Ontem (09), o contrato mais líquido do Brent encerrou com queda de 3%, atingindo USD 91,45/bbl. O WTI fechou a USD 88,2/bbl (-3,4%).
O movimento refletiu o alívio do mercado após a confirmação, por Irã e Israel, de que os ataques entre os dois países seriam interrompidos temporariamente. Paralelamente a isso, rumores relacionados a um avanço das negociações entre Teerã e Washington também pesaram negativamente sobre os futuros do petróleo.
Nas primeiras horas desta manhã, o Brent opera com alta de 1%, cotado a USD 91,24/bbl por volta das 08h30, acompanhando as renovadas trocas de ataques entre os EUA e o Irã na região do Golfo e as indicações de que as discussões diplomáticas evoluem a passos lentos.
Restrição logística no Estreito de Ormuz e escalada EUA-Irã reduzem visibilidade de normalização da oferta
A retomada dos bombardeios cruzados entre os EUA e o Irã, com ataques iranianos a bases norte-americanas no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia e ofensiva dos EUA contra posições iranianas próximas ao Estreito de Ormuz, ampliou o grau de incerteza operacional nas principais rotas marítimas do petróleo. O Irã mantém bloqueio significativo à navegação na região, mesmo após a mediação internacional reiterar apelos por cessar-fogo, e afirmou que irá impor condições e possíveis tarifas de trânsito junto a Omã para a liberação parcial do fluxo.
Por que isso importa: No curto prazo, a retomada dos ataques entre Teerã e Washington limita o reequilíbrio do balanço mundial e obriga a uma retirada adicional dos estoques estratégicos, dado que as expectativas de uma reabertura do Estreito de Ormuz ficam cada vez mais distantes. Em um horizonte de médio prazo, amplia o risco de movimentos abruptos nos preços em caso de intensificação militar, em um ambiente já tensionado por déficit amplo no balanço global e resposta limitada da OPEP+.
O que esperar? Enquanto prevalecerem o bloqueio parcial ao Estreito de Ormuz e os ataques intermitentes, os futuros do petróleo tendem a manter um piso mais elevado, sustentando diferenciais de preços entre os mercados asiáticos e europeus.
- Caso as discussões diplomáticas avancem e um memorando de entendimento seja formalizado — o que é improvável neste momento —, há potencial para recuo parcial do prêmio atual. Ainda assim, as expectativas seguem de estoques mais debilitados no longo prazo, mesmo com a eventual reabertura completa do Estreito de Ormuz.
Estoque global em mínima de 20 anos intensifica pressão estrutural nos preços
Segundo a EIA, os estoques de petróleo das economias da OCDE caminham para menos de 2,3 bilhões de barris até dezembro, patamar mais baixo desde o início da série histórica, em 2003. O movimento decorre da necessidade de compensação do déficit de oferta do Oriente Médio, com os consumidores queimando reservas para garantir a plena disponibilidade de energéticos. O organismo projeta que os estoques seguirão em queda acelerada ao menos até 2027, enquanto o fluxo na região não for normalizado.
Por que isso importa: A redução dos estoques age como base estrutural para a manutenção do Brent acima de USD 90/bbl nos próximos meses, ainda que avanços diplomáticos tragam alívio pontual aos prêmios de risco. O derretimento dos estoques impõe limites à capacidade de amortecer choques adicionais de oferta, aumentando a vulnerabilidade do mercado a novas perdas produtivas ou restrições inesperadas. Para o Brasil, eventual necessidade de compras emergenciais de diesel e outros derivados pode encontrar um ambiente de preços persistentemente elevados e menor disponibilidade internacional.
O que esperar? Caso não haja normalização dos fluxos pelo Estreito de Ormuz e exportadores alternativos mantenham limitações de resposta, os estoques globais devem declinar ao longo do segundo semestre, sustentando um patamar elevado de preços spot. Uma retomada mais robusta do trânsito na região é condição necessária para a reversão desse quadro, com risco de agravamento caso novas sanções ou interrupções aumentem o déficit logístico e produtivo.
Demanda global arrefece com preços elevados, mas oferta restrita mantém suporte do Brent
A EIA também revisou sua expectativa e projeta queda de 1,1 milhão de bpd no consumo global de petróleo em 2026 frente ao ano anterior, revertendo a perspectiva de crescimento. O movimento reflete o impacto de preços altos sobre atividades industriais e medidas governamentais de racionamento, especialmente em mercados desenvolvidos e asiáticos. As importações chinesas seguem abaixo do esperado, limitando o teto dos preços, mas o ajuste descendente da oferta continua predominante.
Por que isso importa: A queda forçada da demanda não normaliza imediatamente o balanço, pois a redução da oferta excede o arrefecimento do consumo, aprofundando o risco de déficit de derivados, especialmente em mercados dependentes de importações. O fenômeno eleva a importância das reservas estratégicas e reforça a necessidade de planos emergenciais de suprimento, inclusive para mercados como o Brasil.
O que esperar? Persistindo os preços elevados e a oferta tensionada, a demanda global tende a registrar nova retração no segundo semestre, com potencial para cortes mais amplos em países importadores. Caso haja reabertura do fluxo no Golfo Pérsico, pode haver ajuste marginal para baixo nos preços, mas o reequilíbrio pleno só deve ocorrer mediante a recomposição dos estoques a partir de 2027.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão passada

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.