Ontem (08), o contrato mais ativo do Brent fechou com queda de 13,3%, cotado a USD 94,8/bbl. Os futuros do WTI seguiram a mesma trajetória, encerrando o dia a USD 94,4/bbl, com redução de 16,4%.
O anúncio de um acordo bilateral de cessar-fogo entre EUA e Irã resultou em um derretimento dos prêmios de risco de oferta no Golfo Pérsico, com os investidores precificando uma retomada gradual do escoamento de petróleo e derivados pelo Estreito de Hormuz.
Hoje pela manhã (09), o contrato do Brent com vencimento em junho de 2026 opera com alta de 4%, cotado a USD 98,6/bbl até as 09h00. A fragilidade do acordo de cessar-fogo atual e o anúncio de um novo bloqueio à passagem no Estreito de Hormuz pelo Irã contribui para uma recuperação das cotações do petróleo nesse momento.
Irã fecha Estreito de Hormuz novamente
As autoridades iranianas anunciaram, ao final da tarde de ontem, um novo bloqueio no Estreito de Hormuz, como resposta aos ataques promovidos por Israel em território libanês. Paralelo a isso, Teerã afirmou que seria “irracional” negociar um acordo definitivo de paz com os EUA em um contexto de manutenção dos ataques israelenses contra aliados do Irã.
Por que isso é importante: O novo bloqueio do estreito acaba evidenciando a fragilidade do acordo bilateral de cessar-fogo negociado na última terça-feira (07), com parte dos prêmios de risco de oferta no Golfo Pérsico voltando a compor os contratos futuros do petróleo.
- Paralelo a isso, a confirmação de ataques em outros países – incluindo o oleoduto que conecta campos de petróleo da Arábia Saudita ao Mar Vermelho – contribui para uma recuperação das cotações.
- Nesse sentido, a situação logística segue idêntica ao observado no período prévio ao cessar-fogo, com um volume significativo de embarcações travadas no Golfo Pérsico e um menor escoamento de petróleo e derivados para outros continentes.
O que esperar: Nesse momento, as atenções dos investidores seguirão voltadas para a efetividade do cessar-fogo. Caso, de fato, o estreito permaneça fechado, é possível que os próximos dias sejam marcadas por uma recuperação mais consistentes das cotações, com o mercado voltando a precificar as disrupções de oferta do Oriente Médio.
- Além disso, novas informações sobre o encontro entre delegações do Irã e dos EUA no Paquistão, nesse final de semana, para discutir uma resolução definitiva de paz, também devem resultar na volatilidade dos preços do petróleo.
ESPECIAL: Exportações de petróleo pelo Brasil
As exportações de petróleo pelo Brasil atingiram o valor mais alto desde março de 2023, totalizando 2,5 milhões de barris por dia (mbpd). O volume é o segundo maior da série histórica, com uma alta mensal de 12,4%. O avanço das exportações já era esperado, conforme o fechamento do Estreito de Hormuz resultou em uma busca intensa de países importadores por produtos providos por outras origens, encontrando no mercado brasileiro parte da oferta perdida no Oriente Médio.
Exportações de petróleo pelo Brasil – mbpd

Fonte: MDIC. Elaboração: StoneX.
Dentre esses consumidores, a China seguiu se destacando nas compras de petróleo do Brasil, demandando 1,62 mbpd em março – maior volume da série histórico. O país asiático representou 67% das exportações brasileiras, seguido pela Índia (7%), Espanha (6,7%) e EUA (6,1%). Essa maior participação da Ásia acaba refletindo a necessidade do continente de diversificar ainda mais os seus fornecedores, com o Brasil se beneficiando desse cenário e escoando um maior volume de petróleo para o exterior.
Assim como no caso das importações de diesel, as exportações de petróleo para abril ainda são incertas. A abertura do Estreito de Hormuz deve aliviar a pressão asiática, o que poderia resultar em uma menor busca do petróleo brasileiro – dada a proximidade geográfica e os benefícios logísticos desse comércio dos países do Golfo Pérsico com o continente.
Ao mesmo tempo, a retomada gradual dos fluxos pelo Estreito de Hormuz é um fator que deve garantir a manutenção de volumes elevados de vendas do Brasil para alguns consumidores da região, principalmente China e Índia.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.