
Petróleo supera USD 85 bbl em meio à suspensão da passagem de navios pelo Estreito de Hormuz
Ontem (02), o contrato mais ativo do Brent fechou com uma alta brusca de 7,3%, totalizando USD 77,7 bbl. Os futuros do WTI seguiram trajetória parecida, encerrando o dia em USD 71,2 bbl (+6,3%).
Os preços do petróleo chegaram a superar os USD 82 bbl ao longo da sessão, refletindo os temores dos agentes em relação à uma disrupção logística global causada pela redução dos fluxos da commodity no Golfo Pérsico, com o anúncio de Teerã sobre um bloqueio no Estreito de Hormuz resultando em aumentos expressivos nos prêmios de risco de oferta do energético.
Hoje pela manhã (03), os investidores seguem mostrando um amplo receio sobre a oferta da região, com o contrato do Brent para vencimento em maio de 2026 operando com avanços de 8,3%, cotado a USD 84,4 bbl (+8,5%) até as 09h00. A restrição da circulação de navios pelo Golfo Pérsico contribuiu para manter o ímpeto altista da commodity, sem sinais de normalização do transporte de petróleo pelo Estreito de Hormuz.
Embarcações evitam Estreito de Hormuz
Nos últimos dois dias, o número de embarcações cruzando o Estreito de Hormuz caiu de forma drástica, com poucos navios tanqueiros se disponibilizando em cruzar a via em meio ao crescimento significativo dos preços dos seguros e os temores relacionados à possíveis avarias causadas pelo conflito entre Irã e EUA.
Por que isso é importante: A redução do número de navios pelo estreito impacta diretamente no volume de petróleo exportado pelo Golfo Pérsico, afetando o balanço da commodity em diversas regiões do globo, dada a importância da região como fornecedora do energético.
- Atualmente, os países que se concentram ao redor do Golfo Pérsico são responsáveis por um quarto da produção global, com o estreito de Hormuz carregando entre 15% - 20% de todo o petróleo consumido no mundo.
- A situação acaba por elevar de maneira drástica os preços do petróleo, em meio aos temores amplos dos investidores em relação à uma disrupção logística global da commodity se estendendo no médio prazo.
Panorama: Entre ontem e hoje, relatos de empresas marítimas confirmaram o cancelamento de seguros para a passagem pelo Estreito de Hormuz, com poucos navios tipo VLCC – que transportam até 2 milhões de barris – dispostos a cruzar a via em meio às incertezas relacionadas à segurança do transporte de commodities pela região.
- Desde o último sábado (28), o início do conflito direto entre Irã e EUA resultou em um número expressivo de ataques em toda a região do Golfo Pérsico, com três embarcações relatando avarias em meio à essas ofensivas.
- Ontem pela noite, Teerã confirmou que qualquer navio que tentasse cruzar o estreito seria incendiado, o que contribuiu para ampliar essa restrição de embarcações na região, com os navios em compasso de espera próximo à via, aguardando sinal verde para retomar as operações.
- Além disso, duas refinarias de grande porte na Arábia Saudita suspenderam parte das suas atividades em meio à ataques contra esses centros de processamento, afetando principalmente os preços do diesel, com o contrato mais ativos do Heating Oil atingindo na manhã de hoje USD 3,29 por galão – maior valor desde janeiro de 2023.
O que esperar: Para os próximos dias, as expectativas são de uma continuidade dos conflitos na região, o que daria pouco espaço para as embarcações retomarem as atividades de transporte de petróleo do Golfo Pérsico ao Mar Arábico.
- Apesar de haver rotas alternativas, como o Mar Vermelho e o Mar Mediterrâneo, grande parte da estrutura logística dos produtores do Oriente Médio está no Golfo Pérsico, de modo que uma interrupção dos fluxos no Estreito de Hormuz deve desencadear em problemas significativos no balanço global de petróleo.
- Consequentemente, caso o cenário se mantenha, os preços do petróleo seguirão avançando, havendo espaço para aumentos mais significativos nos próximos dias, com os consumidores buscando outros fornecedores capazes de suprir parte da sua demanda, encontrando esses players no Leste Europeu (Rússia) e América Latina.
- Nesse sentido, a situação no Oriente Médio deve se manter como principal driver dos preços do petróleo, com a movimentação dos futuros diretamente atrelado ao desenvolvimento dos conflitos na região.
Impactos ao Brasil: No caso brasileiro, os impactos podem ser vistos através de duas óticas, sendo:
- Exportações de petróleo: O avanço dos preços internacionais e um recuo da capacidade de escoamento de petróleo pelo Golfo Pérsico deve resultar em um aumento das receitas brasileiras com a venda da commodity, com os consumidores buscando mais o petróleo comercializado pelo Brasil. É importante frisar que, em janeiro, as exportações do Brasil superaram 2,6 milhões de barris por dia, o que representa cerca de 2% - 3% da demanda global.
- Importações de derivados: Os impactos do aumento das cotações do diesel e gasolina ao redor do mundo já começam a ser sentidos nos portos brasileiros. No caso do diesel, os cálculos da StoneX apontam para preços do produto importado entre R$ 0,80/L – 1,35/L mais elevados em relação aos preços de venda da Petrobras, com a desvalorização do real contribuindo para o encarecimento do produto importado. No caso da gasolina, a defasagem é menor, mas ainda significativa, ao redor dos R$ 0,60/L.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.