Ontem, dia 15, o contrato mais ativo do Brent fechou com queda de 0,96%, posicionando-se em USD 60,56 bbl. Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 6,82 bbl (-1,08%).
O petróleo estendeu a queda da sessão anterior, encerrando o dia com o menor patamar desde fevereiro de 2021. O pessimismo do mercado envolvendo o balanço de oferta e demanda em 2026 seguiu pressionando as cotações da commodity, com os riscos geopolíticos oferecendo pouco apoio para as cotações.
Hoje pela manhã (16), o contrato do Brent para vencimento em fevereiro de 2026 é negociado em torno de USD 59,75 bbl (-1,4%) até as 09h30. O sentimento baixista se intensificou nas últimas horas, conforme se elevou a perspectiva de um acordo entre Rússia e Ucrânia, o que poderia elevar a oferta da commodity já em um contexto de superávit elevado. Com isso, o Brent rompeu a barreira dos USD 60 bbl.
Expectativa com acordo entre Rússia e Ucrânia
O presidente americano, Donald Trump, afirmou que um acordo para o fim da guerra no Leste Europeu está “mais próximo do que nunca” após avanço das negociações nos últimos dias, com o principal negociador do lado ucraniano também demonstrando otimismo nas redes sociais no início da semana. Além disso, a mídia reportou que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, aceitou o termo do país não integrar a OTAN, em troca dos Estados Unidos oferecem a segurança prevista pelo grupo. Dessa maneira, elevou-se o otimismo com a possibilidade de um acordo entre as partes, apesar de disputas territoriais ainda pesarem sobre as negociações.
Com um acordo de paz mais próximo do que tentativas anteriores, parte do mercado já busca precificar esse movimento, com expectativa de que as negociações levem também ao fim de sanções sobre o comércio russo. Apesar dos fluxos russos não terem cessado desde a guerra, o fim das restrições levaria esse volume de volta para o mercado “regular”, além de retirar limitações envolvendo exportação e produção da commodity e derivados. Isso elevaria ainda mais a oferta disponível em um momento de crescimento menor da demanda, reforçando a visão baixista do mercado. Atualmente, a Rússia conta com uma produção de 9,37 mbpd, o que representa 9,1% da demanda global, de acordo com os dados da OPEP.
Todavia, mesmo com os esforços para um acordo, vale ressaltar que a guerra segue acontecendo, com a Ucrânia inclusive intensificando ataques na região do Cáspio, atingindo plataformas de petróleo da Lukoil e refinarias. Novamente, pelas notícias disponíveis, ainda se tem pontos importantes do acordo que precisam ser negociados, especialmente a divisão territorial da Ucrânia, o que deve seguir como entrave para o fim da guerra até o momento.
Dados de novembro mostram aumento nas importações chinesas de petróleo
As importações de petróleo na China para o mês de novembro mostraram um ritmo médio de entrada de 12,4 mbpd, sendo a maior média desde agosto de 2023. Os dados mostraram um aumento de 9% em relação a outubro, e evidenciam a importante presença da China no mercado internacional, que tem formado estoque diante de preços mais baixos do barril do petróleo.
Até o momento, o ano de 2025 tem registrado uma média de importações de cerca de 11,44 mbpd, bem acima do registrado nos anos anteriores. Apesar das importações crescentes, o refino chinês tem caído a cada mês, chegando o menor patamar dos últimos seis meses, com uma média de 14,86 mbpd em novembro, caindo 0,9% em relação ao mês anterior. Essa queda no refino era esperada, devido principalmente às manutenções planejadas conduzidas por algumas refinarias, e a tendência é que as atividades continuem limitadas para o próximo mês.
Refino de petróleo na China - mbpd

Fonte: NBCC. Elaboração: StoneX.
Portanto, um aumento crescente nas importações, acompanhado de redução no setor de refino, contribuiu para uma formação de estoques domésticos de petróleo na China. Atualmente, estima-se que a Ásia conta com um estoque aproximado de 1,5 bilhão de barris, operando com os maiores níveis de estoque dos últimos 5 anos, chegando a dezembro 9% acima dos estoques de dezembro de 2024, que eram os maiores registrados até então.
O movimento de compras pela China é um dos principais fatores para manter o mercado físico mais estressado, limitando a formação de estoques em outras regiões. Espera-se que essa tendência siga nos próximos períodos diante os preços atrativos e a ampla capacidade de estoque que ainda não foi preenchida, de acordo com estimativas do mercado. Todavia, trata-se de um fundamento de “demanda” mais frágil, uma vez que essas compras não são destinadas para o consumo interno, com uma redução da formação de estoque, ainda que remota, escancarando ainda mais o excesso de oferta que se observa no mercado.
- Gás Natural
- Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em baixa, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 4,012/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma baixa de -0,92% na sessão passado, alcançando USD 7,20664/MMBTU.
- No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com baixa de -2,39%, alcançando USD 3,916 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em baixa de -1,59%, próximos a USD 7,092 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.