Ontem (05), o contrato com maior liquidez do Brent fechou com queda de 2,8%, posicionando-se em USD 67,5 bbl. Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, operando ao redor dos USD 63,3 bbl (-2,8%).
Os futuros do petróleo recuaram após a confirmação de que os EUA e o Irã concordaram sobre o local em que seriam feitas as negociações para um possível acordo nuclear entre os dois países. Ao longo da semana, os preços da commodity seguiram bem sensíveis aos desdobramentos das conversas entre Washigton e Teerã, refletindo os temores em relação a dificuldades logísticas no Golfo Pérsico causadas por uma escalada militar na região.
Hoje pela manhã (06), o contrato do Brent para vencimento em abril de 2026 opera em queda, cotado a USD 67,2 bbl (-0,4%) até as 08h50. Os preços se mantêm estáveis enquanto os investidores aguardam novas informações sobre a reunião entre delegações do Irã e dos EUA que devem ocorrer ao longo do dia, em Omã.
Incertezas sobre reunião em Omã
Hoje, os investidores dirigem as suas atenções à reunião entre delegações dos EUA e do Irã em Omã. Após duas semanas marcadas por um aumento das tensões entre os dois países, Washington e Teerã passam a discutir sobre a possibilidade de um novo acordo nuclear, bem como o arsenal de armamentos que o Irã possui.
Apesar da redução do tom pela Casa Branca, as expectativas sobre um acordo de longo prazo são pequenas. No geral, considerando as experiências de anos anteriores, o mercado enxerga como improvável a consolidação de um acordo nuclear no curto prazo, de modo que as tensões devem se manter no radar dos agentes ao longo das próximas semanas.
Vale destacar, também, que os EUA mantêm navios militares próximas à região costeira do Irã, o que acaba resultando na manutenção dos prêmios de risco de oferta. Ao longo dessa semana, a confirmação do abatimento de um drone iraniano que se dirigia ao porta aviões norte-americano Abraham Lincoln gerou incertezas em relação à agenda diplomática dos países.
Por outro lado, o fato de que as delegações norte-americanas e iranianas concordaram em se encontrar nessa sexta-feira acaba por ampliar as expectativas de uma redução das tensões nesse primeiro momento, o que contribui para limitar novos ganhos do petróleo. Agora, os investidores devem se manter atentos aos desdobramentos dessa primeira reunião – o que deve resultar na volatilidade das cotações da commodity.
Exportações brasileiras de petróleo superam 2,6 mbpd
De acordo com os dados divulgados pelo MDIC, as exportações de petróleo pelo Brasil atingiram 2,6 milhões de barris por dia, superando em 6% o volume registrado no mesmo período de 2025. Vale destacar, também, que o resultado é o maior desde março de 2023, evidenciando uma pauta exportadora da commodity aquecida no país. O cenário segue refletindo a manutenção de indicadores produtivos elevados, com os dados de produção diária de petróleo disponibilizados pela ANP indicando uma oferta em janeiro de 3,8 mbpd.
Um fator que chamou a atenção e que pode ter puxado as exportações brasileiras no período se deu nas vendas da commodity à China, que atingiram 1,46 mbpd – maior valor desde maio de 2020. O país asiático passou a representar uma parcela ainda mais importante das exportações brasileiras, com 58% do volume total, refletindo, provavelmente, a busca pelos compradores chineses por outros fornecedores da commodity após a redução dos fluxos de petróleo venezuelano ao país – com o controle norte-americano sobre o setor petrolífero da Venezuela resultando em uma diminuição das cargas destinadas aos portos chineses. É importante lembrar, também, que a China registrou em dezembro de 2025 um recorde no volume de petróleo importado, com o país se aproveitando dos preços mais baixos no mercado internacional para ampliar as suas reservas – com um cenário similar desenhado em janeiro.
Em contrapartida, entre dezembro e janeiro, os EUA registraram uma redução de 26% no volume de petróleo adquirido do Brasil, com o aumento da chegada de barris venezuelanos aos portos norte-americanos resultando nessa diminuição das aquisições do produto brasileiro. Por conta disso, pelo segundo mês consecutivo, a Índia passou a ocupar a segunda posição na matriz exportadora brasileira de petróleo, representando 8% (0,21 mbpd) das vendas do Brasil.
Para os próximos meses, ainda existem incertezas sobre quais serão os principais destinos do petróleo brasileiro. A redução das compras de petróleo russo pela Índia pode resultar em um aumento dos fluxos da commodity brasileira ao mercado indiano, com uma maior parcela do produto da Rússia se destinando para a China. Por outro lado, vale destacar que o mercado chinês deve manter um maior apetite pele energético, como resultado da busca contínua pela ampliação dos estoques e um setor de refino ainda aquecido, o que deve manter uma participação majoritária do país nas exportações brasileiras.
Outros fatores que influenciam o petróleo neste momento
- Redução dos preços de venda da Arábia Saudita para compradores asiáticos ↓
- Redução das compras indianas de petróleo russo para entrega em fevereiro e março, aumentando a quantidade de barris russos retidos em plataformas marítimas ↑
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: CmdtyView. Elaboração: StoneX.