
Riscos macroeconômicos seguem pressionando petróleo
Ontem, dia 04, o contrato mais ativo do Brent registrou queda de 1,3%, posicionando-se em USD 68,76 bbl. Os futuros do WTI, por sua vez, acompanharam o movimento, alcançando USD 66,29 bbl (-1,54%).
O principal fator de pressão às cotações se deu na decisão da OPEP+ de eliminar por completo os cortes voluntários do grupo, aumentando as expectativas de um balanço global menos apertado ao longo dos próximos meses. Paralelo a isso, a frustração do mercado com os dados do payroll nos EUA seguiu pesando negativamente sobre os preços da commodity.
Hoje pela manhã (05), o contrato do Brent para vencimento em outubro de 2025 é negociado em torno de USD 68,23 bbl (-0,77%) até as 09h00. Os preços seguem influenciados pelos riscos macroeconômicos, com os investidores mostrando um maior receio acerca das ameaças do governo norte-americano sobre a imposição de novas tarifas para compradores de produtos russos.
Trump volta a ameaçar Índia sobre compras de produtos russos
Ontem, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ameaçar a elevação das tarifas sobre produtos indianos caso Nova Délhi continuasse permitindo as compras de produtos russos, principalmente petróleo e armamentos.
A escalada das tensões comerciais entre Índia e EUA ocorre em meio à campanha norte-americana de pressionar Moscou a negociar um cessar-fogo com Kiev, com o governo norte-americano considerando também a imposição de taxações retaliatórias aos países que negociam produtos com a Rússia. Tal movimentação pelo presidente norte-americano auxiliou na manutenção dos temores pelos investidores de que a situação possa influenciar refinarias indianas a buscarem outros fornecedores no mercado – fator que acarretaria um encarecimento dos custos logísticos e, por consequência, da originação das commodity.
Vale destacar que, ao longo do primeiro semestre desse ano, a Índia foi a principal compradora de petróleo russo, internalizando cerca de 1,75 mbpd, com o crescimento da participação da Rússia sendo reflexo de uma maior atratividade financeira e do redirecionamento de alguns fornecedores para a União Europeia desde o início dos conflitos no Leste Europeu.
Lineup de diesel no Brasil
De acordo com os dados de lineup da StoneX, até o momento, cerca de 534 mil m³ de diesel estão programados para desembarcar no Brasil em agosto. Dentre as cargas planejadas, 44% são de origem indiana, 42% russa e 13% da Arábia Saudita. Paralelo a isso, cerca de 44% do volume deve desembarcar em Itaqui, com outras cargas tendo como destino Paranaguá (13%), Maceió (8%), Manaus (8%) e Santos (8%).
Vale destacar que, ao longo das próximas semanas, o indicador deve mostrar novas cargas rastreadas para o período, conforme as aquisições são registradas. É importante lembrar que os cálculos da StoneX ainda mostram uma janela fechada para importação do combustível – apesar de um recuo do diferencial de preços entre o produto importado e comercializado pela Petrobras nos últimos dias, com a queda das cotações no mercado internacional contribuindo para essa movimentação. Paralelo a isso, a entrada do B15 pode ser um desincentivo a aquisições do derivado fóssil ao longo dos próximos meses, a depender, é claro, do balanço do combustível no mercado doméstico.
- Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em baixa, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 2,932/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma baixa de -1,31% na sessão passado, alcançando USD 8,18244/MMBTU.
- No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com alta de 1,84%, alcançando USD 2,986 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em baixa de -0,95%, próximos a USD 8,105 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

Fonte: NYMEX, ICE. Elaboração: StoneX.