
Petróleo avança, com restrição de exportações se mantendo no Golfo Pérsico
Ontem (03), o contrato mais ativo do Brent fechou com uma alta de 4,7%, totalizando USD 81,4 bbl. Os futuros do WTI seguiram trajetória parecida, encerrando o dia em USD 74,6 bbl (+4,7%).
Os preços do petróleo seguiram avançando, refletindo a continuidade da restrição da passagem de navios pelo Estreito de Hormuz. Ao final da sessão, no entanto, parte dos ganhos foram revertidos após a confirmação de Washinton sobre o uso da Marinha dos EUA para escoltar tanqueiros pelo canal.
Hoje pela manhã (04), o contrato do Brent para vencimento em maio de 2026 opera com avanços de 1,9%, cotado a USD 82,3 bbl até as 07h50. Os preços do petróleo seguem avançando, com os investidores incertos em relação à efetividade das escoltas norte-americanas sobre os fluxos de petróleo no Oriente Médio.
Mercado incerto sobre segurança da travessia no Golfo Pérsico
Ontem, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que considera usar a Marinha dos EUA como escolta para navios tanqueiros que cruzam o Estreito de Hormuz.
Por que isso é importante: A Casa Branca busca maneiras de reduzir os impactos logísticos causados pelo conflito militar no Golfo Pérsico, com o intuito de reduzir também os impactos sobre os preços de petróleo após o início da guerra no Oriente Médio.
Panorama: Os futuros do petróleo seguem avançando no mercado internacional, sem uma perspectiva clara sobre quando os fluxos de petróleo pelo Estreito de Hormuz serão normalizados.
- Ontem, o Iraque anunciou uma redução da produção em 1,5 mbpd, em meio à falta de capacidade de estocagem da commodity no país - resultado da dificuldade de exportar o energético pelo Golfo Pérsico.
- Rastreadoras marítimas confirmaram que alguns navios tentam cruzar o estreito, mas grande parte das embarcações seguem evitando a região.
O que esperar: Apesar do anúncio feito por Trump, ainda é incerto a capacidade da frota marinha dos EUA de conseguir escoltar diversos tanqueiros pelo estreito, bem como a inclinação das empresas marítimas de enviarem seus ativos pelo canal.
- Diante disso, as cotações seguem avançando pela quarta sessão consecutiva, com os investidores tendo dificuldades de observar uma solução para os fluxos da commodity pela região em um horizonte de curto prazo.
- Por outro lado, caso, de fato, seja observado um aumento do número de navios cruzando a via, parte dos prêmios de risco de oferta podem ceder, impactando negativamente os preços do petróleo.
API aponta para aumento dos estoques de petróleo nos EUA
Ontem pela tarde, os dados divulgados pelo API apontaram para um aumento dos estoques de petróleo nos EUA em 5,6 milhões de barris - volume superior às expectativas do mercado.

Por que isso é importante: A recuperação dos níveis de estocagem após as quedas registradas entre janeiro e fevereiro contribui para um balanço norte-americano mais confortável em um período prévio ao início da driving season no país, quando sazonalmente o processamento da commodity cresce para atender a maior demanda por gasolina.
Panorama: Nos últimos meses, a demanda firme por petróleo pelas refinarias norte-americanas contribuiu para manter os estoques comerciais da commodity em níveis abaixo do registrado em anos anteriores - o que ajudou no suporte às cotações no mercado internacional.
- Os estoques de diesel também avançaram, mas em menor grau, com um possível aumento da demanda por calefação na Costa Leste dos EUA resultando nessa expansão menor das reservas.
- Já no caso da gasolina, foi registrado um recuo em 3,3 milhões de barris, seguindo a tendência sazonal de queda das reservas para esse período do ano.
O que esperar: Agora, o mercado aguarda os dados do DOE, as 12h30, que trará mais informações relacionadas ao balanço de petróleo e derivados nos EUA.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.