Ontem (15), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, totalizando USD 94,93/bbl (+0,15%). Os futuros do WTI seguiram trajetória parecida, encerrando o dia em USD 91,29/bbl (+0,01%).
Os contratos do petróleo operaram com ampla volatilidade ao longo da sessão, sustentado pela queda inesperada nos estoques comerciais e estratégicos de petróleo nos EUA, mas contido pelo tom cauteloso em relação às negociações entre Washington e Teerã, com Trump mostrando um maior otimismo em relação à possibilidade de um acordo definitivo.
Hoje pela manhã (16), o contrato do Brent para vencimento em junho de 2026 opera com alta de 1,74%, cotado a USD 96,58/bbl até as 08h32 (GMT). O movimento de reversão reflete o ceticismo crescente do mercado sobre a capacidade das negociações EUA-Irã de produzir um acordo rápido o suficiente para normalizar os fluxos pelo Estreito.
Negociações EUA-Irã: mediação paquistanesa tenta evitar retomada do conflito
O governo Trump sinalizou otimismo com as perspectivas de um acordo para encerrar o conflito com o Irã, mas combinou esse tom com um endurecimento econômico visível, incluindo a não renovação de isenções de sanções sobre o petróleo iraniano e russo suspensos em plataformas marítimas, além de alertas sobre sanções secundárias a compradores da commodity fornecida pelo Irã. O mediador paquistanês, marechal Asim Munir, chegou a Teerã na quarta-feira para tentar reduzir as divergências entre as partes, com uma nova rodada de conversas possivelmente ainda neste fim de semana.
Por que isso é importante: O mercado interpreta os sinais diplomáticos com cautela, dado que as negociações do fim de semana anterior já haviam terminado sem um acordo definitivo. A entrada de Munir em Teerã e o otimismo declarado da Casa Branca são insuficientes para reduzir o prêmio de risco enquanto o Estreito permanece operando muito abaixo da capacidade normal.
- Ainda assim, é importante frisar que a continuidade de negociações acaba contribuindo para uma precificação mais baixa dos preços do petróleo no mercado financeiro quando comparado ao físico spot, que trabalha ao redor dos USD 116 bbl em meio à um balanço global muito estressado.
- Nesse sentido, espera-se que, até o momento da entrega desse produto – no caso do primeiro contrato do Brent, em junho – haja uma desescalada e a retomada gradual da normalização dos fluxos pelo Estreito de Hormuz.
Panorama: A disputa nuclear é um dos principais nós da negociação: Washington propôs uma suspensão de 20 anos de toda atividade nuclear iraniana, enquanto Teerã aceitaria uma pausa de três a cinco anos. Os EUA também demandam a remoção do material nuclear enriquecido do país, condição rejeitada pelo Irã. O conflito no Líbano, onde Israel mantém operações contra o Hezbollah, adiciona outra variável: o Irã insiste que o cessar-fogo deve ocorrer nessa frente, posição recusada por Israel e pelos EUA.
- Em meio às dificuldades para um acordo definitivo, rumores confirmaram que Teerã e Washington consideram aumentar em duas semanas o cessar-fogo temporário, como forma de reduzir as pressões para formalização de uma resolução de paz.
- O Irã sinalizou que poderia permitir a livre circulação de navios pelo lado de Omã do Estreito caso um acordo seja fechado para prevenir a retomada do conflito, mas a condição permanece atrelada à conclusão de um pacto mais amplo.
- O Conselho de Ministros de Israel se reuniu para discutir um possível cessar-fogo no Líbano, com fontes libanesas confirmando que negociações estão em curso, sem definição de prazo ou duração.
O que esperar: O mercado segue em compasso de espera, com as esperanças de um acordo no curto prazo voltando a cair, o que garante esse avanço das cotações na manhã de hoje.
- Agora, os investidores devem se manter atentos às negociações entre as partes – fator que deve seguir adicionando volatilidade às cotações.
- É importante lembrar que, conforme o tempo passa e uma resolução definitiva de paz não se consolida, espera-se que os contratos financeiros voltem a precificar mais a situação do mercado físico, o que tende a devolver os prêmios perdidos nas últimas semanas.
DOE registra queda dos estoques de petróleo nos EUA
Seguindo o caminho contrário ao divulgados pelo API no dia anterior, os dados do DOE apontaram para um recuo 900 mil barris dos estoques comerciais de petróleo dos EUA. Somado a isso, foi registrada também uma queda em quase 5 milhões de barris das reservas estratégicas (SPR).
Por que isso é importante: O recuo mais expressivo dos estoques da commodity, após semanas operando em alta, reflete o início dos impactos do conflito do Golfo Pérsico sobre o balanço do petróleo norte-americano, com mais países asiáticos buscando o energético provido pelos EUA, o que garantiu níveis anuais recordes de exportação na semana passada.
- Vale destacar que os estoques comerciais de diesel e gasolina também operaram em queda, na ordem de 3,1 milhões e 6,3 milhões de barris, respectivamente.
- No caso do diesel, o recuo foi reflexo de um aumento significativo das exportações e a manutenção de um consumo doméstico elevado, o que pesou sobre as reservas do energético.
- No caso da gasolina, o recuo expressivo das importações do combustível, somado a uma demanda ainda aquecida (mesmo em um contexto de preços mais elevados), contribuiu para o balanço deficitário do combustível ao longo da semana passada.
O que esperar: Nesse momento, os choques de oferta do Golfo Pérsico para países da Ásia e da Europa começam a impactar de maneira mais nítida o mercado norte-americano, contribuindo para uma redução mais acelerada dos estoques do país em meio à maximização das exportações de commodities energéticas.
- Dessa forma, espera-se que a manutenção do fechamento do Estreito de Hormuz resulte numa maior pressão para que os EUA sigam escoando um maior volume da sua produção para outros países, o que contribui para uma redução mais acelerada das reservas comerciais, mesmo em um contexto de crescimento dos repasses das reservas estratégicas, conforme aprovado em ação coordenada dos países da IEA
- Ao mesmo tempo, é esperado que os diferenciais de diesel e de gasolina com o petróleo se mantenham sustentados, conforme os estoques desses derivados seguem uma trajetória de queda mais acelerada.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.