Fonte: ASMC. Elaboração: StoneX.
O ciclo 2024/25 na Austrália, cuja colheita costuma durar entre junho e dezembro, possui boas perspectivas em termos de produtividade, uma vez que as chuvas no período de entressafra no principal estado produtor (Queensland, onde está 96% da área de cana do país) foram 18,2% acima da média de 10 anos. Dessa forma, a ASMC já estima um aumento de 3,8% na moagem no ciclo atual, cuja estimativa está em 31,02 MMT de cana.
* Dados até 09/06/2024. Fonte: Refinitiv. Elaboração: StoneX.
A StoneX, em seu último relatório de Saldo Global, divulgado em maio/24, apresentou a estimativa de aumento na produção de açúcar australiana, que viria, justamente de um ganho de 2,7% na produtividade em 2024/25, que caiu 10,9 ton/ha em 2023 (-11,1%), reflexo de alagamentos em algumas áreas no ano de 2022 trazendo piora na colheita no ano seguinte – além de uma entressafra mais curta em 2022 por conta das chuvas em excesso neste ano que piorou o planejamento das usinas. Assim, a produção de açúcar neste ano é estimada em 4,25 milhões de toneladas, aumento de 3,0% frente ao ano passado, resultado de uma moagem que deve chegar a 31,5 MMT.

* Estimativa StoneX. Fonte: ASMC. Elaboração: StoneX.
Contudo, desde maio, trabalhadores do maior grupo açucareiro da Austrália (Wilmar) entraram em greve e, no início das operações nas 8 usinas do grupo, os trabalhos foram interrompidos. Isso deve causar o leve atraso da moagem em algumas dessas unidades, já havendo reporte de perda de uma pequena parcela da cana que seria moída. Contudo, segundo notícia divulgada hoje, oficiais, tanto dos sindicatos locais, quanto do grupo das usinas já anunciaram negociações e a greve deve se encerrar, retomando a colheita em um período ainda benéfico.
Todavia, a diminuição drástica da moagem ainda neste ano já é reflexo do atraso de início dessas unidades, que detêm praticamente metade da produção nacional. Daqui para frente, a produção australiana deve ganhar ritmo e, assim, será evidenciado o impacto (ou não) deste atraso.
O mercado, nos últimos dias, se preocupa com as condições no produtor da Oceania, uma vez que é responsável por exportações anuais na casa de 3,3 milhões de toneladas, importante fornecedor de países asiáticos. Em um contexto de alta dependência da oferta brasileira, qualquer risco em outros exportadores se torna ponto de atenção aos agentes.
Resumo do dia
Na data de escrita deste relatório (13), os preços do açúcar bruto e branco registraram alta nos mercados futuros. Para o bruto SBV4 (out/24), o dia finaliza na marca de US¢ 19,64/lb, aumento de 2,94%. Já em Londres, o pregão foi de avanço de 2,27%, finalizando em US$ 567,4/ton.
As negociações do açúcar bruto em NY romperam a estagnação que vinha ocorrendo entre US¢18 – 19/lb, crescendo quase 100 pontos nos últimos dois dias. O mercado aguarda pela atualização de safra do Centro-Sul por parte da UNICA, que deve ocorrer amanhã, e responde à declaração do governo indiano de que pretende intensificar a mistura de etanol na gasolina, fator que pode direcionar um maior volume de açúcar para a produção do biocombustível.





