno de 4,36%, enquanto os títulos de 2 anos estão em torno de 3,90%. Os preços do petróleo bruto estão sendo negociados modestamente mais altos, mas cerca de US$ 4 abaixo da máxima da sessão à medida que os temores diminuem. Os mercados de grãos e oleaginosas estão, em sua maioria, mais fracos, o que tem se tornado um tema comum nas sessões das segundas-feiras.
Os Estados Unidos realizaram um ataque estratégico de precisão a três instalações nucleares chave no Irã na noite de sábado, horário de Washington, causando extensos danos às três instalações. Provavelmente levará algumas semanas para avaliar totalmente os danos causados, mas a avaliação inicial sugere que o programa nuclear do Irã sofreu um golpe severo. Nenhum vazamento externo de radiação foi detectado até agora, de acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica. O ataque incluiu 14 bombas GBU-57 capazes de destruir bunkers, cada uma pesando 30.000 libras, direcionadas às duas instalações subterrâneas, juntamente com mais de duas dúzias de mísseis Tomahawk para finalizar a operação. Os Estados Unidos realizaram o ataque surpresa sem que um único tiro conhecido fosse disparado, ou sem que uma única aeronave militar iraniana decolasse. O presidente Trump fez uma breve declaração à nação relatando o ataque na noite de sábado, seguida de uma coletiva de imprensa mais detalhada conduzida pelo secretário de Defesa Pete Hegseth e pelo general Dan Caine, do Estado-Maior Conjunto, na manhã de domingo.
O presidente Trump alertou o Irã contra retaliações a cidadãos ou interesses dos EUA. O Irã prometeu retaliar e chegou a lançar mais mísseis contra Israel – mas, por ora, há esperança de que a resposta iraniana seja moderada para não provocar uma resposta ainda maior por parte dos Estados Unidos contra os interesses petrolíferos do país. O presidente Trump deixou claro que a questão não é com o povo iraniano, mas com o programa nuclear do Irã. O regime iraniano provavelmente sente que precisa responder para não perder prestígio junto a seus seguidores, mas a esperança é que o faça de maneira que não agrave ainda mais a situação. Vamos ser claros – o ataque dos EUA ao Irã foi uma operação de alto risco. Ela pode resultar em uma paz duradoura na região nos próximos meses ou anos, ou pode escalonar dramaticamente o conflito e transformá-lo em um problema regional ou até global. O regime iraniano tem fortes vínculos com a Rússia e a China. O ataque dos EUA ao Irã remove a alavanca de poder de um possível ataque nuclear que o país mantinha sobre boa parte do mundo.
O parlamento iraniano teria decidido fechar o Estreito de Ormuz – aquela passagem estreita entre o Irã e Omã por onde trafegam cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia –, mas essa decisão cabe aos líderes supremos. O Irã já fez ameaças semelhantes nas últimas quatro décadas, mas nunca conseguiu fechar completamente o Estreito. Parte desse petróleo poderia ser transportada por dois oleodutos até outros pontos de descarregamento com capacidade combinada de 6,5 milhões de barris por dia, embora cerca de 1 milhão dessa capacidade já esteja em uso. Ainda assim, os Estados Unidos possuem ativos militares suficientes na região e provavelmente interviriam rapidamente para proteger os petroleiros que atravessam o Estreito. O petróleo é a energia que movimenta a economia iraniana, por isso o país tem transferido discretamente petróleo para armazenamento flutuante – petroleiros posicionados no Oceano Índico – que podem continuar a ser vendidos no mercado à vista global para financiar suas operações. A China é a maior compradora de petróleo iraniano, embora suas compras tenham diminuído recentemente à medida que o presidente Trump intensificou a aplicação das sanções contra o petróleo do Irã. Israel e/ou os Estados Unidos poderiam, com relativa facilidade, destruir os ativos energéticos do Irã, como fizeram com suas capacidades nucleares. Ambos preferem evitar isso, pois esperam que um dia o povo iraniano possa ser governado por um regime pacífico, como antes de 1979, e não desejam que a região mergulhe na pobreza. Mas essa é uma ameaça que ambos utilizam para pressionar o Irã a voltar à mesa de negociações.
O fornecimento global de fertilizantes atualmente recebe pouca atenção, mas deveria. O suprimento global de nitrogênio está ficando mais escasso devido a desafios geopolíticos. A Ucrânia atingiu uma das maiores fábricas de fertilizantes nitrogenados da Rússia no início deste mês, tirando-a de operação por um período ainda indefinido. O Irã é o terceiro maior exportador mundial de fertilizante de ureia nitrogenada, com 4,5 milhões de toneladas. Grande parte dessa produção foi interrompida após Israel atacar o campo de gás natural South Pars – utilizado na fabricação do fertilizante – nas fases iniciais desta guerra. O Catar, do outro lado do Golfo Pérsico, é o segundo maior exportador mundial de ureia, com 5,2 milhões de toneladas. Sua produção não foi impactada até o momento, mas sua capacidade de exportar estaria comprometida caso o Estreito de Ormuz fosse fechado. O Egito é o terceiro maior exportador de ureia, com 4,3 milhões de toneladas. Sua produção foi interrompida quando Israel fechou preventivamente seus campos de gás que forneciam matéria-prima às instalações de fertilizantes egípcias. Omã e Arábia Saudita ocupam as posições cinco e seis, e sua produção também está sob risco – especialmente no caso de Omã. Os suprimentos mais ameaçados no momento são os destinados à próxima safra do Hemisfério Sul, incluindo o mercado brasileiro, que é de importância crítica.



