Ontem (10), o contrato mais ativo do Brent fechou em queda, totalizando USD 87,8 bbl (-11,28%). Os futuros do WTI seguiram trajetória parecida, encerrando o dia em USD 83,45 bbl (-11,94%).
Em mais um dia bastante volátil, os futuros do petróleo recuaram com rumores falsos de que a marinha americana teria escoltado um navio pelo Estreito de Ormuz, além de expetativa para a liberação de quase 400 milhões de barris das reservas estratégicas coordenada pela IEA.
Hoje pela manhã (11), o contrato do Brent para vencimento em maio de 2026 opera com alta de 4,29%, cotado a USD 91,57 bbl até as 09h20. Investidores ponderam os esforços para contornar choque de oferta, mas entendimento é de que a guerra se arrastará por mais tempo, com o Irã anunciando o uso de minas navais no Estreito de Ormuz.
Expectativa de liberação de reservas estratégicas
Rumores reforçam que a IEA deve pedir a liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas, o que seria a maior ação coordenada da história.
- Ainda não se sabe o volume diário liberado, especialmente nos próximos 20 ou 30 dias, ou a composição (se haverá também combustíveis);
- Em 2022, o volume liberado foi de 180 milhões de barris, com os EUA complementando mais 90 milhões para limitar a alta dos preços com a guerra no Leste Europeu.
- Vale destacar que as reservas americanas ainda não se recuperaram do movimento de 2022, estando em 415 milhões de barris.
Estoques SPR dos Estados Unidos – milhões de barris

Fonte: DOE. Elaboração: StoneX.
Por que isso importa? A medida aliviaria parte da crise de oferta que se registra atualmente, com o número alto para os padrões de liberação do estoque chamando atenção e contribuindo para pressionar as cotações do Brent.
Rotas alternativas para escoamento
Nos últimos dias, países do Golfo Pérsico tem desviado um volume maior de petróleo para outras vias que não dependem do Estreito de Ormuz, o que alivia parcialmente o bloqueio.
- A Saudi Aramco esperar poder direcionar um volume adicional de 6 mbpd pelo oleoduto Leste-Oeste nos próximos dias (contra a média de 0,6 mbpd antes da guerra);
- O EAU pode destinar 1,8 mbpd pelo terminal de Fujairah, que fica no Golfo do Omã;
- Dados da Marine Traffic indicam que 20 navios atravessaram o Estreito de Ormuz desde 02/03, com outros desligando os transponders para ocultar a localização;
Por que isso importa? Com rotas alternativas, países do Golfo Pérsico conseguem minimizar os impactos da interrupção do estreito de Ormuz, mas os valores adicionais frente a média de antes do conflito ainda representa uma queda de mais de 50% das exportações.
O que esperar? Alguns países parecem arriscar a travessia, mas a instalação de minas navais deve dificultar ainda mais essas tentativas. Assim, o reestabelecimento de rotas alternativas contribui para aliviar o gap no curto prazo, com esses meios se consolidando cada vez mais enquanto a guerra se arrastar.
Ansiedade do mercado e falas da administração Trump
Nos últimos dois dias, sinais mistos ou falsos do governo americano contribuíram para pressionar as negociações do petróleo. Na terça-feira (10), o Secretário de Energia anunciou que a marinha havia escoltado um navio petroleiro, mas depois apagou a publicação
- A postagem trouxe a expectativa que parte dos fluxos poderia ser retomado com a presença militar americana no Estreito de Ormuz;
- Posteriormente, a própria Casa Branca admitiu que a marinha não atuou, com a instituição recusando pedidos de escolta até o momento;
- Em uma pesquisa de opinião, a desaprovação dos americanos sobre os ataques americanos contra o Irã é de 43%, enquanto 29% aprovam;
- A alta dos preços do petróleo já é sentida nos Estados Unidos, com os preços da gasolina passando de USD 2,93/ galão para USD 3.57/galão (+21%) nas últimas semanas.
Por que isso importa? A desaprovação do conflito a partir da alta dos preços de commodities energéticas, elevando o risco de estagflação em meio a uma crise de custo de vista (affordability) nos EUA em ano eleitoral, parece levar a Casa Branca a minimizar o impacto da guerra. Assim, falas indicando um fim breve do conflito sem garantia, ou notícias falsas, influenciam os ânimos do mercado, limitando a alta dos preços mesmo sem mudanças reais dos fundamentos.
O que esperar? Com a manutenção de preços altos de produtos energéticos, é possível que a pressão para o encerramento da guerra se acentue ao ponto de consolidar o TACO (“Trump Always Chickens Out”). Todavia, o próprio secretário de defesa dos EUA informou que ontem (10) foi o dia com mais ataques contra o Irã, o que não apresenta um horizonte de cessar-fogo no momento .
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.