Ontem (09), o contrato com maior liquidez do Brent fechou com alta de 1,5%, posicionando-se em USD 69 bbl. Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, operando ao redor dos USD 64,4 bbl (+1,3%).
Os futuros do petróleo foram suportados pelos alertas feitos pelo governo dos EUA para que embarcações com bandeiras norte-americanas que trafegam o Estreito de Hormuz fiquem distantes da costa iraniana, auxiliando na manutenção de prêmios de risco elevados no Oriente Médio.
Hoje pela manhã (10), o contrato do Brent para vencimento em abril de 2026 opera em queda, cotado a USD 69,3 bbl (+0,4%) até as 08h50. Os preços do petróleo se mantêm sustentados, enquanto os investidores avaliam os riscos associados à disrupções logísticas no Golfo Pérsico.
EUA recomenda distância da costa iraniana
Ontem (09), o Departamento de Transportes dos EUA publicou um aviso para as embarcações com bandeira norte-americana se manterem afastadas da região costeira do Irã. A movimentação da Casa Branca acabou elevando os temores ao redor da possibilidade de ações militares no Golfo Pérsico, com as divergências entre Washington e Teerã, e as dificuldades de encontrar um senso comum nas reuniões sobre um possível acordo nuclear elevando a percepção de que os riscos geopolíticos podem voltar a subir no Oriente Médio.
Desde o início dos protestos populares no Irã contra o governo local, as tensões entre os dois países cresceram continuamente. O envio do porta aviões Abraham Lincoln ao Golfo Pérsico na semana passada acabou elevando ainda mais os receios sobre uma escalada militar na região, com o mercado antecipando possíveis problemas produtivos e logísticos de grande parte dos produtores que escoam a sua oferta através do Estreito de Hormuz.
Com isso, o petróleo se mantém sustentado, enquanto o mercado avalia a possibilidade de disrupções de oferta no Oriente Médio. A tendência segue de prêmios de risco mais elevados no curto prazo, em meio à expectativa de que os EUA e o Irã sigam encontrando dificuldades para consolidar um novo acordo nuclear.
Essa visão mais pessimista sobre a concretização do acordo acaba refletindo a experiência de anos anteriores. Em 2018, na primeira Administração Trump, os EUA anunciaram a saída unilateral do JCPOA – que limitava o programa nuclear iraniano em troca de alívio das sanções internacionais. Desde então, o governo norte-americano e iraniano tentaram reaproximações, mas sem sucesso, com o reestabelecimento das sanções reduzindo de maneira considerável a oferta iraniana no período pré-pandêmico. A partir de 2021, no entanto, a oferta iraniana voltou a crescer, estabelecendo-se ao redor dos 3,2 mbpd e refletindo, principalmente, uma redução do monitoramento norte-americano e o aumento das compras chinesas.
Produção anual de petróleo pelo Irã – em mbpd

Fonte: OPEP. Elaboração: StoneX.
Pesquisa aponta para redução da produção de petróleo pela OPEP12 em janeiro
De acordo com uma pesquisa feita pela Refinitiv, a produção de petróleo pela OPEP12 em janeiro operou ao redor de 28,3 mbpd, marcando um recuo de 0,2 mbpd em relação a dezembro. A queda foi influenciada principalmente pela Nigéria e pela Líbia, além de países que possuem planos compensatórios, como o Cazaquistão.
Em contrapartida, foi registrado um aumento das exportações por alguns players, principalmente o Iraque e a Venezuela. Em relação ao último, algumas projeções evidenciaram que a produção venezuelana superou 1 mbpd em janeiro, com o alívio das sanções pelos EUA e a permissão para empresas norte-americanas atuarem na comercialização do produto provido pelo país da América Latina influenciando nessa maior oferta.
Vale destacar que, até março, o grupo não promoverá novos aumentos dos tetos de produção, com uma maior restrição de novos aumentos produtivos por conta dos planos compensatórios devendo manter a oferta do grupo em patamares menos elevados. Nesse sentido, o mercado passa a monitorar de perto as possíveis decisões do grupo para os limites produtivos em abril, com os investidores ainda incertos em relação à política produtiva da OPEP+ para 2026.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: CmdtyView. Elaboração: StoneX.