
Petróleo recua com maior otimismo nas negociações diplomáticas
Ontem (16), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, totalizando USD 99,39/bbl (+4,70%). Os futuros do WTI seguiram trajetória parecida, encerrando o dia em USD 94,69/bbl (+3,70%).
Mesmo após a confirmação de um cessar-fogo entre Israel e Líbano pelos EUA, os investidores voltaram a precificar de maneira mais intensa a situação no mercado físico, com a disrupção de oferta de alguns derivados – principalmente o QAV – na Europa e na Ásia contribuindo para suportar as cotações de diversas commodities energéticas.
Hoje pela manhã (17), o contrato do Brent para vencimento em junho de 2026 opera em queda de 3,11%, cotado a USD 96,30/bbl até as 09h42 GMT. O mercado volta a reagir à trégua de dez dias entre Israel e Líbano e a perspectiva de novas conversas entre EUA e Irã no fim de semana, com as expectativas de que novas negociações possam abrir espaço para alguma descompressão geopolítica.
Negociações EUA-Irã encerram semana em compasso de espera, com Ormuz ainda bloqueado
O mercado encerra a semana oscilando entre os sinais de avanço diplomático e a realidade operacional de um bloqueio que já dura quase 50 dias. Trump afirmou que Teerã teria concordado com condições que incluem a reabertura do Estreito de Ormuz, apesar do regime iraniano não ter se pronunciado sobre o assunto.
Por que isso é importante: Os efeitos do bloqueio por um período extenso já começam a ficar mais visíveis, com relatos de desabastecimento de petróleo e derivados na Ásia, Europa e África.
- Conforme as últimas cargas de energéticos do Golfo Pérsico chegaram aos continentes asiático e europeu nas primeiras semanas de abril, os efeitos da suspensão dos fluxos pelo Estreito de Ormuz já começam a ficar mais evidentes nessas regiões.
- De acordo com a IEA, a Europa tem “cerca de seis semanas de reservas de QAV”, o que reflete os riscos elevados em relação à indisponibilidade de combustíveis do continente no curtíssimo prazo.
- Vale notar que o bloqueio naval americano aos portos iranianos, anunciado após o colapso das conversas no fim de semana anterior, acrescenta uma camada adicional de restrição ao escoamento, mesmo que alguns navios sancionados tenham conseguido atravessar.
- Além disso, a IEA também confirmou que pode levar até dois anos para que uma parcela significativa da produção de petróleo e gás do Oriente Médio interrompida pelo conflito seja recuperada, o que já evidencia os efeitos de longo prazo do conflito entre EUA e Irã.
O que esperar: O acordo de cessar-fogo entre Israel e Líbano acrescenta uma pressão baixista no mercado financeiro por conta das expectativas de que essa movimentação possa incentivar uma resolução definitiva de paz entre Teerã e Washington nesse final de semana.
- Ao mesmo tempo, o descompasso dos preços na bolsa com o mercado físico segue evidente, conforme a situação no balanço global já começa a se deteriorar de forma mais acelerada.
- Nesse sentido, a sessão da próxima segunda-feira (20) deve refletir os resultados diplomáticos dos próximos dois dias, com as atenções dos investidores se mantendo nas conversas mediadas pelo Paqusitão.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.