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Diário de Petróleo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Tensões geopolíticas apoiam cotações do petróleo
 
Bruno Cordeiro
Isabela Garcia

Na última semana, as cotações de futuros do Brent encerraram o período em alta, de 2,24%, sendo negociados na sexta-feira (21) a USD 72,16 bbl. Os contratos do WTI seguiram trajetória semelhante, avançando 1,64% na semana, cotados a USD 68,28 bbl.

Os contratos estenderam a tendência de recuperação da semana anterior, conforme investidores precificavam o aumento de tensões no Oriente Médio e no Leste Europeu. Após o avanço das conversas de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia, a intensificação de ataques entre os países reverteu a expectativa de abrandamento do conflito e, consequentemente, das sanções sobre a Rússia. Além disso, o aumento de pressões dos EUA sobre o Irã após uma refinaria independente chinesa ser atingida por sanções, também apoiou as cotações.   

Hoje pela manhã (24), o contrato do Brent para vencimento em maio/25 é negociado em torno de USD 72,6 bbl (+1,3%) até as 09h10. Investidores reagem ao aumento de tensões no Oriente Médio com novos ataques de Israel sobre Gaza, mas mercado também acompanha discussões sobre tarifas recíprocas dos Estados Unidos, as quais entrariam em vigor no dia 02 de abril.


Vendas de fevereiro – Brasil No Brasil, as vendas de diesel B seguiram aquecidas em fevereiro, totalizando 5,2 milhões de m³ – alta de 3% frente ao observado no mesmo período do ano passado. O forte crescimento das vendas do combustível nos primeiros meses do ano reflete principalmente o avanço da colheita de soja no país, ampliando o volume de fretes no setor agropecuário para escoamento do produto no mercado doméstico e aos terminais de exportação. Vale destacar que, de acordo com o índice ABCR, o fluxo de veículos pesados nas principais rotas pedagiadas do Brasil cresceu 3,4% no comparativo sazonal, evidenciando essa tendência. No acumulado anual, a demanda por diesel B alcançou 10,54 milhões de m³, marcando ampliação de 3,76% em relação ao mesmo período de 2024.

As vendas de gasolina, por sua vez, também apresentaram alta em fevereiro em 2,16%, atingindo 3,3 milhões m³. O movimento parece refletir a perda de competitividade do etanol hidratado, tornando a gasolina C mais atrativa para o consumidor final. Com isso, as vendas do biocombustível recuaram 6,57% frente o mesmo período em 2024, de acordo com os dados parciais da ANP. A demanda por Ciclo Otto, por sua vez, tem se mantido estável frente o ano anterior, com o encarecimento dos preços – tanto da gasolina quanto etanol - podendo contribuir para limitar o crescimento do consumo de combustíveis leves.

Desaceleração da demanda global por petróleo Em relatório divulgado nessa segunda-feira (24), a Agência Internacional de Energia (IEA) estima que a participação do petróleo na matriz energética global recuou para 30% em 2024, refletindo a desaceleração do crescimento. De acordo com a agência, o consumo de óleo bruto avançou apenas 0,8% no ano anterior (+830 kbpd), com o fim do efeito de recuperação pós pandemia, crescimento menor do setor industrial e avanço da eletrificação. Um destaque é a conclusão de que o setor petroquímico e de aviação respondeu por quase metade do crescimento do consumo de petróleo, com a demanda por transporte rodoviário desacelerando nos últimos anos. Em 2024, a demanda por petróleo se situava 1,3% acima dos níveis de 2019, mas com a maior parte desse crescimento sendo reflexo do setor petroquímico.

O principal driver dessa desaceleração é a China, mas as economias avançadas também vêm apresentando uma estabilidade do consumo (-0,1% a.a.), com este não voltando atingir os níveis pré-pandemia de Covid-19. Nesses casos, o crescimento das frotas elétricas e desaceleração da economia contribuem para limitar o consumo de petróleo, com o teletrabalho também influenciando esse movimento (especialmente em economias avançadas). Todavia, vale destacar que outras regiões seguem registrando aumento do consumo de petróleo, com economias emergentes asiáticas e seu crescimento econômico mais expressivo dinamizando o mercado. 

Para 2025, a IEA estima um crescimento de 1 mbpd da demanda global de petróleo, maior que o nível do ano anterior. Entretanto, as tendências apresentadas em 2024 devem se estender nos próximos anos, com mais economias diversificando sua matriz energética e avançando com a eletrificação, e o crescimento do consumo de petróleo sendo mais impulsionado pela indústria petroquímica e países emergentes no Leste Asiático e Oriente Médio. 

Gás Natural
  • Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em alta, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 3,98/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma alta de 0,22% na sessão passado, alcançando USD 8,58704/MMBTU.
  • No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com baixa de -1,36%, alcançando USD 3,926 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em alta de 0,61%, próximos a USD 8,639 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

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Fonte: NYMEX, ICE, S&P, StoneX.

  • Energia

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