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Diário de Petróleo

By: Isabela Garcia, Market Intelligence Analyst

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Brent escala com ataques a navios no Golfo Pérsico

Ontem (11), o contrato mais ativo do Brent fechou em queda, totalizando USD 91,98 bbl (+4,76%). Os futuros do WTI seguiram trajetória parecida, encerrando o dia em USD 87,25 bbl (+4,55%).

O petróleo recuperou as perdas da sessão anterior, com o mercado reagindo pouco ao anúncio da IEA, conforme a leitura prevalente é de que o esforço do G7 não deve ser suficiente para compensar o maior choque de oferta de petróleo que se tem registro. Além disso, falas do comandante do exército iraniano também alimentou o sentimento altista dos investidores.

Hoje pela manhã (12), o contrato do Brent para vencimento em maio de 2026 opera com alta de 7,23%, cotado a USD 98,63 bbl até as 09h30. Ataques contra 5 embarcações no Golfo Pérsico, sendo duas navios com combustíveis, apoia a alta dos preços.    

EUA anunciam liberação de 172 milhões de barris da SPR

Após a IEA aprovar a liberação coordenada de 400 milhões de barris de reservas estratégicas, os Estados Unidos anunciaram uma liberação de 172 milhões de barris da SPR ao longo dos próximos 120 dias.

  • O volume representa 41% das reservas atualmente (415 milhões de barris);
  • A liberação representaria 1,43 mbpd no período delimitado, quase 9% da demanda diária média dos EUA;
  • Desde a última grande liberação da SPR, no seu ponto mais baixo (jul/23), os estoques recuperaram em apenas 68 milhões de barris, com a reserva atualmente estando em 58% da capacidade.

Por que isso importa? Com o anúncio já era esperado que os EUA tivessem o maior esforço envolvendo a liberação de petróleo, uma vez que, diferente da Europa, a SPR é composta apenas pelo óleo bruto. Trata-se de mais uma grande liberação de reservas, mas agora em um contexto de estoques ainda debilitados após a venda dos estoques entre 2022 e 2023.

O que isso deve mudar? Após a decisão presidencial, o petróleo da SPR chega ao mercado apenas depois de 13 dias, além disso, o continente americano é bem menos exposto a crise do Estreito de Ormuz, importando cerca de 0,5 mbpd contra os 12,9 mbpd da Ásia. Ademais, a exportação de petróleo americano para países asiáticos é uma viagem longa, tendo também custos logísticos maiores.

Fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz em 2025

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Fonte: IEA.

Toda essa contextualização permite concluir que o ato americano deve ter impacto mais limitado para suprimir o choque de oferta atual, uma vez que as próprias refinarias do país operam próximas do limite operacional. Além disso, o volume é muito abaixo do que tem sido retido no Golfo Pérsico, o que mesmo para preços, no curtíssimo prazo, tende a contribuir para pressionar menos.

Trump anuncia que EUA “ganharam a guerra”, e embarcações são atacadas no Estreito de Ormuz

Na quarta-feira (11), três navios foram atingidos no Estreito de Ormuz, enquanto outros dois tankers de combustíveis perto do Iraque também sofreram ataques, levando a interrupção do carregamento de portos do país.

  • Os ataques vêm após o Irã admitir a estratégia de causar um choque econômico prolongado para pressionar a ação americana, com um comandante do exército do país afirmando que o mundo deveria se preparar para um petróleo em USD 200 bbl;
  • Em um evento em Kentucky, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos haviam “ganhado a guerra”, além de afirmar que os navios deveriam atravessar o estreito de Ormuz;

Panorama: A narrativa da Casa Branca contrasta com a realidade no Oriente Médio, conforme o regime iraniano não caiu com os ataques americanos e o mercado parece assimilar que o conflito se estenderá por mais tempo, especialmente com as intenções do Irã. Entretanto, a tentativa de forçar um cenário de vitória para os EUA poderia servir para a administração justificar um cessar-fogo no Oriente Médio mesmo que o objetivo principal não tenha sido atingido.

EUA registram alta dos estoques de petróleo

A última atualização do relatório DOE surpreendeu ao indicar uma alta maior que antecipada dos estoques de petróleo, que ficaram na ordem de 3,8 milhões de barris, tornando o nível das reservas comerciais mais confortável.

  • A alta aconteceu em meio a queda das exportações, que superou o aumento da demanda (+328 kbpd, +2,1%);
  • As reservas de diesel recuaram 1,3 milhão de barris, seguindo abaixo da média sazonal mesmo com produção mais alta (+132 kbpd, +2,7%).
  • A queda mais expressiva da gasolina (-3,6 milhões de barris), responde ao forte crescimento da demanda, que pode seguir influenciando em quedas mais aceleradas das reservas comerciais frente o ritmo de anos anteriores.

Por que isso importa? Mesmo com a maior demanda das refinarias, os estoques comerciais americanos se encontram em níveis mais confortáveis, reforçando que o país não deve sofrer com abastecimento interno.

O que esperar: Com o anúncio de liberação de 172 milhões de reservas estratégicas, o mercado americano encontraria mais fôlego para operações, mas, na prática, a medida não é determinante para garantir o funcionamento das refinarias do país, além de ser insuficiente para compensar a interrupção dos fluxos por Ormuz.  

Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

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Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.
  • Energia

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12 de agosto – O foco de hoje está na inflação, com os dados do índice de preços ao consumidor de julho divulgados nesta manhã. Temos este e mais um mês de dados antes da próxima reunião do Federal Reserve. Claro, as manchetes das guerras do Oriente Médio e do Mar Negro também têm uma influência contínua sobre os mercados. Os futuros das bolsas registraram ganhos nesta manhã, enquanto o VIX foi negociado logo abaixo de 15. O dollar index foi negociado perto de 99,7. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,66%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,18%. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 83, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 88 por barril. Os mercados de grãos e oleaginosas se recuperaram das perdas de ontem antes do tão aguardado relatório WASDE de safra de hoje, que está previsto para o meio-dia, horário do leste dos EUA.

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10 de agosto – Os mercados globais de commodities e a economia permanecem em risco em meio a duas guerras nesta manhã. As tensões continuam a escalar tanto no Oriente Médio quanto no Mar Negro – ameaçando arrastar outros países para os conflitos. As ações estão em leve queda nesta manhã à medida que iniciamos uma semana de negociações na qual veremos dados-chave de inflação e vendas no varejo após um relatório de empregos fraco na última sexta-feira. Ainda assim, as ações continuam a ser negociadas logo abaixo dos níveis recordes, com o VIX sendo negociado perto das mínimas de 2026, logo acima de 15. O dollar index está sendo negociado perto de 99,7. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,68%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,23%. Os mercados de energia e de alimentos estão mais firmes hoje em meio aos riscos elevados. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 80, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 85 por barril. Ganhos de dois dígitos nos mercados de trigo de inverno lideram a alta dos preços de grãos e oleaginosas.

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