
Petróleo opera estável em meio às incertezas sobre conflito no Oriente Médio
Ontem (30), o contrato mais ativo do Brent fechou com alta de 1,97%, cotado a USD 107,4/bbl. Os futuros do WTI seguiram a mesma trajetória, encerrando o dia a USD 102,9/bbl, com avanços de 3,25%.
Ao longo da sessão passada, os preços do petróleo foram suportados pela entrada do grupo iemenita Houthi no conflito, ampliando os temores em relação à impactos nos fluxos logísticos de petróleo e derivados pelo Mar Vermelho.
Hoje pela manhã (31), o contrato do Brent com vencimento em junho de 2026 opera com estabilidade, cotado a USD 107,5/bbl (+0,1%) às 08h30. Apesar dos rumores sobre uma possível retirada da frota dos EUA no Golfo Pérsico, o ataque iraniano contra um tanqueiro de grande porte do Kuwait no Golfo Pérsico segue sustentando as cotações da commodity.
Rumores apontam para possível retirada de tropas pelos EUA
De acordo com um relatório do Wall Street Journal divulgado na noite de ontem, o presidente dos EUA, Donald Trump, considera finalizar a campanha militar norte-americana contra o Irã – mesmo em um cenário em que o Estreito de Hormuz se mantenha fechado.
Por que isso é importante: O relatório do WSJ resultou em sinais mistos para o mercado, dado que, apesar da notícia revelar uma possível redução expressiva das tensões geopolíticas no Oriente Médio com uma eventual retirada dos ativos militares dos EUA na entrada do Estreito de Hormuz, ela também indica que os barris suspensos do Golfo Pérsico podem não retornar ao mercado assim que Washington sinalizar essa saída da região.
- Na frente das negociações diplomáticas, o regime iraniano considerou as medidas determinadas pelo governo dos EUA para o fim da guerra como “irreais”, o que diminuiu ainda mais as expectativas de uma eventual consolidação de um acordo entre os dois países.
- Paralelo a isso, rumores apontam que Teerã considera, após a retirada dos EUA da região, reabrir o Estreito de Hormuz com a aplicação de taxas para a passagem de embarcações, em um modelo parecido com o observado no Canal de Suez, que conecta o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho.
Panorama: Desde meados da semana passada, os investidores passaram a precificar de maneira mais intensa a expectativa de uma extensão do período de suspensão dos fluxos pelo Golfo Pérsico, com o petróleo se sustentando acima dos USD 100 bbl desde o dia 11 de março.
- O ataque contra um navio tanqueiro tipo VLCC do Kuwait – capaz de transportar 2 milhões de barris por dia – pelo Irã na noite de ontem apoiou essa perspectiva, contribuindo para a manutenção de preços da commodity em patamares mais elevados.
O que esperar: Agora, as atenções do mercado se voltam para as possíveis ações do governo norte-americano. O volume de informações desencontradas acaba dificultando a previsão em relação à evolução do conflito, com os investidores atentos ao desenvolvimento da guerra nos próximos dias.
- Ao mesmo tempo, observa-se uma menor sensibilidade dos preços em relação às falas de Trump, com o mercado buscando se movimentar de acordo com informações e notícias mais concretas sobre o desenvolvimento do conflito.
- Paralelo a isso, as atenções também devem se voltar para a movimentação dos houthis, com uma eventual ofensiva contra embarcações que transitam o Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, podendo resultar em uma escalada ainda maior do conflito e dos preços do petróleo, dado que a via é uma das rotas alternativas do petróleo ofertado pela Arábia Saudita.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.