Ontem (01), o contrato mais ativo do Brent fechou em firme alta, totalizando USD 94,98/bbl (+4,2%). O WTI encerrou em USD 92,16/bbl (+5,5%), ambos revertendo a direção de maio, quando perderam entre 17% e 19% — as maiores quedas mensais desde o início da pandemia, em março de 2020. O movimento foi impulsionado por notícias sobre a suspensão das negociações entre o Irã e os EUA e por ameaças de bloqueio total do Estreito de Ormuz por Teerã.
O principal driver do dia foi a intensificação do risco geopolítico: o Irã interrompeu as interlocuções indiretas com os EUA, ao passo que Israel ampliou as operações militares no Líbano. A declaração de aliados iranianos sobre um possível bloqueio completo de Ormuz e de outras rotas, como Bab el-Mandeb, catalisou uma reprecificação do prêmio de risco embutido nos futuros do petróleo.
Nesta manhã, o Brent é negociado a USD 93,45/bbl (-1,6%) e o WTI, a USD 90,74/bbl (-1,5%), corrigindo parte do rali anterior. O sentimento é de cautela, com investidores atentos ao posicionamento das partes envolvidas. Trump declarou que as negociações com o Irã continuam, mas o mercado segue precificando incerteza quanto à posição iraniana.
EUA e Irã voltam a travar nas negociações
O rompimento das conversas entre o Irã e os EUA, reportado pela Tasnim, ampliou o risco de fechamento do Estreito de Ormuz e de outras passagens críticas, como Bab el-Mandeb, com Teerã confirmando a possibilidade de bloquear a via do Mar Vermelho por meio dos houthis, no Iêmen. A entrada de tropas israelenses no Líbano e os movimentos do Hezbollah adicionaram complexidade ao quadro, enquanto o anúncio do lançamento de minas marítimas em Ormuz elevou os riscos operacionais.
Por que isso importa: A perspectiva de um bloqueio total de Ormuz pelo Irã eleva o prêmio de risco no Brent. Quanto mais persistirem as tensões, maior será a pressão sobre os estoques comerciais e o risco de movimentos abruptos na curva, alimentados pela redução da liquidez física. Se a crise se prolongar além de julho, podem surgir disfunções estruturais, como escassez de tipos específicos de petróleo, disparada dos fretes e volatilidade mais ampla nos preços.
O que esperar? O cenário-base envolve a manutenção do prêmio de risco enquanto os impasses persistirem; o fluxo físico restrito em Ormuz e as ameaças de bloqueio em Bab el-Mandeb tendem a sustentar o Brent acima de USD 90/bbl. Caso haja escalada militar direta ou bloqueio total, o preço tende a retestar máximas acima de USD 100/bbl, especialmente se os estoques seguirem em tendência de queda. O risco reside em novas sinalizações diplomáticas ou na abertura emergencial do estreito, o que pode deflagrar uma realização rápida nos preços.
Fluxos de navios-tanque seguem no Estreito de Ormuz, ainda que em menor volume
Apesar do fluxo limitado, dois grandes navios tanqueiros conseguiram sair de Ormuz, enquanto cinco navios de GNL se posicionaram próximos ao estreito, aguardando liberação. Movimentos de embarcações com transponders desligados refletem tentativas de evasão ao monitoramento e indicam risco operacional crescente.
Por que isso importa: Mesmo com restrição severa, pequenas movimentações sugerem que uma fração das cargas consegue transitar, sinalizando resiliência parcial da cadeia petrolífera. Contudo, o volume exportado está muito aquém do normal, agravando o desbalanceamento entre oferta e demanda imediata e realimentando o prêmio de risco.
O que esperar? O cenário atual é de restrição persistente e volatilidade, com níveis de exportação abaixo da capacidade, o que contribui para manter a tendência de um estresse mais amplo no mercado. Ao mesmo tempo, qualquer sinal de desbloqueio diplomático tende a catalisar os fluxos e reduzir o déficit observado em nível global.
OPEP+ deve ampliar os limites para julho
Fontes indicam que sete membros da OPEP+ devem ampliar a meta de produção em 188 kbpd em julho, embora a maioria não consiga atingir a meta devido à interrupção das exportações por Ormuz.
Por que isso importa: O aumento da cota tem efeito marginal sobre a oferta real, pois exportadores-chave estão impedidos de embarcar volumes, perpetuando o descolamento entre produção e fluxo físico. Esse quadro acentua o prêmio de risco e fragiliza o controle do grupo sobre os fundamentos de preço no curto prazo. Se as restrições persistirem, o aumento gradual da produção pode ser irrelevante, com os investidores precificando apenas o risco logístico-geopolítico. A fragilidade da capacidade de estocagem do grupo afasta a possibilidade de uma intervenção coordenada caso o mercado colapse.
O que esperar? O aumento dos limites tende a ser neutralizado pela falta de capacidade de escoamento físico do produto. Nesse sentido, enquanto o Estreito de Ormuz seguir fechado, os membros da OPEP+ não conseguirão adicionar mais barris ao mercado, o que inviabiliza impactos relevantes dessas decisões sobre os preços da commodity no curto prazo.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão passada

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.