Ontem (12), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, totalizando USD 100,46 bbl (+9,22%). Os futuros do WTI seguiram trajetória parecida, encerrando o dia em USD 95,73 bbl (+9,72%).
Tratou-se do maior fechamento para o Brent desde 2022, com o mercado assimilando que o Irã não deve retomar a navegação pelo Estreito de Ormuz em meio intensificação de ataques no Oriente Médio, inclusive contra embarcações no Golfo Pérsico.
Hoje pela manhã (13), o contrato do Brent para vencimento em maio de 2026 opera com queda de 1,09%, cotado a USD 99,35 bbl até as 09h30. O mercado reflete a autorização temporária dos EUA para a compra de petróleo e derivados da Rússia, em mais uma medida para tentar controlar a alta dos preços e ampliar a disponibilidade desses produtos no mercado internacional.
EUA autorizam venda temporária de petróleo russo
Com a escalada recente dos preços do petróleo, os Estados Unidos emitiram uma licença de 30 dias que permite a países comprar petróleo russo e derivados que atualmente estão retidos no mar.
- Nesta sexta-feira (13), Kirill Dmitriev, enviado do Kremlin, afirmou que a medida americana impacta cerca de 100 milhões de barris de petróleo russo.
- O Tesouro dos EUA já havia concedido no início do mês uma isenção de 30 dias específica para a Índia, um dos principais compradores .de produtos russos e também bastante afetada pela interrupção dos fluxos no Estreito de Ormuz.
- De acordo com agências de rastreamento, as exportações de derivados pela Rússia em fevereiro recuaram 3,3% diante condições climáticas desfavoráveis nos portos de Primorsk, Vysotsk, St. Petersburg and Ust-Luga e paradas não programadas de refinarias. Todavia, os fluxos pelos portos mais ao Leste aumentaram 8%.
Por que isso importa? A liberação das compras de produtos sancionados envolve mais um esforço para amenizar o choque de oferta global de petróleo e derivados. Em fevereiro, as exportações de petróleo somaram quase 4,2 mbpd. Todavia, a liberação ocorre sobre os navios já carregados de petróleo e derivados, o que pode limitar a efetividade de aumentar a disponibilidade de petróleo globalmente, promovendo uma possível reconfiguração temporária de fluxos.
O que esperar? A condição excepcional de choque de oferta pode levar a mais medidas que aliviem as sanções sobre a Rússia, permitindo uma entrada maior de produtos no mercado internacional para além do que o país tem conseguido escoar. Entretanto, essa medida pode afetar compradores tradicionais que se estabeleceram desde o início da guerra da Ucrânia, pois podem enfrentar concorrência de países que antes evitavam a importação.
Exportações mensais de petróleo e derivados pela Rússia – milhões de toneladas

Fonte: CREA. Elaboração: StoneX.
Governo anuncia isenção de tributos federais sobre o diesel
Após os preços domésticos de diesel B subirem para o consumidor final, refletindo o cenário internacional, o governo federal anunciou medidas que visam a redução de até R$ 0,64/L nos postos de combustíveis.
- Desse valor R$ 0,32/L seria via isenção dos impostos federais (PIS/Cofins), enquanto outros R$ 0,32/L por meio de uma subvenção que deve ser repassada para o consumidor final;
- Determina também a aplicação de tarifas sobre exportação de diesel (50%) e petróleo (12%), para compensar os custos projetados com a política e garantir petróleo para as refinarias domésticas;
- A desoneração dos impostos teria como validade até o dia 31 de maio, enquanto a subvenção se estenderia até o final de 2026.
Avaliação: A medida contribui sim para um alívio para os preços finais, mas não é capaz de compensar todo o aumento que se observa para o diesel. De acordo com a estimativa da StoneX, a disparidade com os preços internacionais se situa próximo de R$ 2/L até a sexta-feira (13). Conforme esses valores são repassados pela cadeia, a medida federal está dentro dos limites do governo para evitar uma aceleração maior dos preços, a exemplo do que ocorreu em 2022 com os efeitos da guerra da Ucrânia.
Evolução de preços médios do diesel B em São Paulo – R$/L

Fonte: ANP, Petrobras. Elaboração: StoneX.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.