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Diário de Petróleo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Incertezas com política tarifária de Trump pressionam petróleo
 
Bruno Cordeiro
Isabela Garcia

Ontem, dia 9, o contrato mais ativo do Brent registrou alta de 0,07%, posicionando-se em USD 70,19 bbl. Os futuros do WTI, por sua vez, acompanharam o movimento, alcançando USD 68,38 bbl (+0,07%).

O petróleo encontrava apoio com as tensões no Oriente Médio, com as ofensivas dos Houthis elevando os riscos de navegação pelo Mar Vermelho, além de perspectivas de crescimento do consumo global. Todavia, essa alta foi quase totalmente revertida ao final da sessão, conforme o relatório DOE indicou uma recuperação das reservas de petróleo nos Estados Unidos em 7 milhões de barris, refletindo recuo da demanda pelas refinarias. 

Hoje pela manhã (10), o contrato do Brent para vencimento em setembro de 2025 é negociado em torno de USD 69,8 bbl (-0,5%) até as 08h30. O pessimismo com a economia global em meio ameaças tarifárias de Donald Trump voltaram a pressionar os contratos do petróleo, especialmente pelas possíveis taxas sobre cobre, produtos farmacêuticos e semicondutores, além da medida contra exportações brasileiras. 


DOE registra alta dos estoques Na última semana, os estoques de petróleo dos Estados Unidos registraram alta de 7 milhões de barris, volume que converge com o reporte do API. Essa alta ocorre mesmo com a queda das importações no período, refletindo um leve recuo da demanda pelas refinarias (-0,2% FUT). Para os derivados, foi registrado quedas tanto para a gasolina quanto o diesel. Para a gasolina, essa queda refletiu tanto a maior demanda interna – em meio o feriado de 4 de julho - e exportações, quanto o recuo da produção no período. Os estoques de diesel, por sua vez, alcançam novas mínimas, com exportações elevadas e um consumo acima da média pressionando o indicador. Em geral, o último relatório do DOE pode ser considerado baixista, contribuindo para evitar a recuperação dos contratos na última sessão e limitando a alta no dia. 

Impactos tarifas americanas Com o aumento de tensões entre Donald Trump e países membros do BRICS, o presidente americano anunciou tarifas de 50% sobre produtos do Brasil, ameaçando novos aumentos caso houvesse retaliação por Brasília. A medida surpreendeu, e pode ter impactos importantes sobre o mercado de petróleo brasileiro conforme até o momento não se tem esclarecimentos sobre produtos isentos pelas novas tarifas.

Os Estados Unidos representam 11,3% das exportações de óleo bruto do país, uma média de 38 milhões de barris no primeiro semestre de 2025, de acordo com dados do MDIC. Vale destacar que esse volume é menor do que a média registrada no primeiro semestre do ano passado (49 milhões de barris), conforme o Brasil ampliou exportações para o mercado asiático, especialmente a China, principal comprador de petróleo brasileiro (46%).

O Brasil, por sua vez, não se configura entre os principais fornecedores de petróleo para os Estados Unidos. De acordo com a EIA, o Brasil representou menos de 3% das importações americanas em 2025, com o país reduzindo sua participação frente o ano anterior. Em geral, os Estados Unidos dependem mais de países como Canadá (65%), México (7%) e Arábia Saudita (4%), além de registrar importações de petróleo de outros países da América Latina, como Venezuela e Guiana. Dessa maneira, caso o petróleo brasileiro não esteja isento dessas novas tarifas, é provável que os importadores americanos procurem novos fornecedores.

A depender da sustentação da política, o Brasil deve registrar uma mudança do perfil dos compradores de petróleo, com uma possível maior participação de países asiáticos em detrimento dos Estados Unidos em meio a perda de competitividade do petróleo brasileiro. Ademais impactos de curto prazo podem envolver um recuo das exportações de petróleo enquanto essas alterações se concretizam. 

Considerando os derivados de petróleo, o Brasil é dependente de importações dos Estados Unidos, representando 24% do volume internalizado de diesel no primeiro semestre de 2025 (5.040 mil m³), enquanto de gasolina essa participação esteve em 34% (410 mil m³). Dessa maneira, caso se tenha alguma retaliação por Brasília e combustíveis não estejam isentos, o país poderá se voltar para novos fornecedores, ampliando importações de produtos russos – que já é o principal exportador para o Brasil - e de países da Europa e Oriente Médio, com riscos de preços de importação mais elevados.

Gás Natural
  • Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em baixa, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 3,34/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma alta de 0,82% na sessão passado, alcançando USD 8,34785/MMBTU.
  • No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com baixa de -2,04%, alcançando USD 3,272 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em alta de 0,20%, próximos a USD 8,365 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

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Fonte: NYMEX, ICE, S&P, StoneX.

  • Energia

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