
Petróleo se recupera com novas restrições americanas contra a Venezuela
Ontem, dia 16, o contrato mais ativo do Brent fechou com queda de 2,71%, posicionando-se em USD 58,92 bbl. Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 55,27 bbl (-2,72%).
O petróleo registrou o menor patamar de negociação desde 2021, conforme o sentimento baixista do mercado nas últimas sessões se acentuou. Além disso, falas de representantes dos Estados Unidos e Ucrânia afirmando que um acordo de paz no Leste Europeu estaria avançando também alimentou a desvalorização do petróleo.
Hoje pela manhã (17), o contrato do Brent para vencimento em fevereiro de 2026 é negociado em torno de USD 60,07 bbl (+1,95%) até as 09h10. O mercado revisa a queda da última sessão, ponderando os fundamentos que apoiaram a queda da commodity. Os preços também incorporam a intensificação das pressões da Casa Branca sobre o mercado de petróleo na Venezuela, além das expectativas de uma redução de aproximadamente 9,3 milhões de barris nos estoques americanos, segundo estimativas do API.
API registra queda dos estoques
De acordo com o API, as reservas de petróleo nos Estados Unidos recuaram 9,32 milhões de barris na última semana, volume muito acima do que projetado pelos agentes para o período (-1,1 milhão de barris). O registro contribui para apoiar os contratos nessa quarta-feira, conforme reforça o estresse do mercado americano mesmo em um contexto de produção elevada, contrariando a expectativa de superávit robusto. Essa queda dos estoques, caso confirmada pelo DOE, pode responder ao recuo das importações no período, levando o indicador de estoques para um nível menor que registrado em 2024.
Para os combustíveis, o API registrou nova alta tanto para o diesel quanto para a gasolina na ordem de 2,5 e 6,3 milhões de barris, respectivamente. A manutenção de uma atividade elevada das refinarias contribui para reestabelecer os estoques dos combustíveis, limitando os temores sobre o abastecimento no país. Especialmente para a gasolina, a recuperação dos estoques americanos levou a uma desvalorização maior do derivado, com o crack-spread voltando a operar abaixo de USD 12 bbl, com o diesel em movimento similar, mas menos acentuado com o indicador abaixo de USD 31 bbl.
Estados Unidos bloqueia navios petroleiros na Venezuela
O presidente Donald Trump ordenou um “bloqueio” do todos os navios petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela, a fim de restringir o comércio do país e impactar o governo de Nicolás Maduro. Ainda não se sabe como essa medida será implementada pela Casa Branca, tendo possibilidade de repetir a intercepção de navios como realizou na semana passada, recorrendo à Guarda Costeira. Vale destacar que o governo americano já havia descolocado uma parte de suas forças armadas para a região, em um claro movimento de ameaçar o país caribenho.
A medida, caso seja efetivamente implementada, pode impactar as exportações venezuelanas, especialmente com navios petroleiros já evitando o país com receio de represália americana. Apesar de ter uma participação menos relevante no mercado de petróleo atualmente, a Venezuela destina grande parte desse volume para a China e Estados Unidos – e, com o fluxo para esse último garantido pela operação da Chevron, as exportações para a Ásia tenderiam ser a mais afetadas. Caso a China efetivamente evite o petróleo venezuelano, deverá procurar novos fornecedores para suprir os quase 750 kbpd importados.
Os temores no momento é que essa restrição também se estenda para navios não sancionados pelo tesouro americano, bloqueando a Venezuela de exportar petróleo – o principal eixo da economia no país. Isso poderia repercutir sobre a própria oferta venezuelana, apagando o progresso que o país registrou nos últimos dois anos – quando a administração Biden voltou a conceder licença para operação da Chevron no país. Logo, em um cenário de escalonamento, a pressão americana levaria a uma redução da oferta de petróleo, contribuindo para suavizar o superávit esperado para o próximo ano.
- Gás Natural
- Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em baixa, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 3,886/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma baixa de -2,71% na sessão passado, alcançando USD 7,01148/MMBTU.
- No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com alta de 1,67%, alcançando USD 3,951 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em alta de 2,10%, próximos a USD 7,159 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.