Ontem (07), o contrato mais ativo do Brent fechou com queda de 0,5%, cotado a USD 109,3/bbl. Os futuros do WTI seguiram a trajetória contrária, encerrando o dia a USD 112,9/bbl, com avanços de 0,5%.
As declarações mistas feitas por Trump ao longo da sessão passada e o aumento das incertezas em relação à situação geopolítica no Oriente Médio influenciou em uma ampla volatilidade dos preços do petróleo, com as principais referências da commodity seguindo caminhos opostos.
Hoje pela manhã (08), o contrato do Brent com vencimento em junho de 2026 opera com queda de 14,7%, cotado a USD 93,3/bbl até as 08h30. O derretimento dos preços reflete o acordo temporário de cessar-fogo firmado entre EUA e Irã na noite passada, com os investidores esperando uma retomada da circulação de petróleo e derivados pelo Golfo Pérsico.
Irã e EUA anunciam acordo de cessar-fogo
Após uma série de declarações mistas ao longo da sessão passada, o governo dos EUA e do Irã confirmaram, ao final da noite de ontem (07), um acordo de cessar-fogo, com prazo de duas semanas. A decisão está diretamente condicionada à reabertura imediata do Estreito de Hormuz.
Por que isso é importante: O primeiro cessar-fogo entre Washington e Teerã desde o início da guerra derrubou os prêmios de risco associados à oferta de petróleo no Golfo Pérsico, com os investidores precificando a retomada gradual das exportações da commodity pela região no curtíssimo prazo.
- O contrato mais ativo do NY Harbor ULSD – principal referência financeira do diesel – recuou 16,2%, evidenciando as expectativas de um aumento dos fluxos do combustível pelo estreito e uma redução do estresse sobre o balanço global.
- Até o momento, não há informações concretas sobre a recirculação de embarcações pela via. Espera-se que a reabertura do Estreito de Hormuz seja feita com a adoção da política de pedágios e taxas de tráfego implementadas pelo Irã em parceria com Omã.
- Vale lembrar que cerca de 800 navios seguem travados no Golfo Pérsico, de modo que o cessar-fogo deve aliviar a pressão logística na região e permitir, enquanto o acordo durar, a volta do transporte de commodities energéticas e agrícolas na intersecção entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico.
O que esperar: No curtíssimo prazo, as atenções do mercado devem se voltar completamente à circulação das embarcações na região, o que deve contribuir para a manutenção de preços abaixo do observado nos últimos dias.
- Ao longo das próximas semanas, no entanto, os investidores também devem seguir de perto as discussões entre EUA e Irã. Apesar da consolidação do cessar-fogo, existe ainda uma ampla divergência em relação à diversos pontos demandados para o fim da guerra, o que deve dificultar um acordo de paz definitivo.
- Caso esse acordo não saia nos próximos dias, o mercado deve voltar a observar uma trajetória altista das cotações. Por outro lado, a consolidação de uma resolução de paz deve estender a queda dos contratos do petróleo e de derivados fósseis, com os riscos logísticos associados ao fluxo do Golfo Pérsico derretendo.
Fluxo de navios no Estreito de Hormuz nessa manhã

Fonte: MarineTraffic.
ESPECIAL – Importação de diesel pelo Brasil
De acordo com dados divulgados pelo MDIC, as importações de diesel pelo Brasil em março recuaram 25% no comparativo com fevereiro, atingindo 1,05 milhão de m³. A redução expressiva das cargas destinadas ao Brasil reflete tanto um aumento significativo da competição pelo produto no mercado internacional, quanto pelo avanço dos preços do produto importado que chega aos portos brasileiros.
A redução das cargas ocorreu principalmente pelo produto originado dos EUA, que teve a sua participação caindo para menos de 1% - frente aos 8,3% registrados no mês passado. A diminuição do share norte-americano reflete, provavelmente, um redirecionamento das cargas de diesel exportado pelo país para outras regiões que vem pagando prêmios maiores ao combustível, principalmente a Ásia – que mais vem sentindo os impactos com a suspensão dos fluxos de derivados fósseis pelo Estreito de Hormuz.
Importação mensal de diesel A pelo Brasil - Milhões de m³

Fonte: MDIC. Elaboração: StoneX.
Em meio a esse contexto de menor oferta dos EUA, a Rússia aumentou a sua participação, indo de 58% para 75%, com o país do Leste Europeu mantendo um volume semelhante de exportações em relação ao observado em fevereiro. Apesar dos ataques ucranianos contra portos ocidentais estratégicos da Rússia em meados de março e uma redução temporária das exportações de combustíveis, é esperado que os impactos dessa menor oferta sejam sentidos nas cargas programadas para abril.
Outro ponto interessante se deu na manutenção da participação da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, com cada um respondendo por cerca de 130 mil m³ escoados ao Brasil. Tal cenário reflete ou impactos maiores do fechamento do Estreito de Hormuz para as cargas previstas para abril, ou uma capacidade de escoamento desses produtos pelo Mar Vermelho.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.