
Discussões sobre cessar-fogo pressiona petróleo
Ontem (24), o contrato mais ativo do Brent fechou com alta de 4,5%, cotado a USD 104,5/bbl. Os futuros do WTI seguiram a mesma trajetória, encerrando o dia a USD 92,3/bbl, com avanços de 4,8%.
Ao longo da sessão passada, a manutenção de ataques iranianos contra países do Golfo Pérsico e a confirmação do Wall Street Journal sobre o envio de 3 mil soldados norte-americanos ao Oriente Médio reacendeu os alertas sobre uma escalada da guerra entre EUA e Irã, resultando no forte suporte aos futuros do petróleo.
Hoje pela manhã (25), o contrato do Brent com vencimento em maio de 2026 opera com queda de 5,9%, cotado a USD 94,3/bbl às 09h00. A retomada de negociações entre Washington e Teerã para um possível cessar-fogo volta a pressionar para baixo os futuros do petróleo, com o mercado precificando uma possível retomada dos fluxos pelo Estreito de Hormuz.
EUA propõe plano de 15 dias para cessar-fogo com Irã
Na noite de ontem, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a comentar sobre o progresso nas negociações com o regime iraniano, apresentando um tom otimista em relação às negociações diplomáticas. Ao mesmo tempo, fontes internas de Washington confirmaram um plano de 15 dias apresentado pela Casa Branca para consolidação de um acordo de cessar-fogo.
Por que isso é importante: As expectativas ao redor de uma resolução para o conflito acabam pressionando as cotações do petróleo para baixo, em meio ao entendimento de que o fim da guerra deve resultar imediatamente na reabertura do Estreito de Hormuz, dando fôlego ao balanço global da commodity, que segue significativamente apertado, com cerca de 12 milhões de barris por dia – ou 12% da oferta global – travados no Golfo Pérsico.
Panorama: No final da tarde de ontem, o Canal 12 – rede de televisão de Israel – havia confirmado que os EUA consideravam formalizar uma proposta de cessar-fogo de um mês com o Irã, o que ampliou as expectativas de uma reaproximação diplomática entre Washington e Teerã.
- De acordo com oficiais iranianos, o Paquistão vem intermediando a conversa entre os dois países, entregando na manhã de hoje o plano de cessar-fogo da Casa Branca para o governo do Irã.
- Apesar de negar negociações diplomáticas com os EUA, fontes internas de Teerã confirmaram que o regime considerar trabalhar com esse diálogo intermediado entre Paquistão e Turquia.
- Israel, por outro lado, mostra preocupação em relação ao avanço das conversas, em meio às incertezas sobre as concessões a serem feitas entre as partes.
O que esperar: Os investidores aguardam, agora, comunicações oficiais de negociação entre Washington e Teerã. Caso essa confirmação não venha, é possível que o mercado volte a adotar um tom altista para o petróleo, precificando a continuidade do bloqueio no Estreito de Hormuz.
- Vale destacar que hoje marca o 24º dia de suspensão dos fluxos pela via, com os impactos já sendo sentidos em maior medida na Ásia. A suspensão das exportações chinesas de combustíveis logo após o início do conflito pressionou outros consumidores asiáticos a procurarem fornecedores, com os terminais de exportação de petróleo e derivados dos EUA passando a operar próximo da capacidade máxima.
- Caso o bloqueio siga nos próximos dias, as pressões baixistas devem ser revertidas. No caso de um acordo entre EUA e Irã, os preços devem seguir uma trajetória de queda acelerada, refletindo o destravamento das exportações do Golfo Pérsico.
Rússia suspende parte das exportações de petróleo
De acordo com fontes russas, o porto de Ust-Luga e de Primorsk interromperam parte do carregamento de petróleo entre ontem e hoje, com ataques de drones ucranianos inviabilizando parte das operações nos principais terminais de exportação da Rússia para o ocidente.
Por que isso é importante: A redução dos fluxos russos de petróleo em um contexto de restrição de uma parte importante da oferta do Golfo Pérsico acaba pressionando ainda mais os balanços da commodity em algumas regiões, com menos fornecedores disponíveis para atender a demanda global.
- O porto de Primorsk conta com uma capacidade de escoamento próxima a 1 mbpd, sendo estratégico para o envio de produtos energéticos para o exterior.
- Paralelo a isso, estimativas apontam que Ust-Luga exportou cerca de 660 kbpd de derivados em 2025, ao passo que Primorsk foi responsável por escoar cerca de 336 kbpd de derivados no ano passado.
O que esperar: O mercado aguarda agora atualizações de Moscou sobre uma previsão de retorno da capacidade total de escoamento desses portos. Em um contexto de forte incerteza em relação à oferta de petróleo pelo Oriente Médio, a extensão da limitação da capacidade desses portos por um período maior deve trazer novos suportes aos preços do óleo bruto.
- Vale lembrar que, além das permissões dos EUA para que a Índia volte a comprar o petróleo russo, a Comissão Europeia vem considerando suspender a decisão de interromper as compras de energéticos russos no dia 15 de abril – o que dá fôlego para a Rússia seguir escoando o petróleo sancionado para outras regiões do globo em um contexto de forte restrição da oferta da commodity no Oriente Médio.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.