OPEP deve aumentar produção em abril Os preços recuam com o anúncio da OPEP de que o grupo não irá postergar o fim dos cortes voluntários novamente, o que levará a um aumento da oferta de petróleo ainda em abril. Isso implica que o grupo seguirá com o plano inicial, levando a um aumento produtivo de 130 kbpd no próximo mês, com a cota voluntária de 2.200 kbpd sendo dissolvida aos poucos até o final de 2026. Trata-se do primeiro aumento produtivo anunciado pelo grupo – em termos de flexibilização das cotas – desde 2022.
Produção dos países participantes dos cortes voluntários (kbpd)

Fonte: OPEP. Elaboração: StoneX.
Apesar de esse ser o plano determinado em dezembro, investidores consideravam que o cartel seguiria com o movimento de postergar o aumento produtivo. Além disso, o plano também inclui um aumento gradual da cota do Emirados Árabes Unidos em quase 300 kbpd. Vale destacar também que essa decisão vem após falas de Donald Trump e da Casa Branca que pressionavam a OPEP+ em aumentar a produção de petróleo – podendo sinalizar uma mudança da prioridade do grupo em prol da política e de melhores ferramentas para negociar com os EUA em detrimento de manter preços mais elevados. De qualquer maneira, o aumento da oferta da OPEP ao longo de 2025 deve contribuir para um superávit do balanço ao longo do ano, considerando que outros players também devem registrar uma alta da produção no período, como os próprios Estados Unidos, Guiana e Canadá.
Implementação de tarifas americanas A Casa Branca confirmou que os Estados Unidos irão impor tarifas de importação sobre o Canadá e México a partir de 4 de março (essa terça-feira), atingindo também o petróleo. Além disso, determinou uma tarifa adicional de 10% sobre produtos chines além daquela estabelecida em fevereiro.
Mantendo as especificações de fevereiro, as tarifas sobre o óleo bruto canadense serão de 10%, enquanto do México se situará em 25%. A expectativa é de que esse movimento encareça as operações de refinarias do Meio-Oeste americano, que depende do fornecimento de petróleo do país vizinho, mesmo que o Canadá absorva a maior parte dos custos das tarifas pelas dificuldades de escoamento da commodity para outros potenciais compradores.
No primeiro momento, o destaque é para os preços da gasolina, dado que a medida deve afetar os preços do combustível especialmente no início da “driving season” considerando que o petróleo compõe metade da precificação do derivado. Em fevereiro, a inteligência de mercado estruturou um material que discute os impactos dessas tarifas sobre o mercado de petróleo, para ler o material basta acessar o link.
China revida com tarifas contra EUA Como retaliação às medidas americanas, Pequim anunciou uma série de tarifas contra commodities agrícolas dos EUA que devem iniciar em março. Alguns produtos incluem tarifas adicionais de 15% sobre frango, trigo, milho e algodão, além de 10% sobre soja, carne suína, frutas, vegetais e produtos lácteos. A nova medida não impacta diretamente o mercado energético – lembrando que a China já havia imposto tarifas adicionais sobre petróleo, GNL e carvão americano em fevereiro -, mas atinge setores importantes de exportação do agronegócio americano e pode alimentar novas medidas retaliatórias dos EUA.
Em geral, esse aumento de tarifas entre os principais players do comércio internacional pode apoiar uma desaceleração da economia dos países e, consequentemente, a demanda por petróleo e derivados – especialmente diesel. Vale destacar que, em primeiro momento, as medidas contribuem para uma aversão geral ao risco, o que leva a uma fuga para ativos mais seguros em detrimento de outros, como o próprio petróleo.
Gás Natural
- Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em alta, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 4,122/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma baixa de -2,13% na sessão passado, alcançando USD 8,52278/MMBTU.
- No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com baixa de -0,34%, alcançando USD 4,108 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em baixa de -1,70%, próximos a USD 8,378 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

Fonte: NYMEX, ICE, S&P, StoneX.