
Protestos iranianos suportam futuros do petróleo
No dia 08, o contrato mais ativo do Brent fechou com forte valorização de 3,4%, posicionando-se em USD 61,99 bbl. Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, subindo para USD 57,76 bbl (+3,2%).
A valorização diária na sessão passada foi a maior desde outubro, colocando os preços de petróleo nas máximas desde o dia 24 de dezembro. O mercado retomou para os preços pré-intervenção norte-americana na Venezuela, e tem reagido diante de incertezas sobre a oferta em países como Rússia, após ataques ucranianos, no Iraque, diante de planos de nacionalização no West Qurna 2, e no Irã, após protestos no país ameaçarem exportações e controle sobre preços.
Hoje pela manhã (09), o contrato do Brent para vencimento em março de 2026 é negociado em alta, rompendo novas resistências, cotado a USD 62,53 bbl (+0,87%) até as 09h30. O mercado mantém as preocupações quanto à situação no Irã, e segue acompanhando desdobramentos acerca da oferta na Venezuela.
Investidores mostram receio com protesto iraniano
Um fator que entrega suporta para os futuros do petróleo na sessão de hoje se dá nos protestos populares no Irã, que parecem ter tomado proporções maiores, com relatos de novas ocorrências em todas as províncias do país. O movimento acaba sendo liderado principalmente pela população mais jovem do país, que se mostra contrária ao modelo político iraniano atual.
Tal situação acabou elevando os receios sobre possíveis impactos à capacidade de exportação do Irã, em um contexto marcado por um possível aumento da demanda por petróleo pesado do país pela China, que enxerga um recuo das vendas venezuelanas desse tipo de petróleo em meio à entrada dos EUA no produtor da América do Sul.
Vale destacar que, no último trimestre de 2025, o Irã produziu cerca de 3,24 mbpd, escoando uma parte significativa desse volume ao mercado chinês, que seguiu adquirindo o produto iraniano mesmo em um contexto de sanções norte-americanas sobre o membro da OPEP. Nesse sentido, os investidores passam a precificar um prêmio de risco de oferta do país, que pode resultar em novas dificuldades para a China de adquirir o petróleo pesado que necessita para algumas de suas refinarias.
Produção russa cai em dezembro
Contribuindo para essa percepção de um risco maior sobre a oferta de petróleo pesado, fontes internas do governo russo confirmaram que o país reduziu em cerca de 100 kbpd a sua produção em dezembro, atingindo 9,33 mbpd. Caso confirmado, seria a segunda queda contínua da oferta russa, refletindo um aumento das dificuldades de driblar as sanções norte-americanas e europeias, além de impactos contra a infraestrutura energética do país após o aumento dos ataques ucranianos.
Alguns relatos, inclusive, confirmam um aumento da quantidade de barris russos em plataformas marítimas, em meio à maior complexidade de destinar esse produto para outras regiões. Vale destacar que, ao longo da semana, houve rumores de que a Rússia e o Irã estavam comercializando parte do petróleo exportado com descontos de até USD 15 bbl em comparação com as referências internacionais, evidenciando a menor busca pela commodity ofertada por esses players. Por fim, caso confirmada a redução de dezembro, a produção de petróleo real da Rússia ficaria 250 kbpd abaixo do limitado no acordo ministerial da OPEP+.
TABELA DE COTAÇÕES - FECHAMENTO DO DIA ANTERIOR

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.