Ontem (05), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, totalizando USD 85,41 bbl. Os futuros do WTI seguiram trajetória parecida, encerrando o dia em USD 81,01 bbl (+8,51%).
A forte valorização após a estabilidade do dia anterior reflete a consolidação de um cenário mais sufocante para a oferta global de petróleo. Com a intensificação de ataques no Oriente Médio e ausência de sinais de negociações de um acordo entre Irã, Israel e EUA, os investidores precificam uma paralisação do Estreito de Ormuz por mais tempo que esperado.
Hoje pela manhã (06), o contrato do Brent para vencimento em maio de 2026 opera com avanços de 4,64%, cotado a USD 89,13 bbl até as 09h15. Apesar do esforço da Arábia Saudita em escoar petróleo para portos no Mar Vermelho e a autorização temporária para a Índia adquirir óleo russo, essas concessões são vistas como insuficiente para equilibrar a oferta nesse momento.
Importações brasileiras de diesel aumentam em fevereiro
Ontem (05), o MDIC atualizou os dados de balança comercial de combustíveis, registrando crescimento para o diesel (+28,8% a.a) e gasolina (+249,4% a.a) em fevereiro. O fluxo reflete a maior necessidade de compras diante a demanda doméstica mais forte, mas esse padrão deve se alterar em março.
- As importações de diesel somaram 1,4 milhão de m³, com a Rússia representando 58% do volume e recuperando o share frente os EUA e EAU. No acumulado do ano, as compras totais atingiram 2,7 milhões m³ (+16,7%).
- Alta da gasolina mais expressiva (431 mil m³), compensando a redução das importações de janeiro. Destaque para menor participação dos EUA (de 58,7% em janeiro para 21% em fevereiro). O acumulado do bimestre soma 714 mil m³, uma alta de 36,7%.
Panorama: As importações parecem responder a um crescimento da demanda interna, com a gasolina, especialmente, também se aproveitando da paridade aberta até o final de janeiro, que influenciou o volume de fevereiro. Para o diesel, observou cenário parecido, mas com uma paridade menos aberta que a gasolina – somando ao fator de consumo interno.
O que esperar? Com a escalada de preços dos combustíveis no início de março, é provável que as importações de diesel e gasolina recuem no mês, podendo afetar os fluxos em abril também. Com os preços inibidores nesse momento, se teria uma busca pelos estoques domésticos e pela Petrobras, que ainda não repassou a alta internacional para o mercado interno, levando a importação para o mínimo necessário para atender a demanda interna.
PPI nesse momento: De acordo com estimativas da StoneX para a sexta-feira (06), a defasagem do diesel supera R$ 1,51/L da referência mais competitiva (PPI mínimo), enquanto a média do PPI Golfo supera R$ 2,06/L. Para a gasolina, essa defasagem também é elevada, na ordem de R$ 0,74/L.
EUA autorizam compra de petróleo russo pela Índia e mais desdobramentos do conflito no Irã
No sétimo dia de conflito, o Estreito de Ormuz segue fechado, com os riscos de navegação ainda inibindo os fluxos, os EUA seguem tentando firmar intenções e medidas para aliviar a situação, mas mercado entende que não são suficientes para garantir o abastecimento global de petróleo. Com isso, o Brent se encaminha para alta semanal de 20%.
Autorização para a Índia
- O Departamento do Tesouro americano determinou uma licença de 30 dias para a entrega de petróleo russo para países do sudeste asiático, visando especialmente a Índia com essa medida. Isso aliviaria parte da disrupção da oferta para o segundo maior importador da commodity no mundo.
- Cerca de 52% do volume importado pela Índia passam pelo Estreito de Ormuz, parcela que aumentou nos últimos meses conforme a restrição para compra de petróleo russo a partir do acordo com os EUA.
Desvio da Arábia Saudita para o Mar Vermelho
- A Arábia Saudita estaria direcionando petróleo por via do oleoduto Leste-Oeste para portos no Mar Vermelho, utilizando totalmente a capacidade de 2,5 mbpd – contra os 0,786 kbpd registrado em fevereiro.
- A alternativa traz alívio para uma parcela das exportações do país, que somaram 7,2 mbpd em fevereiro, sendo 88% desse volume pelo Estreito de Ormuz.
O que esperar? Já se observa, após uma semana de conflito, agentes se organizando em torno de alternativas para o abastecimento de petróleo e derivados, o que pode limitar o tamanho da disrupção observada até o momento. Entretanto, mesmo com a compra de petróleo russo e vias secundárias de escoamento de países do Golfo Pérsico, ainda é um volume bastante inferior ao total que atravessa o Estreito em condições normais (15 mbpd de petróleo e 5 mbpd de derivados).
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.