Conflito no Oriente Médio Conforme mencionado, o conflito no Oriente Médio voltou a chamar atenção do mercado de petróleo, influenciando a alta das últimas sessões. O aumento de tensões começou pelo início da ofensiva israelense contra o Hezbollah, no primeiro momento realizando ataques focalizados nos membros do grupo armado, mas, posteriormente, realizando ações pelo sul do Líbano, e até mesmo sobre a capital Beirute. No final de semana, Israel também bombardeou o Iêmen, atingindo parte da infraestrutura portuária do país que era controlada pelos Houthis. Tratando-se de grupos financiados e apoiados pelo Irã, o país respondeu ontem ao lançar quase 200 mísseis contra Israel, ação que fora previamente divulgada pela inteligência dos Estados Unidos e que causou danos limitados conforme Tel-Aviv conseguiu interceptar o ataque.
Mesmo com danos menores, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu que o país irá retaliar o ocorrido e que o Irã deverá “pagar pelo erro que cometeu”. A preocupação inicial é de que Israel procure atacar a infraestrutura energética iraniana, essencialmente o segmento petrolífero. O Irã é um grande produtor global da commodity, ofertando mais de 3 mbpd. Outro risco que chama atenção é de que Tehran poderia impedir a navegação pelo estreito de Ormuz, pelo qual se escoa quase 30% da produção global da commodity, aproveitando-se da sua posição estratégica na região. Caso um desses cenários ocorra, poderá se ter grandes impactos sobre a disponibilidade global de petróleo, o que ofereceria fôlego ainda maior para as cotações do óleo bruto.
Produção brasileira de derivados No Brasil, a ANP atualizou os dados de produção de derivados em agosto, indicando uma leve recuperação da oferta doméstica de diesel. No mês, estima-se que a produção ficou em 4,1 milhões m³, sendo o melhor resultado da série em 2024. Entretanto, o volume é quase 3% menor quando comparado com o número de ago/23, e, por conta disso, contribuiu para diminuir o crescimento anual da produção para 2,2% no comparativo com 2023 (acumulado entre janeiro e agosto). A produção registrada em 2023 foi a maior em quase oito anos, sendo uma base de comparação elevada para os resultados dos últimos períodos. Assim, considerando o resultado dos últimos meses, espera-se que a produção apresente alta frente 2022, podendo ficar estável no comparativo com 2023.
Para a gasolina, a ANP registrou uma leve queda tanto no comparativo com ago/23 como em julho/24, com a produção brasileira em 2,5 milhões m³, volume 1% menor do que aquele registrado em 2023. Entretanto, mesmo com esse resultado mais fraco em agosto, a produção acumulada no ano está em 19,5 milhões m³, volume 9,5% acima no comparativo com 2023. Trata-se de um forte avanço quando comparado com demais períodos da série, o que leva a deduzir que, mesmo com uma possível desaceleração nos próximos meses, a produção nacional deve superar o número do ano passado, podendo se aproximar do recorde de 2014.
TABELA DE COTAÇÕES - FECHAMENTO DO DIA ANTERIOR

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.