DOE registra alta dos estoques Na última semana, os estoques de petróleo dos Estados Unidos registraram alta de 7 milhões de barris, volume que converge com o reporte do API. Essa alta ocorre mesmo com a queda das importações no período, refletindo um leve recuo da demanda pelas refinarias (-0,2% FUT). Para os derivados, foi registrado quedas tanto para a gasolina quanto o diesel. Para a gasolina, essa queda refletiu tanto a maior demanda interna – em meio o feriado de 4 de julho - e exportações, quanto o recuo da produção no período. Os estoques de diesel, por sua vez, alcançam novas mínimas, com exportações elevadas e um consumo acima da média pressionando o indicador. Em geral, o último relatório do DOE pode ser considerado baixista, contribuindo para evitar a recuperação dos contratos na última sessão e limitando a alta no dia.
Impactos tarifas americanas Com o aumento de tensões entre Donald Trump e países membros do BRICS, o presidente americano anunciou tarifas de 50% sobre produtos do Brasil, ameaçando novos aumentos caso houvesse retaliação por Brasília. A medida surpreendeu, e pode ter impactos importantes sobre o mercado de petróleo brasileiro conforme até o momento não se tem esclarecimentos sobre produtos isentos pelas novas tarifas.
Os Estados Unidos representam 11,3% das exportações de óleo bruto do país, uma média de 38 milhões de barris no primeiro semestre de 2025, de acordo com dados do MDIC. Vale destacar que esse volume é menor do que a média registrada no primeiro semestre do ano passado (49 milhões de barris), conforme o Brasil ampliou exportações para o mercado asiático, especialmente a China, principal comprador de petróleo brasileiro (46%).
O Brasil, por sua vez, não se configura entre os principais fornecedores de petróleo para os Estados Unidos. De acordo com a EIA, o Brasil representou menos de 3% das importações americanas em 2025, com o país reduzindo sua participação frente o ano anterior. Em geral, os Estados Unidos dependem mais de países como Canadá (65%), México (7%) e Arábia Saudita (4%), além de registrar importações de petróleo de outros países da América Latina, como Venezuela e Guiana. Dessa maneira, caso o petróleo brasileiro não esteja isento dessas novas tarifas, é provável que os importadores americanos procurem novos fornecedores.
A depender da sustentação da política, o Brasil deve registrar uma mudança do perfil dos compradores de petróleo, com uma possível maior participação de países asiáticos em detrimento dos Estados Unidos em meio a perda de competitividade do petróleo brasileiro. Ademais impactos de curto prazo podem envolver um recuo das exportações de petróleo enquanto essas alterações se concretizam.
Considerando os derivados de petróleo, o Brasil é dependente de importações dos Estados Unidos, representando 24% do volume internalizado de diesel no primeiro semestre de 2025 (5.040 mil m³), enquanto de gasolina essa participação esteve em 34% (410 mil m³). Dessa maneira, caso se tenha alguma retaliação por Brasília e combustíveis não estejam isentos, o país poderá se voltar para novos fornecedores, ampliando importações de produtos russos – que já é o principal exportador para o Brasil - e de países da Europa e Oriente Médio, com riscos de preços de importação mais elevados.
Gás Natural
- Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em baixa, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 3,34/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma alta de 0,82% na sessão passado, alcançando USD 8,34785/MMBTU.
- No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com baixa de -2,04%, alcançando USD 3,272 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em alta de 0,20%, próximos a USD 8,365 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

Fonte: NYMEX, ICE, S&P, StoneX.