*Linha tracejada representa o Centro-Sul. Fontes: INMET e USDA. Elaboração: StoneX.
Diante disto, projetamos uma alta anual de 7,3% para o TCH médio dos canaviais, que deve encerrar a safra 2022/23 (abr-mar) em 73,5 t/ha. Como consequência, a moagem do próximo ciclo é estimada em 565,3 milhões de toneladas – ainda que o comportamento climático dos próximos meses seja fundamental para avaliar com maior precisão o potencial produtivo dos canaviais do Centro-Sul a serem colhidos entre abril/22 e março/23.
Tal variável terá um peso importante nas análises em torno do saldo global de açúcar na temporada 2021/22 (out-set). Até o momento, nossa expectativa é de que o balanço de O&D da commodity opere em um déficit de 1,8 milhão de toneladas – o que pode atuar como suporte aos futuros do #11 e do #5 na ICE/NY e ICE-Europe, respectivamente.
No entanto, nesta quarta-feira (02), o contrato contínuo do #11 traçou firme tendência de queda, na ordem de 3,0%, encerrando a sessão da ICE/NY em US¢ 17,93/lb – movimentação que se deu apesar da queda recente do dólar comercial e frente a outras e sustentação do Brent. Como consequência, o spread H2-K2, que vinha apresentando valorização nos últimos dias, retraiu 13 pontos, finalizando o pregão em inversão de US¢ 0,32/lb.
Tal movimentação parece responder ao início da rolagem dos fundos indexados, considerando que a expiração do março/22 ocorre ao final deste mês – o que pode pressionar os patamares de negociação do respectivo vencimento. Vale notar que a desvalorização da curva de futuros do #11 foi mais expressiva para os primeiros contratos, reforçando a tese de maior conforto no balanço de O&D no curto prazo.
Além das questões climáticas, a própria paridade de preços entre o açúcar e o etanol vem recebendo os holofotes. Atualmente, o H2 do #11 opera com um desconto de 1,9% em relação ao PVU do anidro, com base em Ribeirão Preto/SP. Ainda que esta movimentação possa interferir na decisão de mix produtivo das usinas, é importante lembrar que o consumo de combustíveis tende a ser pressionado pelas incertezas no campo macroeconômico – dado o menor poder de compra do consumidor final em meios aos preços elevados nos postos brasileiros.
Sob outra perspectiva, a tendência é de que o demerara recupere parte das perdas recentes, de modo a estimular a produção brasileira e viabilizar as exportações indianas nos próximos meses. Isto, aliado aos preços ainda atrativos em R$/t, estimula o avanço das contratações de exportação. Para a safra 2022/23 (abr-mar), a fixação se situa em 74%, contra 69,3% no mesmo período do ciclo anterior.
Levando em consideração os custos envolvidos para a mudança de mix, parece pouco provável que esse quadro se reverta no curto prazo - o que corrobora a perspectiva de maior oferta de açúcar pela região. Tais discussões serão acompanhadas de perto nas próximas semanas, de modo a avaliar as perspectivas para o mercado açucareiro global ao longo da temporada corrente.