
Preços do petróleo devem fechar semana em queda
Ontem (9 de abril), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, totalizando USD 95,92/bbl (+1,2%). Os futuros do WTI seguiram trajetória parecida, encerrando o dia em USD 97,87/bbl (+3,7%).
Em mais um dia bastante volátil, o mercado oscilou entre altas superiores a 5% no intraday — com o WTI chegando a tocar USD 102,7/bbl — e uma moderação no fechamento, após Israel anunciar a abertura de negociações com o Líbano. Em contrapartida, a confirmação pela Arábia Saudita de que ataques reduziram a capacidade de produção do país adicionou pressão altista após o fechamento.
Hoje pela manhã (10 de abril), o Brent opera em estabilidade, cotado a USD 96,48/bbl (+0,1%), sustentado pelo dano confirmado à infraestrutura saudita e pelo impasse persistente em Hormuz. Por outro lado, as expectativas ao redor de novas conversas para uma resolução definitiva de paz acabam contrabalanceando a manutenção do fechamento do estreito.
Israel busca negociação com Líbano enquanto bombardeios ameaçam trégua com Irã
O presidente do Irã, Benjamin Netanyahu, anunciou ontem que instruiu seus funcionários a iniciar negociações de paz diretas com Beirute o quanto antes, incluindo a desmilitarização do Hezbollah — um dia após Israel realizar os maiores bombardeios contra o Líbano desde o início do conflito. O Irã sinalizou que o cessar-fogo só se sustenta se o Líbano for incluído, enquanto o regime central do país prometeu levar a gestão do Estreito de Ormuz a "uma nova fase."
Por que isso importa? A inclusão ou não do Líbano no cessar-fogo é o ponto central que define se Ormuz será reaberto ao tráfego normal. Enquanto Israel e EUA tratam o conflito no Líbano como uma frente separada e o Irã insiste que são inseparáveis, a trégua segue ineficaz na prática. O mercado assimila que uma reabertura plena de Ormuz exige uma solução política mais ampla — não apenas um cessar-fogo parcial.
Panorama: O entendimento prevalente é de que a situação geopolítica segue fragmentada: há um cessar-fogo formal entre EUA e Irã, mas o conflito armado continua no Líbano e Ormuz permanece bloqueado. A perspectiva de negociações Israel-Líbano em Washington na próxima semana é um dado positivo, mas o Hezbollah já rejeitou negociações diretas com Israel, o que limita o otimismo no curto prazo.
- No primeiro dia do cessar-fogo, apenas um tanqueiro e cinco graneleiros passaram pelo estreito. Trump afirmou que o petróleo "voltará a fluir", mas sem detalhar prazos para esse retorno; também advertiu que o Irã "não deve cobrar pedágio" para a passagem de navios.
- O Parlamento iraniano e o Paquistão insistem que Líbano, Iêmen e aliados de Teerã são parte integrante do acordo.
O que esperar: A reunião em Washington na próxima semana será um termômetro importante. Caso o Líbano aceite participar e haja sinalização de cessar-fogo bilateral, o mercado pode precificar uma redução dos riscos geopolíticos na região. O risco central, porém, é que o Hezbollah dificulte qualquer avanço diplomático — mantendo o prêmio de risco nos preços e impedindo a normalização dos fluxos físicos.
- Paralelo a isso, as atenções do mercado também devem se dirigir às negociações de paz entre Irã e EUA, que ocorrerão ao longo dos próximos dias.
Arábia Saudita confirma impactos produtivos e logísticos com ataques iranianos
A SPA – agência secreta da Arábia Saudita – divulgou ontem que ataques à infraestrutura energética do reino reduziram a capacidade de extração de petróelo em cerca de 600 kbpd, além de uma diminuição na capacidade de transporte pelo oleoduto que conecta os campos ao Mar Vermelho em aproximadamente 700 kbpd. Os campos de Manifa e Khurais foram diretamente atingidos, assim como refinarias em Jubail, Ras Tanura, Yanbu e Riad — com impacto também sobre exportações de GLP e líquidos de gás natural.
Por que isso importa? O Oleoduto Leste-Oeste é hoje a única rota de exportação de petróleo bruto da Arábia Saudita com o Estreito de Hormuz bloqueado. Ao atingir simultaneamente a produção e a via alternativa de escoamento, os ataques eliminaram a válvula de segurança que o mercado esperava manter ativa durante o conflito.
Panorama: A combinação de Ormuz bloqueado com dano à rota terrestre alternativa representa um choque de oferta de múltiplas camadas. Cerca de 50 ativos de infraestrutura no Golfo já foram danificados desde o início do conflito, com aproximadamente 2,4 mbpd de capacidade de refino fora de operação
- Os campos de Manifa e Khurais respondem juntos por cerca de 600 mil bpd de capacidade produtiva saudita, com prazo de retorno à operação ainda indefinido. Refinarias também foram atingidas, com impacto direto sobre exportações de derivados.
O que esperar: A pressão altista nos preços físicos deve persistir enquanto a capacidade saudita permanecer comprometida. Mesmo que o estreito seja reaberto, o gap de oferta criado pelo dano à produção e ao refino pode semanas para ser absorvido. O risco de alta é que novos ataques atinjam o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, ou outros pontos críticos da cadeia exportadora saudita.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.