
Petróleo abre estável, com Oriente Médio e queda da temperatura nos EUA no radar dos investidores
Ontem (23), o contrato com maior liquidez do Brent fechou com leve alta de 0,4%, posicionando-se em USD 71,5 bbl. Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, operando ao redor dos USD 66,3 bbl (+0,3%).
Os futuros do petróleo seguiram sem um direcionamento claro ao longo da sessão passada, com os investidores precificando as incertezas em relação à evolução das negociações diplomáticas entre EUA e Irã. Por outro lado, a chegada de uma nova onda fria na Costa Leste dos EUA contribuiu para dar suporte aos preços do petróleo e do diesel, reduzindo parte das perdas registradas.
Hoje pela manhã (24), o contrato do Brent para vencimento em abril de 2026 opera em estabilidade, cotado a USD 71,3 bbl (-0,2%) até as 08h50. O mercado segue aguardando atualizações em relação às conversas entre Washington e Teerã, bem como uma maior compreensão dos impactos iniciais causados pela onda fria que atinge a Costa Leste dos EUA nesse início de semana.
Mercado espera retomada das negociações entre EUA e Irã
Na próxima quinta-feira (26), delegações de Washington e Teerã devem se reencontrar em Genebra para retomar as discussões referentes à um novo acordo nuclear.
Por que isso é importante: A possibilidade de uma aproximação diplomática entre Irã e EUA pode resultar em uma diminuição dos prêmios de risco de oferta de petróleo no Oriente Médio, com os temores ao redor de uma redução dos fluxos da commodity pelo Estreito de Hormuz caindo.
- Hoje, a via é estratégica para o escoamento de petróleo por importantes produtores que se concentram no Golfo Pérsico como Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Irã e Iraque.
- Por conta disso, os futuros do petróleo se mantêm sustentados enquanto as tensões entre Irã e EUA seguem elevadas, com a Casa Branca destinando uma maior quantidade de ativos militares para a região.
Panorama: Apesar das baixas expectativas em relação à um alinhamento entre os dois países, alguns canais de notícias confirmaram que o Irã está disposto a ceder em alguns pontos relacionados ao seu programa de enriquecimento de urânio para que seja viabilizado um novo acordo entre as partes.
- Dentre os pontos, destacam-se: 1) O envio de parte do urânio enriquecido pelo Irã para outros países e a criação de um consórcio regional que fique responsável por programas de geração de energia nuclear; 2) A possibilidade de empresas norte-americanas participarem de empreendimentos de petróleo e gás em território iraniano.
- Essas concessões por parte do Irã teriam como contrapartida a derrubada das sanções contra o petróleo iraniano, que desde 2018 vem prejudicando o volume escoado pelo país do Oriente Médio para regiões consumidoras.
O que esperar: Os preços do petróleo devem se manter sustentados enquanto os atritos entre Washington e Teerã seguirem, com desdobramentos da reunião de quinta-feira podendo impactar as cotações da commodity.
Nova onda fria nos EUA aumenta margens do diesel
Desde domingo (22), a chegada de uma nova onda fria na Costa Leste dos EUA vem resultando no aumento da demanda por energia elétrica e calefação de ambientes, bem como a redução da mobilidade nos centros urbanos e rodovias impactadas pelas baixas temperaturas.
Por que isso é importante: A situação acaba elevando de maneira significativa as margens de refino para o diesel, com o diferencial entre Heating Oil e Brent superando os USD 40 bbl ao longo da sessão passada. Esse aumento do crack-spread reflete as expectativas de uma maior demanda do combustível para calefação de ambientes no país.
Diferencial entre Heating Oil e Brent – USD/bbl

Fonte: NYMEX, ICE. Elaboração: StoneX.
Panorama: Ao longo das últimas semanas, a demanda por diesel nos EUA cresceu de maneira expressiva, com o indicador atingindo na semana passada o sexto maior valor da série histórica (4,75 mbpd).
- Desde a passagem do vórtex polar no Meio Oeste e na Costa do Golfo em janeiro, os EUA vêm apresentando um aumento significativo do consumo do diesel para calefação de ambientes. Confira a matéria especial publicada pela StoneX clicando aqui.
- A situação acabou resultando em um recuo mais acentuado dos estoques norte-americanos, que se aproximaram dos níveis registrados no mesmo período de 2025.
- Além disso, a maior demanda interna resultou em uma diminuição do excedente exportável, com importantes regiões demandantes do combustível norte-americano, como Europa e América Latina, tendo que buscar outros fornecedores para atender a necessidade do derivado fóssil, o que também entregou suporte às cotações do combustível.
O que esperar: Para as próximas semanas, espera-se que as temperaturas voltem a subir nos EUA, em meio à proximidade do fim da temporada de inverno no Hemisfério Norte global. Tal situação tende a pressionar os preços do combustível, com os diferenciais entre diesel e petróleo seguindo uma trajetória sazonal de queda. Ainda assim, caso a demanda por calefação se mantenha sustentada, o mercado pode seguir observado uma margem de refino do diesel fortalecida por um tempo maior do que o previsto.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.