Ontem (25/06), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta de 2,1%, cotado a USD 75,26/bbl. O WTI acompanhou o movimento, encerrando a USD 71,92/bbl (+2,3%). A sessão reverteu a tendência de queda da véspera, quando ambos os contratos haviam tocado o menor nível desde 27 de fevereiro.
O movimento foi impulsionado pelo ataque a um navio cargueiro próximo a Omã, com funcionários confirmando que o Irã disparou contra a embarcação ao tentar cruzar o Estreito de Ormuz fora das rotas designadas por Teerã. O episódio suspendeu o programa voluntário de evacuação da IMO e reacendeu o prêmio de risco, mesmo com o volume de embarques pelo estreito atingindo o maior nível desde o início do conflito em fevereiro.
Esta manhã (26/06), o Brent opera em queda de 3,4%, a USD 72,7/bbl, por volta das 08h40. O anúncio da retomada de carregamentos por Ras Tanura, na Arábia Saudita, assim como as expectativas de ampliação da entrega de barris por outros países do Golfo Pérsico, acentua a queda registrada na semana, com o mercado precificando uma retomada mais acelerada das exportações de petróleo pela região no curto prazo.
Retomada das exportações sauditas e escalada de ofertas no Oriente Médio
A Saudi Aramco retomou os carregamentos no terminal de Ras Tanura nesta sexta-feira, com dois navios VLCC, com capacidade de 2 milhões de barris cada, já carregando e um terceiro aguardando nas proximidades. É o primeiro carregamento do porto desde 8 de março, quando a Aramco havia desviado suas exportações para Yanbu, no Mar Vermelho, após o bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz. A retomada coincide com uma onda de licitações regionais: a QatarEnergy ofereceu os tipos Al-Shaheen, Marine Qatar e Marine Land para carregamento em julho-agosto; o Iraque lançou tender para Basra Heavy e Basra Medium; e a Kuwait Petroleum Corp. vendeu 2 milhões de barris do Kuwait Export Blend para a Índia.
Por que isso importa: A reativação de Ras Tanura sinaliza que a maior exportadora mundial está apostando na durabilidade do corredor marítimo, o que pressiona os preços ao ampliar o superávit de curto prazo. A convergência de ofertas simultâneas de Arábia Saudita, Iraque, Qatar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos comprime os diferenciais do petróleo do Oriente Médio, com benchmarks como Omã, Dubai e Murban atingindo mínimas de cinco anos nesta semana. A consequência de segunda ordem é a provável revisão baixista dos preços oficiais de venda (OSPs) sauditas para agosto, aprofundando a pressão sobre blends concorrentes, incluindo os de origem africana e do Atlântico.
Panorama: As exportações sauditas caíram de mais de 7 mbpd em fevereiro para cerca de 4 mbpd nos últimos três meses; Ras Tanura exportava isoladamente mais de 5 mbpd antes do conflito. A ADNOC vendeu pelo menos 48 milhões de barris via três licitações em junho; a Formosa, de Taiwan, já adquiriu 2 milhões de barris de Al-Shaheen nesta semana.
O que esperar? Enquanto o Estreito de Ormuz permanecer operacional — mesmo que parcialmente —, a pressão de oferta deve manter os preços do Brent mais limitados no curto prazo. Caso novos incidentes com navios levem ao fechamento das rotas aprovadas por Teerã, a retirada abrupta de volumes já comprometidos em licitações abertas pode gerar volatilidade pronunciada; nesse cenário, os diferenciais do Golfo tenderiam a se recuperar rapidamente.
Fluxos pelo Estreito de Ormuz em máxima desde fevereiro, mas tráfego ainda abaixo do padrão histórico
O volume de embarques pelo Estreito de Ormuz atingiu o maior nível desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, com estimativas do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, apontando cerca de 20 milhões de barris nas últimas 24 horas — equivalente a aproximadamente um quinto do consumo mundial. Na quinta-feira, quatro navios-tanque transportaram 6 milhões de barris de petróleo, além de 4 milhões de barris em dois navios com petróleo iraniano. Ainda assim, o tráfego total permanece uma fração da média de 125 navios diários registrada antes da guerra, e os navios evitam a zona central do estreito por risco de minas, concentrando-se no lado omanense.
Por que isso importa: A persistência de zonas de exclusão e a ação da Guarda Revolucionária contra navios fora das rotas designadas mantêm a fragilidade do balanço global, mesmo com o aumento dos fluxos. Com os tanques de armazenamento no Golfo operando entre 50% e 60% da capacidade, qualquer nova interrupção forçaria redução da produção regional antes que os estoques globais pudessem absorver o choque.
O que esperar? O cenário atual é de recuperação gradual e assimétrica dos fluxos, condicionada ao cumprimento das rotas definidas por Teerã. Brent e WTI acumulam perdas de cerca de 7% na semana, refletindo o alívio com a reabertura parcial; caso a IMO retome o esquema de evacuação e o tráfego diário supere 80 navios de forma consistente, uma nova rodada de reprecificação baixista é possível. Caso o Irã amplie restrições a navios fora das rotas aprovadas, o prêmio de risco pode se recompor rapidamente.
Variação intradiária dos preços no setor energético

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.