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Diário de Petróleo

By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

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Cessar-fogo no Líbano reverte ganhos do Brent, mas impasse no Estreito de Ormuz sustenta prêmio de risco

Ontem (04), o contrato mais ativo do Brent fechou em queda, recuando 2,8%, para USD 95,03/bbl. O WTI acompanhou o movimento, caindo para USD 93,04/bbl (-3,1%). A sessão reverteu integralmente os ganhos acumulados na quarta-feira, quando ambos os contratos haviam avançado cerca de 2% em resposta à escalada das hostilidades no Golfo — incluindo ataques iranianos ao aeroporto do Kuwait e ofensivas norte-americanas próximas ao Estreito de Ormuz.

O gatilho da reversão foi o anúncio de um cessar-fogo entre Israel e Líbano, concretizado na madrugada de quarta para quinta, o que reacendeu, entre os participantes do mercado, a expectativa de um acordo mais amplo entre Washington e Teerã, dado que o Irã havia condicionado qualquer negociação com os EUA ao fim dos combates envolvendo o Hezbollah no Líbano.

Nesta manhã (05), o Brent opera em torno de USD 95,1/bbl (+0,2%). O maior otimismo em relação a uma negociação de paz segue frágil e sujeito a reversões rápidas: a rejeição do cessar-fogo pelo líder do Hezbollah, Naim Qassem, e a continuidade das operações militares israelenses no sul do Líbano devolveram incerteza ao quadro diplomático.

Os participantes do mercado parecem estar em compasso de espera, tentando avaliar se o acordo entre Beirute e Washington tem espaço suficiente para avançar sem a adesão do grupo armado — condição que o Irã ainda trata como indispensável.

Hezbollah rejeita cessar-fogo e fragiliza perspectiva de acordo EUA-Irã

O cessar-fogo mediado pelos EUA entre o governo libanês e Israel não contou com a participação do Hezbollah nas negociações, e o líder do grupo, Naim Qassem, declarou publicamente que "a resistência continuará". Israel, por sua vez, mantém tropas em território libanês desde sua invasão em março, e o ministro da Defesa, ישראל Katz, foi categórico ao afirmar que as forças não se retirarão. Com o acordo tecnicamente vigente, mas descumprido por dois dos atores mais relevantes no terreno, a leitura diplomática do mercado se torna muito mais nebulosa.

Por que isso importa: O Irã estabeleceu como condição explícita para qualquer negociação com Washington o fim dos combates envolvendo o Hezbollah — e a rejeição do grupo ao cessar-fogo esvazia, na prática, o valor simbólico do acordo Israel-Líbano como catalisador de uma distensão mais ampla.

  • No curto prazo, isso reduz a probabilidade de reabertura do Estreito de Ormuz e sustenta o prêmio de risco geopolítico embutido nos preços, mesmo que o mercado tenha reagido com otimismo excessivo na quinta-feira.
  • No médio prazo, a continuidade do impasse pressiona as exportações iranianas — já no nível mais baixo em seis anos, segundo dados de rastreamento de embarcações — e mantém restrito o fluxo de petróleo pesado destinado às refinarias asiáticas.
  • Caso o Irã interprete a continuidade dos ataques israelenses no Líbano como violação das condições mínimas e retome operações ofensivas no Golfo, o prêmio de risco pode ser reprecificado abruptamente.

O que esperar? Enquanto o Hezbollah mantiver sua posição de rejeição ao cessar-fogo e Israel não reduzir sua presença no Líbano, as sinalizações de avanço diplomático EUA-Irã permanecerão frágeis e o Brent deve seguir oscilando entre USD 90 e USD 100/bbl, sem direção definida.

• Caso o Irã sinalize formalmente aceitação de um acordo preliminar com Washington — mesmo que parcial —, os futuros do petróleo podem voltar a recuar de maneira mais extensa, dada a magnitude do prêmio de risco ainda embutido nas curvas.

Terminal de Mina al Fahal sofre ataque, mas Omã confirma operação normal

O terminal de Mina al Fahal, em Omã, responsável por exportações de 800 a 900 mil barris por dia de petróleo, foi alvo de um suposto ataque com drone que provocou uma explosão próxima às boias de ancoragem. Três fontes relataram à Reuters que o carregamento de petróleo foi temporariamente suspenso após o incidente — mas a Petroleum Development Oman confirmou em seguida que as operações voltaram ao normal.

Por que isso importa: Omã ocupa posição estratégica singular no cenário atual: é um dos poucos países do Golfo a manter canais diplomáticos abertos com Teerã e simultaneamente exportar volume relevante de petróleo por rota alternativa ao Estreito de Ormuz. Um ataque confirmado ao terminal de Mina al Fahal representaria uma escalada significativa, pois sinalizaria que nenhuma infraestrutura de exportação regional está imune ao conflito — ampliando o prêmio de risco para além das rotas já bloqueadas.

O que esperar? A normalização declarada das operações em Mina al Fahal deve limitar o impacto imediato nos preços, com o mercado absorvendo o episódio como um problema pontual de logística. Caso ataques a terminais omanenses se repitam ou sejam atribuídos formalmente a atores ligados ao conflito EUA-Irã, a percepção de risco sistêmico sobre a infraestrutura de exportação regional tende a se ampliar, com possível reprecificação nos contratos futuros de Brent.

  • ESPECIAL - Importações de diesel crescem em maio

  • De acordo com os dados do Comexstat, as importações de diesel totalizaram 1,4 milhão de m³ em maio, marcando um aumento de 18,5% frente ao registrado em março, mas um leve recuo de 3,5% no comparativo com o mesmo período do ano passado.

    O crescimento das compras de produto norte-americano surpreendeu, com o share dos EUA passando de 9% (108 mil m³) em abril para 27% (390 mil m³) em maio. O avanço está pautado tanto em um aumento das exportações norte-americanas a nível global – com o indicador saltando mais de 30% desde o início do conflito no Oriente Médio – quanto pelo recuo das cotações do combustível a nível global, que tornou o mercado brasileiro mais atrativo para os exportadores norte-americanos frente a outras regiões.

  • Importações de diesel pelo Brasil - Milhões de m³

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    Fonte: MDIC. Elaboração: StoneX.

    A Rússia seguiu como principal fornecedora do produto ao Brasil, com 73% (1,02 milhão de m³) do share total. O país conseguiu manter o volume mesmo em um contexto de recuo da produção em quase 20% entre março e maio – com os ataques ucranianos afetando os centros de processamento russos. Para os próximos meses, existem dúvidas quanto à capacidade do país de exportar os volumes que vinham sendo registrados em meses anteriores, não só por conta da menor oferta, como também pela expectativa de um crescimento do consumo pela via agrícola.

    No acumulado anual, o indicador totalizou 6,4 milhões de m³, marcando queda de 3% no comparativo com o mesmo período do ano passado. Além da maior dificuldade de aquisição de produtos no mercado internacional após o fechamento do Estreito de Ormuz, o aumento da oferta pelas refinarias brasileiras também contribuiu para esse cenário de menor internalização de diesel, com os centros de processamento da Petrobras ampliando o FUT de maneira acelerada e garantindo um maior abastecimento pela via doméstica.

Tabela diária - Variação dos preços na sessão passada

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Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.
  • Energia

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