Fontes: CommodityNetwork Traders’Pro e ISMA. Elaboração: StoneX.
De fato, as usinas indianas esperam por uma valorização nos preços internacionais para avançar com suas vendas externas. Para além dessa dinâmica, o mercado permanece atento às perspectivas para o setor etanoleiro no país asiático, em vista dos planos ambiciosos de Nova Delhi de alcançar 20% de mistura do etanol na gasolina (E20) em 2025.
Na temporada 2021/22, o setor açucareiro local deverá contar com entre 70 e 75 novas usinas, que adicionariam 1,9 milhão de m³ à capacidade de destilação indiana. A título de comparação, o potencial de destilação do país se situou próximo de 5,2 milhões de m³ na temporada passada, sendo que 43,9% das unidades produtoras estavam localizadas em Maharashtra.
Nesse contexto, cerca de 85% da oferta de etanol na Índia foi proveniente do adoçante ao longo da safra 2020/21. De modo a viabilizar sua segurança energética, o país também vem investindo em projetos de plantas a partir de outras matérias-primas, com o potencial de produção de álcool a partir de grãos sendo de 2,7 milhões de m³.
O governo já aprovou projetos que somam 8,6 milhões de m³ de etanol à capacidade instalada do país a partir de grãos, sendo que as usinas de açúcar também estão expandindo suas capacidades operacionais com base em outras matérias-primas, com ênfase no milho. O avanço significativo de tais projetos demonstra que o país tem potencial de atingir os planos de tornar sua matriz energética mais renovável.
Além disso, tal conjuntura também pode viabilizar maior participação do açúcar indiano no mercado internacional nos próximos anos – a depender do avanço do setor etanoleiro e dos incentivos à produção a partir de matérias-primas alternativas. Para o ciclo corrente, esperamos que cerca de 3,0 milhões de toneladas do adoçante sejam direcionadas à produção de etanol, com o país tendo capacidade de exportar cerca de 6,0 milhões de toneladas de açúcar.
Atualmente, as empresas de comercialização de petróleo oferecem INR 52,9/L para o biocombustível produzido a partir de grãos. Em contrapartida, o preço fixado pelo governo para o etanol produzido através de melaço C, B e caldo de cana é de INR 46,7/L, INR 59,1/L e INR 63,4/L, respectivamente – níveis que asseguram a competitividade do biocombustível em relação ao açúcar.
Ainda no continente asiático, as exportações da Tailândia alcançaram cerca de 370 mil toneladas em dezembro/21, representando uma alta anual de 47%. No acumulado de 2021/22 (out-set), portanto, 1,2 milhão de toneladas foram destinadas ao exterior, crescimento de 36,2% no comparativo safra-a-safra. Tal dinâmica deve ganhar ritmo nos próximos meses, com o país podendo direcionar cerca de 7,1 a 7,5 milhões de toneladas ao exterior até setembro/22.