
Falas de Trump sobre guerra pressionam petróleo para baixo
Ontem (19), o contrato mais ativo do Brent fechou em queda, a USD 111,28/bbl (-0,73%), após atingir na véspera o patamar mais alto desde 5 de maio. O WTI para junho — contrato que expirou na sessão — encerrou a USD 107,77/bbl (-0,82%), enquanto o de julho, referência mais ativa, recuou a USD 104,15/bbl.
O movimento baixista foi desencadeado por declarações do vice-presidente JD Vance sinalizando progresso nas tratativas com o Irã e ausência de vontade de retomada militar por ambos os lados, acarretando redução do prêmio de risco em contratos de curto prazo, com posições compradas sendo parcialmente desmontadas. A resposta foi imediata, mas limitada, dado que o mercado reconhece que qualquer distensão diplomática não se traduz em reposição de oferta no curtíssimo prazo.
Nesta manhã (20), o Brent opera com queda adicional de cerca de 1,7%, a USD 109,5/bbl. As falas recentes de Donald Trump – incluindo a confirmação de que a guerra no Oriente Médio iria “acabar logo” – contribuem para uma redução dos prêmios de risco nesse momento, apesar da falta de medidas tangíveis para avançar com as negociações diplomáticas.
Trump faz comentários divergentes sobre situação no Oriente Médio
Ao longo dos últimos dias, as negociações avançaram o suficiente para que Trump adiasse um ataque previsto para esta terça-feira, mas não para afastar as ameaças, com o presidente norte-americano sinalizando a retomada das ofensivas em "poucos dias" na ausência de acordo. Teerã, por sua vez, apresentou proposta que inclui fim das hostilidades, retirada de forças americanas, reparações de guerra e suspensão do bloqueio naval — termos que Washington havia rejeitado na semana anterior.
Por que isso importa: O canal de impacto é o prêmio de risco geopolítico, que recua mesmo em um contexto de ampla incerteza em relação à credibilidade das negociações, ficando pautado nas novas falas de Trump. Estruturalmente, o viés segue altista, dado o balanço físico fragilizado e a falta de medidas mais concretas para reabertura do Estreito de Ormuz.
Panorama: O Estreito de Hormuz permanece efetivamente fechado ao tráfego regular; apenas dois supertanqueiros saíram do estreito nesta quarta-feira, ante cerca de 130 transições diárias típicas no pré-guerra.
- Os EUA apreenderam o tanqueiro iraniano *Skywave* no Oceano Índico — sancionado em março por transportar petróleo iraniano — sinalizando continuidade da pressão coercitiva mesmo durante as tratativas diplomáticas.
- Um terceiro supertanqueiro aguardava há mais de dois meses no Golfo Pérsico com 6 milhões de barris a bordo — indicador concreto do represamento físico de oferta ainda sem resolução.
O que esperar: Caso as negociações avancem para uma rodada formal antes do fim da semana, o prêmio de risco imediato pode ceder outros USD 3–5/bbl, mas o mercado tende a manter o piso elevado enquanto o estreito não reabrir. Inversamente, qualquer retomada de ação militar — cenário que Trump manteve explicitamente sobre a mesa — abriria espaço para nova alta mais acelerada.
API aponta para nova queda dos estoques de petróleo nos EUA
As reservas estratégicas dos EUA registraram retirada recorde de 9,9 milhões de barris na semana passada, reduzindo o SPR para aproximadamente 374 milhões de barris — menor nível desde julho de 2024. Os estoques comerciais de petróleo cru devem registrar queda adicional de cerca de 3,4 milhões de barris, segundo pesquisas, com os dados da EIA esperados ainda hoje.
Por que isso importa: O ritmo de uso do SPR sinaliza que os EUA estão absorvendo parte do choque de oferta com estoques estratégicos, sendo uma solução com prazo limitado. Cada semana de retiradas desta magnitude estreita a margem de manobra da política americana e aumenta a pressão política interna por resolução diplomática.
Panorama: Estoques comerciais de cru nos EUA acumulam quedas consecutivas há pelo menos cinco semanas, conforme dados do API divulgados ontem.
- O Tesouro dos EUA prorrogou por 30 dias a isenção de sanções para compras de petróleo russo via mar por países "energeticamente vulneráveis", mantendo esse fluxo ativo no curto prazo – na busca por reduzir as pressões sobre as exportações norte-americanas da commodity, principalmente na Ásia.
- Os 374 milhões de barris do SPR representam uma redução de cerca de 100 milhões de barris em relação aos níveis históricos pré-pandemia, limitando a capacidade de absorção de novos choques sem impacto sobre os preços.
O que esperar: Se a EIA confirmar queda próxima ou superior a 3,4 milhões de barris hoje, o mercado deve interpretar o dado como suporte adicional ao preço, especialmente na ausência de resolução diplomática. Com o SPR sendo queimado em ritmo recorde, a sustentabilidade dessa política é limitada no médio prazo — o que tende a manter os preços mais elevados nesse meio tempo.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.