
Petróleo avança com manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz
Ontem (17), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, totalizando USD 103,42 bbl (+3,2%). Os futuros do WTI seguiram trajetória parecida, encerrando o dia em USD 96,21 bbl (+2,9%).
A manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz segue oferecendo fôlego para os contratos do petróleo, indicando que apesar das altas mais contidas nas últimas sessões, o mercado ainda não encontrou um teto para o cenário que nos encontramos atualmente. Mesmo com rotas alternativas de exportação, estima-se que mais de 60% dos fluxos seguem retidos no Golfo Pérsico.
Hoje pela manhã (18), o contrato do Brent para vencimento em maio de 2026 opera com alta de 2,46%, cotado a USD 105,89 bbl até as 09h40. A interrupção dos carregamentos em Fujairah e falta de perspectiva sobre o fim da guerra, com Israel intensificando ataques contra o Irã, segue oferecendo apoio para os contratos.
Refinaria na Arábia Saudita retoma atividades e outras atualizações do conflito
A maior refinaria da Arábia Saudita retomou as atividades após duas semanas após um ataque de drone no início do mês. O Iraque voltou a exportar via Turquia e Trump afirma não precisar de países da OTAN para liberar Ormuz após o pedido do presidente não ser atendido por aliados.
- A refinaria da Saudi Aramco processa cerca de 550 kbpd, e havia sido alvo de múltiplos ataques desde o início de março;
- A região semiautônoma do Curdistão aceitou a proposta para a retomada das exportações via oleoduto de Kirkuk-Ceyhan. Entretanto, mercado entende que levará um tempo até se estabelecer os fluxos de 250 kbpd que foram anunciados por Bagdá.
Por que isso importa? A região segue buscando alternativas para contornar a crise, a fim de garantir a capacidade operativa de pontos estratégicos. Entretanto, esses esforços tem impacto limitado frente o problema atual, e a falta de perspectiva de retomada do Estreito de Ormuz a cada dia deixa de ser um problema de curto-prazo. Entende-se que todos os fluxos somem quase 7,2 mbpd, considerando que o Irã segue exportando uma média de 1,2 mbpd pelo Estreito, isso representa apenas 37% das exportações por Ormuz antes da guerra.
Brasil: Petrobras cancela leilões, ameaça de greve dos caminhoneiros e diesel russo
No Brasil, a Petrobras estava promovendo leilões de diesel e gasolina para entrega em abril, mas cancelou o volume pendente que seria negociado essa semana. Na outra frente, a ANATC (Associação Nacional das Empresas de Transporte de Carga) sinalizou a possibilidade de paralisação dos transportes no país.
- As licitações da Petrobras foram suspensas, de acordo com a companhia, para “avaliar cenários” em meio a volatilidade do mercado.
- Na frente das importações, agentes registram um aumento dos prêmios para o diesel russo. A reconfiguração dos fluxos de combustíveis com a guerra tem elevado a competição por cargas russas, estreitando o diferencial com outras referências.
- Em relação a greve, a motivação dos caminhoneiros está relacionada à alta do diesel, que na última semana viu os preços nos postos saltarem 10%, de acordo com a ANP.
- Governo busca contornar a paralisação por meio da garantia da tabela do piso mínimo do frete para os caminhoneiros, que garantiria uma remuneração maior para a categoria. A medida foi estabelecida em 2018, mas caminhoneiros afirmam que a falta de fiscalização não leva aos preços “justos” para o frete.
Panorama: A alta dos preços internacionais inevitavelmente encontra os consumidores domésticos, elevando a competição por cargas disponíveis. Apesar da dependência de importação, a ANP reporta que não há riscos de abastecimento no momento, entretanto, uma paralisação dos caminhoneiros pode levar a déficits regionais por disrupções logísticas internas.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.