Ontem, dia 23, o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, posicionando-se em USD 65,99 bbl (+5,43%). Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 61,79 bbl (+5,62%).
Os investidores seguiram precificando as novas sanções americanas e europeias contra o mercado de petróleo russo e seus compradores. A percepção é de que as novas restrições tenham impacto significativo sobre os fluxos de petróleo russo, levando seus principais parceiros comerciais a se voltarem para outros fornecedores e estressando o mercado de petróleo não sancionado.
Hoje pela manhã (24), o contrato do Brent para vencimento em dezembro de 2025 é negociado em torno de USD 66,41 bbl (+0,62%) até as 09h20. Os futuros seguem encontrando apoio com as sanções sobre petróleo russo, encaminhando para uma alta semanal de quase 8% e revertendo a queda observada ao longo de outubro.
Especulações sobre fluxos russos
Desde o anúncio nas novas sanções americanas, investidores do mercado de petróleo buscam antecipar os efeitos das medidas sobre o fluxo global. Uma das hipóteses é de que as refinarias independentes da China seguiram importando petróleo russo, aproveitando-se de preços atrativos, mesmo com sanções também vindo da Europa. Todavia, espera-se que as refinarias estatais devam limitar sua demanda por petróleo russo diante os custos de sanções serem muito elevados para essas grandes empresas. Assim alguns agentes estimam que as importações de petróleo russo poderiam reduzir em quase 500 kbpd.
Quanto a Índia, agentes do país já estariam reduzindo suas compras de petróleo russo, mas não é esperado uma queda brusca imediata, uma vez que se tem desafios para substituir rapidamente esses fluxos. Entre janeiro e setembro, as importações de óleo russo somaram 1,75 mbpd em média, o que representa um grande desafio para substituir nos próximos períodos. Dessa maneira, a alta recente dos preços indica a percepção dos agentes de que o volume de petróleo não sancionado estará mais concorrido. Todavia, é necessário ter cautela uma vez que não se sabe se essas novas sanções serão efetivamente implementadas e a disrupção efetiva que ela trará sobre os fluxos globais.
Lineup de combustíveis
De acordo com a última atualização do lineup da StoneX, as importações de diesel em outubro devem atingir 1,2 milhão de m³, uma redução frente o mês de setembro e em comparação com o mesmo período no ano passado. Apesar dessa tendência, ainda se trata de um forte volume internalizado, mas refletindo uma queda sazonal da demanda esperada no quarto trimestre frente períodos anteriores que limitaria a necessidade de importar o combustível. Para novembro, o reporte já indica 44 mil m³ programados para o país. Ademais, no lineup de outubro, o volume de diesel russo representa apenas 14,2% do total importado, diante o aumento das compras de combustível da Índia (45,39%) e Estados Unidos (27,15%).
Com o aumento de ataques contra refinarias russas, as exportações de combustível pelo país reduziram frente meses anteriores, o que também estreitou ainda mais o diferencial em relação outras origens. Isso intensificou a busca de novos fornecedores, tendência que já se observava em períodos anteriores, com importadores brasileiros se voltando para aqueles com preços mais atrativos.
No caso da gasolina, as importações em outubro podem atingir o melhor nível em três meses, com o lineup indicando um volume acima de 200 mil m³. Em geral, esse volume responde a dois fatores, o primeiro se trata de um crescimento da demanda por gasolina C no quarto trimestre, que estressa o balanço doméstico e eleva a necessidade de importação. Além disso, os preços internacionais atrativos frente aqueles negociados pela Petrobras nos últimos dois meses – antes do reajuste no início da semana – parecem ter apoiado as importações. Com a elevação dos preços internacionais nos últimos dias e a revisão da Petrobras, o incentivo financeiro das importações se estreitou significativamente, o que pode refletir em uma queda do volume programado ainda em novembro.
- Gás Natural
- Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em baixa, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 3,344/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma alta de 5,43% na sessão passado, alcançando USD 7,85281/MMBTU.
- No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com baixa de -1,76%, alcançando USD 3,285 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em alta de 0,36%, próximos a USD 7,881 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.