Comentários de Abertura
Os futuros de ações ficaram mistos a levemente mais firmes durante a madrugada, em um pregão tranquilo, à medida que as esperanças de que a paz se mantenha no Oriente Médio começaram a criar raízes. Os traders estarão atentos ao segundo dia de depoimento do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, no Congresso hoje, embora seus comentários até o momento sugiram que o banco central está bastante confortável em manter a política monetária como está. O índice VIX está sendo negociado próximo a 17 pontos nesta manhã, seu menor nível desde antes da guerra de 12 dias, enquanto o dollar index está pouco acima das mínimas de três anos, por volta de 98,2. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos estão sendo negociados em torno de 4,32%, enquanto os de 2 anos estão em cerca de 3,81%. Os preços do petróleo bruto estão modestamente mais altos nesta manhã, com uma recuperação após fortes quedas nas duas sessões anteriores, enquanto o setor de grãos e oleaginosas mostra novamente uma tendência de fraqueza.
O foco mundial volta-se para o norte, para o conflito no Mar Negro, com a aparente conclusão da guerra de 12 dias entre Irã e Israel. A OTAN iniciou suas reuniões hoje, com atenção clara à agressão russa, já que a guerra na Ucrânia continua. Assim, os membros reiteraram seu compromisso de proteger uns aos outros contra agressões externas, além de aumentarem sua contribuição financeira. O financiamento da OTAN foi uma questão central durante o mandato de Trump 1.0, quando os EUA eram o único membro da aliança a cumprir o compromisso de destinar 2% do PIB à defesa. Isso foi antes do ataque russo à Ucrânia, há três anos. Nesta semana, os membros da OTAN votaram para elevar esse compromisso para 5% do PIB, embora com nova metodologia. Os países agora se comprometeram a gastar 3,5% do PIB com tropas, armamentos e outras necessidades centrais de defesa, e mais 1,5% com medidas relacionadas, como segurança cibernética, proteção de oleodutos, adaptação de infraestrutura para equipamentos militares pesados, entre outros.
O presidente russo Vladimir Putin acreditava que a Ucrânia cairia em poucos dias quando iniciou a invasão, em fevereiro de 2022 – no máximo duas semanas. Mas ainda está atolado nessa guerra. A economia russa depende do comércio com Europa e Estados Unidos, e Putin achava que ressentimentos seriam esquecidos rapidamente se a queda da Ucrânia fosse rápida. Mas isso não aconteceu. Em vez disso, a longa guerra reabriu feridas antigas na Europa e gerou um grande desinteresse em fazer negócios com a Rússia. A Europa, especialmente, está aprendendo a viver sem esse comércio, empurrando a economia russa para uma recessão significativa. Parte do motivo da movimentação de Putin contra a Ucrânia está na história russa: o país foi invadido mais de 50 vezes ao longo dos séculos – muitas vezes vindas do Ocidente. Seus períodos de maior segurança vieram quando suas fronteiras alcançavam as montanhas europeias, algo que Putin tentou repetir com a ofensiva sobre a Ucrânia. Mas sua falha em conquistar rapidamente o território levou a uma nova percepção dos riscos por parte da Europa, que reforçou sua resistência à Rússia e aumentou drasticamente os gastos com defesa. Enquanto isso, a guerra de 12 dias no Oriente Médio enfraqueceu significativamente um dos aliados de Putin, responsável por fornecer drones e armamento militar.
A cúpula anual do BRICS está marcada para a próxima semana no Rio de Janeiro, Brasil, mas o presidente chinês Xi Jinping não comparecerá. Em seu lugar, enviará o premiê Li Qiang. Isso levanta dúvidas sobre a perda de eficácia do BRICS em sustentar sua agenda anti-Ocidente. Tudo começou quando a cúpula do BRICS em Moscou, no ano passado, não apoiou a proposta de Xi de criar um cronograma para um sistema de pagamentos que substituísse o SWIFT. Depois, uma reunião de chanceleres do BRICS no Brasil, no início deste ano, também não conseguiu aprovar uma declaração contra o Ocidente proposta por Xi. Isso sugere que o bloco está tendo dificuldades em se unir em torno de seus objetivos, e o presidente chinês quer evitar um novo constrangimento ao comparecer pessoalmente.
E se essa for a estratégia de Trump? O índice S&P 500 está sendo negociado a menos de 1% de sua máxima histórica, com o Nasdaq logo atrás, apesar da falta de progresso na resolução da guerra tarifária. Os mercados, e a economia, estão aprendendo a conviver com o status quo. O maior obstáculo hoje é a incerteza sobre como e quando isso acabará. Isso também impacta o consumidor, que hesita em investir no futuro. E se o presidente Trump estender a pausa atual nas tarifas recíprocas – mantendo-as em 10% de forma geral – por um ano inteiro, enquanto negocia novos acordos comerciais? Não se trata de ser a favor ou contra, mas de imaginar: e se? O impacto esperado seria a substituição da incerteza que freia empresas e consumidores por um senso de estabilidade. Especialmente se o projeto de lei tributária for aprovado, trazendo incentivos à expansão dos negócios. Essa combinação poderia levar a um surto de crescimento econômico e aumento de receitas sem inflacionar demasiadamente, sobretudo se os preços de energia continuarem baixos. As próximas duas semanas devem revelar bastante sobre qual é, de fato, a estratégia de Trump.



