Fonte: CommodityNetwork Traders’Pro. Elaboração: StoneX.
Somado as perspectivas positivas para a oferta de açúcar no ciclo 2021/22 (out-set), especialmente na Ásia e Europa, o grande destaque tem sido o regime de chuvas no Centro-Sul brasileiro. A recuperação da umidade sobre a região tem estimulado perspectivas mais otimistas em relação à produtividade dos canaviais ao longo da temporada 2022/23 (abr-mar). Na próxima semana (19), nós divulgaremos novas estimativas para as safras do cinturão canavieiro e Norte e Nordeste do Brasil, bem como a revisão das nossas projeções para o saldo global de açúcar no ciclo internacional corrente.
De qualquer forma, é evidente que o mercado vem operando com maior conforto e antecipando a expectativa de maior volume de açúcar a ser direcionado ao exterior pelo Brasil – o que corrobora a redução do aspecto de inversão da curva de futuros do #11. A título de comparação, a fixação do adoçante para exportação referente à safra 2022/23 opera em 71%, contra 66,3% no comparativo com o ano anterior.
No entanto, a concretização deste cenário ainda irá depender das perspectivas para o mix produtivo na região. Atualmente, o contrato contínuo do #11 opera com desconto de 6,1% em relação ao anidro, com base em Ribeirão Preto/SP, mas ainda em nível 2,8% superior ao PVU do hidratado. Evidentemente, parece provável que o demerara recupere parte das perdas recentes, voltando a viabilizar maior direcionamento de cana à produção do adoçante.
Nos últimos dias, a cotação do etanol nas usinas tem oscilado em patamares próximos de R$ 4,00/L, após terem tocado máximas históricas de R$ 4,60/L em 2021. Em meio à recuperação dos preços do petróleo no mercado internacional e a apreciação do dólar comercial, o ambiente já se mostra mais propício a novos reajustes positivos sobre o preço da gasolina A – o que pode vir a conferir tom altista para o biocombustível, sobretudo neste período de entressafra.
O atraso na liberação de cargas nos portos brasileiros é outro fator que pode estimular a alta dos preços dos combustíveis no mercado doméstico. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a greve dos funcionários da Receita Federal está dificultando a entrada de combustíveis importados, com a liberação dos produtos demorando cerca de 10 dias – isto é, 5 vezes mais do que o usual.
Levando em consideração que as refinarias nacionais não têm capacidade de suprir integralmente a demanda interna, tais atrasos elevam os riscos de desabastecimento ao longo do mês corrente, além de aumentarem os custos das importações em meio ao maior tempo de espera – o que também pode vir a ser repassado ao consumidor final. Isto será monitorado nos próximos meses, de modo a avaliar como tende a se comportar os preços do álcool nas usinas.