Ontem, dia 21, o contrato mais ativo do Brent fechou em queda, posicionando-se em USD 61,32 bbl (+0,51%). Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 57,82 bbl (+0,52%).
A valorização foi sustentada por fatores geopolíticos e sinais de retomada da demanda. Entre os principais destaques, o presidente Donald Trump descartou um encontro com Vladimir Putin nas próximas semanas, adiando as discussões sobre um possível cessar-fogo no Leste Europeu — medida que reduziu parte das tensões de curto prazo no mercado. Além disso, o governo norte-americano anunciou a intenção de retomar as compras para a Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) até o início de janeiro, enquanto estimativas indicam queda nos estoques comerciais dos EUA na última semana.
Na manhã desta quarta-feira (22), o contrato do Brent com vencimento em dezembro de 2025 era negociado em torno de USD 62,55/bbl (+2,01%) às 9h15. O avanço reflete, além dos fatores já citados, a expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Índia, que poderia resultar na redução das importações indianas de petróleo russo.
API registra queda dos estoques americanos
De acordo com o API, as reservas de petróleo nos Estados Unidos recuaram 2,9 milhões de barris na última semana, conforme se registra uma recuperação da atividade de refino do país (+1,4%). Em geral, a melhor atratividade das margens de combustíveis, especialmente diesel, segue apoiando a maior demanda por petróleo, mantendo estoques comerciais pressionados e próximos das mínimas sazonais mesmo em um contexto de produção elevada. Para os derivados, trata-se de mais um período de queda dos estoques, com diesel recuando 974 mil barris e a gasolina 236 mil. Em geral, trata-se de retrações menores que na semana passada, podendo refletir uma retomada da produção.
Em geral, a situação das reservas americanas chama atenção no mercado, uma vez que as previsões de superávit não parecem se aplicar para o principal demandante de petróleo global. A situação escancara o descasamento do balanço em regiões formadoras de preço e outros com menor influência sobre as principais referências do petróleo. Assim, é provável que a manutenção de estoques comerciais mais pressionados nos Estados Unidos siga como apoio para as cotações do WTI e Brent, mas não revertendo a tendência baixista que predomina no mercado atualmente.
Trump recusa encontro com Putin
Após alimentar a possibilidade de encontrar com a liderança Rússia para discutir o conflito no Leste Europeu na semana passada, o presidente americano Donald Trump voltou a descartar a reunião no ‘futuro imediato’. O republicano afirmou que o encontro seria uma “perda de tempo” em meio impasses sobre as condições para cessar-fogo, alegando uma falta de disposição entre as partes para negociar. Com isso, as perspectivas de um abrandamento do conflito e retomada das negociações ficaram mais nebulosas, levando a uma reprecificação dos prêmios de risco associados à guerra.
Logo, isso sinaliza como o conflito segue como ponto sensível para o mercado, com investidores buscando entender qual a prioridade das negociações sobre a guerra para a Casa Branca. Alguns impasses da política interna americana e questões comerciais com Índia e China podem retirar o foco do presidente para assuntos internacionais relacionados ao Oriente Médio e Leste Europeu. Todavia, essa pausa deve ser apenas temporária, com a retomada de negociações devendo ser pauta do presidente americano em um segundo momento.
Acordo entre Índia e Estados Unidos
Conforme mencionado, o foco do presidente americano no momento parece estar mais direcionado para acordo comerciais, com uma possível negociação com a Índia movimentando o mercado nessa manhã. De acordo com a Casa da Moeda da Índia, um acordo comercial entre os países levaria as tarifas de 50% para 15%, tendo como um dos pontos negociados a redução das importações de petróleo russo. A Rússia se tornou o principal fornecedor de petróleo para a Índia, com quase 36% de todo volume internalizado – uma média de 1,75 mbpd.
Caso confirmado, o acordo levaria a um novo redesenho dos fluxos de petróleo, com a Índia – um dos principais importadores do mundo – devendo se voltar para outros fornecedores. Com isso, o petróleo consegue recuperar as perdas da semana conforme investidores buscam antecipar o impacto dessa decisão sobre o comércio global, contribuindo para deixar regiões mais estressadas.
- Gás Natural
- Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em alta, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 3,474/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma alta de 0,51% na sessão passado, alcançando USD 7,29708/MMBTU.
- No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com baixa de -0,58%, alcançando USD 3,454 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em alta de 1,88%, próximos a USD 7,434 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.