No dia 02, o contrato com maior liquidez do Brent fechou com queda de 4,4%, posicionando-se em USD 66,3 bbl. Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, operando ao redor dos USD 62,1 bbl (-4,7%).
Os futuros do petróleo cederam em meio ao recuo expressivo dos prêmios de risco de oferta no Oriente Médio, com a redução do tom pela Casa Branca sobre o Irã resultando em uma queda dos temores sobre disrupções logísticas no Golfo Pérsico.
Hoje pela manhã (03), o contrato do Brent para vencimento em abril de 2026 se mantém estável, cotado a USD 66,3 bbl (+0,05%) até as 08h50. Os preços do petróleo se mantêm estáveis enquanto os investidores buscam uma melhor compreensão sobre a possibilidade de um novo acordo nuclear entre EUA e Irã, como também os impactos sobre os fluxos globais da commodity após o anúncio de interrupção das compras do produto russo pela Índia.
Irã e EUA tem nova reunião marcada para o final dessa semana
De acordo com autoridades do governo do Irã e dos EUA, delegações dos dois países devem se encontrar nessa sexta-feira (06), na Turquia, para retomar as discussões sobre um novo acordo nuclear.
A reaproximação entre os governos ocorre após uma semana marcada por um aumento significativo das tensões entre Washington e Teerã, com a Casa Branca confirmando o envio de navios militares para a costa iraniana como forma de pressionar o país do Oriente Médio a reportar os estoques de urânio enriquecido em posse do governo.
Vale destacar que, desde junho do ano passado, após os ataques norte-americanos contra ativos nucleares iranianos, Teerã confirmou a suspensão do processo de enriquecimento de urânio no país. Ainda assim, novas imagens de satélite evidenciaram uma movimentação mais intensa em Isfahan e Natanz, locais usados para estocagem do metal, o que ampliou os temores em Wasgington sobre a possibilidade de uma retomada do desenvolvimento do programa nuclear no Irã.
A retomada das conversas acaba por pressionar os futuros do petróleo, em meio à percepção de que a possibilidade de uma escalada militar no Golfo Pérsico no curto prazo diminui. Vale destacar, no entanto, que ao longo dos últimos anos, houveram idas e vindas nas discussões sobre um novo acordo nuclear, com a divergência dos interesses entre os EUA e o Irã resultando em fracassos recorrentes em atingir um senso comum. Nesse sentido, os investidores devem se manter atentos a atualizações sobre as próximas reuniões das delegações – o que deve manter uma maior volatilidade dos preços do óleo bruto.
Índia anuncia suspensão das compras de petróleo russo
Outro fator que chamou a atenção do mercado se deu na confirmação feita pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de que o governo norte-americano irá reduzir as tarifas sobre produtos indianos de 50% para 18% após o governo da Índia confirmar que irá suspender as compras de petróleo provido pela Rússia.
Ao longo do ano passado, foi observado um aumento significativo das pressões da Casa Branca contra Nova Délhi para uma redução ou suspensão das aquisições de petróleo russo. Vale destacar que a Índia é o segundo principal destino da commodity fornecida pela Rússia, com as refinarias indianas se aproveitando dos descontos do produto ofertado pelo país do Leste Europeu para ampliar a produção de combustíveis, em um contexto de margens de refino elevadas.
De acordo com algumas estimativas, a Índia importou cerca de 1,2 mbpd de petróleo da Rússia em janeiro, volume ainda significativo, considerando os últimos meses de 2025. Ainda assim, com a nova medida anunciada pelos EUA, é esperado que haja uma redução voluntária das compras pelas refinarias indianas, com as previsões das cargas para fevereiro e março já apontando para volumes importados menores, na ordem de 1 mbpd e 0,8 mbpd, respectivamente.
Vale destacar, no entanto, que não houve, até o momento, um pedido do governo indiano para que os centros de processamento interrompam as aquisições do petróleo russo. É importante frisar que as cargas com previsão de chegada para os próximos meses já haviam sido adquiridas antes do anúncio feito por Trump, de modo que as refinarias indianas devem aguardar novas orientações de Nova Délhi para buscar outros fornecedores no mercado.
Caso consolidado, a suspensão das compras pela Índia pode resultar em uma reconfiguração da logística global de petróleo, com a Rússia promovendo maiores descontos para outros destinos que aceitem o óleo bruto russo. Ao mesmo tempo, as refinarias indianas terão que buscar outros produtores no mercado, com membros da OPEP+ podendo aproveitar esse maior espaço, principalmente a Arábia Saudita. Nesse contexto, o mercado pode observar um processo inflacionário como resultado dessa reconfiguração logística, algo que será melhor compreendido nos próximos meses.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: CmdtyView. Elaboração: StoneX.