Ontem, dia 10, o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, posicionando-se em USD 67,49 bbl (+1,66%). Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 63,67 bbl (+1,66%).
Os preços do petróleo seguiram em alta pela terceira sessão consecutiva, respondendo ao aumento expressivo dos prêmios de risco de oferta no Oriente Médio e no Leste Europeu. Em relação a este último, a extensão das tensões entre Rússia e um membro da OTAN gerou fortes receios em relação à uma escalada significativa dos conflitos na região.
Hoje pela manhã (11), o contrato do Brent para vencimento em novembro de 2025 é negociado em torno de USD 66,9 bbl (-0,95%) até as 09h00. Os futuros do petróleo voltam a recuar, com o avanço dos estoques nos EUA e a divulgação do relatório da IEA apontando para um aumento além do esperado para as reservas globais nos próximos meses influenciando negativamente as cotações da commodity.
Prêmios de risco de oferta avançam no Oriente Médio e Leste Europeu
Nos últimos dias, o mercado vem observando um aumento significativo dos prêmios de risco de oferta em importantes regiões produtoras de petróleo.
No Oriente Médio, autoridades de Israel confirmaram que continuarão promovendo novos ataques em cidades do Catar caso seja confirmado que os integrantes do Hamas sobreviveram às ofensivas promovidas em alguns edifícios na cidade de Doha. Vale destacar que, logo após os ataques em território catari, diversos países na região mostraram insatisfação com as movimentações israelenses, visto que o Catar é considerado um país neutro no conflito.
No Leste Europeu, as incursões russas feitas com drones em território polonês e a ativação do Tratado da Otan pela Polônia para encontrar respostas à movimentação de Moscou acendeu um forte alerta sobre a escalada dos conflitos na região. Somado a isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, elevou o tom contra países que compram produtos energéticos russos, principalmente Índia e China, ameaçando implementar tarifas retaliatórias caso não haja uma política de redução ou suspensão da aquisição do petróleo e combustíveis produzidos na Rússia.
O aumento das tensões acabou gerando fortes temores entre os investidores, dado que o Oriente Médio e o Leste Europeu somaram mais de 45% (43,5 mbpd) de toda a oferta global de petróleo em 2024, conforme dados divulgados pelo Energy Institute. Nesse sentido, a manutenção de um clima mais hostil entre países nessas regiões acaba por manter os prêmios de risco mais elevados, reduzindo os efeitos de um balanço mundial mais superavitário sobre os preços da commodity.
DOE registra alta dos estoques de petróleo e derivados nos EUA
De acordo com os dados divulgados pelo DOE, os estoques de petróleo nos EUA avançaram 3,9 milhões de barris nessa semana, volume acima do registrado pelo API no dia anterior (1,2 milhão de barris).
O avanço das reservas ocorreu em meio à manutenção do crescimento da produção doméstica – que se estende pela quinta semana consecutiva – e uma forte queda das exportações no comparativo com o período anterior (-29%), permitindo o balanço superavitário da commodity. Vale destacar que o FUT se manteve em patamares sustentados, próximo aos 95 pontos, evidenciando uma demanda ainda aquecida por parte das refinarias, que se mantém acima do registrado em 2024 e em relação à média dos últimos cinco anos para o período.
Parte do motivo por trás dessa demanda alta pelos centros de processamento se dá pelo cenário de boas margens de refino, principalmente para o diesel, o que justificou, inclusive, a produção do derivado fóssil se mantendo em volumes elevados, acima dos 5,2 mbpd, que, somado à uma queda expressiva do consumo doméstico (-10%), acarretou ampliação expressiva dos estoques do combustível no período, em 4,7 milhões de barris.
Em relação à gasolina, foi observado um avanço menor das reservas, em 1,46 mbpd. O comportamento do indicador seguiu a sazonalidade imposta para o período, com um recuo da produção sendo contrabalanceado por uma redução ainda mais significativa da demanda interna. Ao longo das próximas semanas, a tendência se mantém de uma maximização da produção de diesel pelos centros de refino, em detrimento de uma menor oferta de gasolina.
IEA espera crescimento maior dos estoques globais para os próximos meses
Hoje, a Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês) divulgou seu Relatório Mensal de Petróleo. De acordo com as informações, a agência ampliou as suas estimativas de crescimento da oferta global para 2025, de 2,5 mbpd para 2,7 mbpd, motivada principalmente pelas recentes decisões da OPEP+ de ampliar a sua produção de maneira mais acelerada nesse ano.
Paralelo a isso, a IEA confirmou que, nas suas estimativas, a produção global está crescendo de maneira bem mais acelerada frente à oferta, o que deve permitir um aumento além do esperado dos estoques globais para 2025 e 2026, em cerca de 2,5 mbpd e 3,3 mbpd, respectivamente. Ainda assim, é importante destacar que alguns fatores de risco, principalmente nas regiões que hoje mostram um maior tensionamento das relações entre importantes produtores, como o Oriente Médio e o Leste Europeu, podem influenciar em uma mudança desse cenário, a depender dos impactos sobre os fluxos da commodity.
Diante dessa expectativa de um aumento dos superávits nos próximos meses, a StoneX projeta que, ao longo do quarto trimestre do ano, o Brent trabalhe com uma média menor frente ao observado hoje, ao redor de USD 63,8 bbl.
- Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em baixa, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 3,029/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma alta de 1,66% na sessão passado, alcançando USD 8,03131/MMBTU.
- No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com alta de 0,69%, alcançando USD 3,05 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em baixa de -0,71%, próximos a USD 7,974 MMBTU.