Ontem (14), o contrato mais ativo do Brent fechou em queda, encerrando o dia em USD 94,79/bbl (-4,60%). Os futuros do WTI seguiram trajetória mais acentuada de baixa, encerrando o dia em USD 91,20/bbl (-7,87%).
Os preços do petróleo recuaram de maneira extensa ao longo da sessão passada, refletindo principalmente rumores relacionados a uma reabertura dos canais diplomáticos entre os Estados Unidos e Irã. No geral, o mercado precificou a possibilidade de uma retomada dos fluxos de petróleo pelo Estreito de Hormuz em um eventual cenário de confirmação de uma resolução definitiva de paz entre os dois países.
Hoje pela manhã (14), o contrato do Brent para vencimento em junho de 2026 opera estável, cotado a USD 94,9/bbl (+0,1%) até as 06h30. A falta de informações concretas sobre o avanço das negociações diplomáticas dificulta a percepção de risco relacionada à continuidade do conflito, com os investidores em compasso de espera, aguardando novos desdobramentos nessa frente.
Bloqueio naval americano paralisa completamente o comércio marítimo do Irã
Em menos de 36 horas, os EUA afirmaram ter interrompido integralmente o comércio marítimo iraniano. O tráfego no Estreito de Ormuz permanece muito abaixo dos mais de 130 cruzamentos diários observados antes do conflito iniciado em 28 de fevereiro.
Por que isso é importante: O bloqueio afeta o principal canal de exportação de energia do Golfo, elevando a pressão estrutural sobre a oferta global mesmo diante do otimismo diplomático.
Panorama: Segundo a IEA, o conflito já provocou a maior disrupção de oferta da história, com perda de 10,1 milhões bpd em março. O bloqueio foi ampliado ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia após o fracasso das negociações.
- No primeiro dia completo da operação, apenas oito embarcações cruzaram o estreito. O custo dos seguros de guerra segue elevado, com corretores projetando pouco ou nenhum tráfego comercial no curto prazo.
- Além disso, os EUA confirmaram que não pretendem renovar a isenção das sanções sobre o petróleo iraniano estocado em plataformas marítimas, pressionando ainda mais o balanço global.
- A impossibilidade de escoar volumes pelo Estreito de Ormuz está forçando refinarias globais a buscar suprimento alternativo em outras regiões produtoras, pressionando os diferenciais de qualidade e origem para patamares inéditos. Um carregamento de WTI Midland para entrega em Roterdã foi negociado em um prêmio recorde de USD 22,8 bbl acima dos preços europeus de referência na sessão de terça-feira.
O que esperar? Mesmo com avanços diplomáticos, a normalização do fluxo marítimo dependerá de estabilização operacional e da recomposição da cobertura de seguros, o que deve manter o tráfego deprimido no curto prazo.
- Paralelo a isso, o diferencial entre o preço físico e financeiro segue operando em patamares superiores a USD 30 bbl, evidenciando o estresse no balanço global em meio à falta do produto provido pelo Golfo Pérsico.
Negociações EUA-Irã: sinais de retomada em Islamabade, mas pontos críticos persistem
Os EUA e Irã sinalizaram retomada das negociações nos próximos dias no Paquistão. Trump minimizou a necessidade de estender o cessar-fogo até 21 de abril, enquanto JD Vance adotou tom mais otimista.
Por que isso é importante: Cada sinal diplomático tem provocado redução do prêmio de risco sobre os preços do petróleo. No entanto, a questão nuclear segue como principal entrave, com grande distância entre as propostas das partes – o que pode limitar as quedas observadas em sessões anteriores caso não haja a consolidação de uma resolução definitiva de paz.
Panorama: Rumores apontam que os EUA exigem suspensão do programa nuclear iraniano por 20 anos, ao passo que o Irã propõe de três a cinco anos.
O que esperar? As atenções do mercado devem se manter dirigidas aos novos desdobramentos diplomáticos no curto prazo.
- Sinais concretos de avanço nas negociações nucleares devem manter a pressão baixista sobre as cotações.
- Uma ruptura, por outro lado, especialmente com o vencimento do cessar-fogo em 21 de abril, tende a reintroduzir uma nova trajetória altista.
API aponta aumento dos estoques de petróleo nos EUA
O mercado aguarda para esta quarta-feira (15) a divulgação dos dados oficiais de estoques americanos pela Administração de Informação de Energia (EIA), às 11h30 (horário de Brasília). Levantamentos preliminares do API ontem indicam que os estoques de petróleo bruto devem ter subido levemente na semana, enquanto os de destilados e gasolina caíram.
Por que isso importa? Em um contexto de maior choque de oferta da história, os dados semanais de estoques americanos ganham relevância adicional como termômetro da pressão sobre o balanço doméstico norte-americano e do ritmo de absorção dos volumes redirecionados de outras origens.
Panorama: Dados preliminares do Instituto Americano do Petróleo (API) indicam alta nos estoques de bruto pela terceira semana consecutiva, sugerindo que o reabastecimento doméstico americano segue em curso, favorecido pela produção ampla e pelo repasse das reservas estratégicas (SPR) aos estoques comerciais.
O que esperar? A leitura dos dados do EIA tende a ser interpretada no contexto do rebalanceamento global em curso. Alta de estoques domésticos pode reforçar a perspectiva de que os EUA têm capacidade de ampliar exportações, mas não necessariamente alivia de maneira significativa a pressão sobre os mercados físicos internacionais dependentes do Golfo.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.