Temores sobre ataque no Irã O principal fator que marcou o mercado ontem foi a especulação sobre a represália israelense contra o Irã, com temores de que envolva ataques sobre a infraestrutura energética do país – afetando a produção e exportações de petróleo. Esses rumores iniciaram no começo da semana, após Tehran lançar uma série de mísseis contra o território de Israel, mas ganharam força após o presidente americano, Joe Biden, ser questionado se o país apoiaria ataques contra a infraestrutura de petróleo iraniana em uma coletiva ontem (03), afirmando que os Estados Unidos e Tel-Aviv estavam “discutindo essa possibilidade”. Além de uma possível ofensiva visando essas unidades de processamento e produção de petróleo, também há a possibilidade de endurecimento das sanções americanas como resposta ao ataque realizado contra Israel. Estima-se que um novo pacote de restrições poderia atingir até 800 kbpd das exportações iranianas, tendo um impacto elevado mesmo considerando que parte do comercio do país é com empresas chinesas, as quais não estão integradas ao sistema financeiro americano.
O Irã, por sua vez, é um dos maiores produtores de petróleo no Oriente Médio, com o indicador operando acima de 3 mbpd atualmente – tendo espaço para aumentar dado que ainda não atingiu os níveis pré sanções americanas em 2018. Além disso, o parque de refino iraniano também é bastante expressivo, com capacidade de processamento de 2,4 mbpd em 2023 – concentrado em 10 refinarias principais pelo país. Além da ameaça sobre a capacidade de produção do Irã, outro risco é de que o país – como um dos movimentos de represália – limite a navegação pelo estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico com o Golfo de Omã, caminho fundamental para o comércio de petróleo no mundo dado que é rota de escoamento do petróleo ofertado pelo próprio país, mas também pela Arábia Saudita e Emirados Árabes, por exemplo. Assim, o escalonamento de tensões na guerra no Oriente Médio pode representar uma ameaça real para a oferta de petróleo pela primeira vez desde o início do conflito, dado que apesar das hostilidades terem iniciado há quase um ano, ainda não teve impactos sobre a produção de petróleo na região.
Produção mensal iraniana - mbpd

Fonte: OPEP. Elaboração: StoneX.
Retomada das exportações da Líbia Após um mês de conflito envolvendo facções políticas na Líbia, as partes envolvidas conseguiram entrar em acordo, levando o grupo que controla a maior parte dos poços de petróleo do país a liberar a retomada das operações. Estima-se que a produção do país recuou 750 kbpd no período, com as exportações de petróleo também sendo afetadas pelas restrições impostas pelo grupo que controla o leste da Líbia. Com a aprovação do novo presidente do Banco Central do país, espera-se uma rápida retomada da oferta da Líbia, normalizando os fluxos de exportações, especialmente para a Europa. Entretanto, apesar do ocorrido significar um alívio para a oferta global da commodity, teve pouca influência sobre as cotações na quinta-feira (03), com os fundamentos no Oriente Médio chamando mais atenção do mercado.
Gás Natural
- Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em alta, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 2,97/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma alta de 5,03% na sessão passado, alcançando USD 9,23678/MMBTU.
- No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com alta de 4,23%, alcançando USD 3,008 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em alta de 1,55%, próximos a USD 9,380 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

Fonte: NYMEX, ICE, S&P, StoneX.