No dia 28, o contrato mais ativo do Brent fechou com alta de 1,2%, posicionando-se em USD 68,4 bbl. Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, operando ao redor dos USD 63,2 bbl (1,3%).
Os futuros do petróleo reagiram ao recuo dos estoques comerciais da commodity nos EUA, bem como à escalda contínua das tensões no Oriente Médio, com o envio de novos navios norte-americanos para bases próximas ao Irã ampliando os prêmios de risco de oferta na região.
Hoje pela manhã (29), o contrato do Brent para vencimento em março de 2026 avança de maneira considerável, cotado a USD 70,06 bbl (+2,4%) até as 08h50. O mercado reage aos rumores relacionados à possíveis ações militares dos EUA em território iraniano, inflando os temores sobre disrupções produtivas e logísticas no Oriente Médio.
Rumores sobre possível ataque norte-americano no Irã
Após a chegada do porta aviões USS Abraham Lincoln no Oriente Médio e a confirmação feita pelos EUA do envio de novos navios e aviões para bases próximas ao Irã, os investidores passam a reagir na manhã de hoje aos rumores relacionados à consideração por parte da Casa Branca de promover ataques militares contra lideranças do governo iraniano, na tentativa de inflar os movimentos populares contrários ao regime.
Tal cenário ocorre em meio às pressões feitas por Washington para que Teerã assine um novo acordo nuclear, com a falta de dados relacionados aos estoques de urânio enriquecido no país ampliando os temores sobre a possibilidade de um desenvolvimento mais acelerado do programa nuclear iraniano.
A situação acaba gerando um forte suporte aos futuros do petróleo, em meio à uma ampliação dos prêmios de risco de oferta da commodity no Oriente Médio. Vale destacar que, apesar do Irã ser um importante produtor de petróleo – com uma oferta de 3,2 milhões de barris por dia (ou 3% da produção global –, a preocupação não se restringe somente à impactos produtivos e logísticos no país, mas sim a todos os players que escoam a sua produção do Golfo Pérsico ao Mar Arábico através do Estreito de Hormuz, como Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. Atualmente, cerca de 25% de toda a oferta global de petróleo é transportada por essa via para importantes regiões consumidoras, como Ásia e Europa.
Vale destacar que, desde o início do ano, o contrato mais ativo do Brent subiu 14,7%, respondendo principalmente ao avanço das tensões geopolíticas no Oriente Médio, Leste Europeu e América do Sul, como também, mais recentemente, à chegada do vórtex polar nos EUA, que impactou as operações de extração e refino de petróleo no país, reduzindo a disponibilidade desses produtos no mercado. Com isso, os futuros da commodity superaram os USD 70 bbl pela primeira vez desde setembro de 2025, evidenciando o aumento dos receios sobre o balanço de curto prazo de petróleo em algumas regiões.
DOE registra queda dos estoques de petróleo
De acordo com os dados divulgados pelo DOE ontem, os estoques comerciais de petróleo nos EUA apresentaram um recuo de 2,3 milhões de barris – volume maior frente ao reportado pelo API no dia anterior, de 250 mil barris. O recuo das reservas da commodity está diretamente ligado a um aumento expressivo das exportações, de 0,9 mbpd (+24%), sendo uma possível antecipação das vendas ao exterior em meio aos receios sobre a chegada do vórtex polar no país.
Vale destacar que, apesar de um recuo semanal em 0,4 mbpd (-2,4%), a demanda se manteve firme no comparativo com o mesmo período do ano passado e na média de cinco anos, com um fator de utilização operando ao redor dos 91 pontos. No geral, os centros de processamento seguiram buscando ampliar a sua oferta de combustíveis em um contexto de margens de refino ainda elevadas.
No que tange os derivados, tanto o diesel quanto a gasolina apresentaram um leve aumento nos estoques, na ordem de 329 mil e 223 mil barris, respectivamente. No caso do diesel, a movimentação das reservas foi reflexo de um forte recuo sazonal da produção, em 0,3 mbpd (-5,3%), parcialmente contrabalanceado pelo avanço significativo das vendas do combustível, em 0,5 mbpd (+15%). No caso da gasolina, o aumento da produção e a queda das importações garantiram o balanço superavitário do derivado fóssil.
É importante frisar que os dados divulgados refletem apenas informações do balanço norte-americano finalizados na sexta-feira (23), antes da chegada do vórtex polar no país e dos maiores impactos referentes às operações de extração e refino de petróleo no mercado norte-americano. Nesse sentido, os investidores devem se manter atentos ao próximo relatório semanal do DOE, que evidenciará os resultados das fortes ondas frias sobre o setor petrolífero dos EUA.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: CmdtyView. Elaboração: StoneX.